Uma pesquisa da Quaest encomendada pelo instituto More in Common indica que os jovens brasileiros são menos conservadores em temas de costumes do que as gerações mais velhas, embora os homens dessa faixa etária sejam os que mais se identificam com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Os resultados foram publicados pelo g1.O levantamento ouviu cerca de 10 mil brasileiros entre janeiro e fevereiro de 2025 e avaliou opiniões relacionadas a gênero, sexualidade e política. Os resultados mostram que a maioria dos jovens de 16 a 24 anos se define como conservadora, mas em proporção menor do que a observada entre pessoas mais velhas.Entre os homens dessa faixa etária, 68% se classificam como conservadores. Entre as mulheres, o percentual é de 62%.A conclusão dos pesquisadores é que não há evidências de que os jovens sejam mais conservadores do que seus pais e avós. Em praticamente todos os temas analisados, a adesão a posições conservadoras foi igual ou menor do que a registrada entre os grupos mais velhos.Leia tambémEduardo Bolsonaro sugere trocar Pix pelo Zelle, ferramenta de pagamento dos EUAEx-deputado cita sistema americano ao comentar críticas de Washington ao Pix e defende diálogo para evitar novas sanções comerciaisGeração entre dois polosA pesquisa retrata uma juventude que não se encaixa facilmente nos rótulos tradicionais do debate político. Ao mesmo tempo em que demonstra apoio significativo à ampliação de direitos para mulheres e homossexuais, ela preserva posições conservadoras em temas ligados à sexualidade, família e educação.Um dos exemplos aparece na discussão sobre adoção por casais do mesmo sexo. Entre os homens jovens, cerca de 70% concordam que casais gays devem ter direito a adotar crianças. Entre as mulheres da mesma faixa etária, o percentual sobe para 83%.Ainda assim, mais da metade dos entrevistados concorda com a afirmação de que a homossexualidade deveria ser vivida de forma reservada, “entre quatro paredes”.Resistência à pauta de gêneroAs respostas relacionadas à chamada “ideologia de gênero” mostram uma inclinação mais conservadora. Entre os jovens, 59% afirmam que discussões sobre o tema nas escolas podem confundir a sexualidade das crianças. Outros 55% defendem que questões relacionadas à sexualidade devem ser tratadas apenas pelas famílias, e não pelo ambiente escolar.Os dados sugerem que a geração Z combina maior aceitação de alguns direitos civis com resistência a parte da agenda identitária que dominou o debate público nos últimos anos.Essa combinação ajuda a explicar por que os pesquisadores descrevem os jovens como ocupantes de uma posição intermediária na disputa de valores que marca a política brasileira.Bolsonarismo forte entre homens jovensO principal destaque político do levantamento aparece na identificação com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Entre os homens de 16 a 24 anos, 42% afirmam se identificar com Bolsonaro ou com as ideias associadas ao bolsonarismo.O percentual cai para cerca de 35% entre homens de 25 a 54 anos, para 29% na faixa de 55 a 64 anos e para 25% entre aqueles com mais de 65 anos. Os dados mostram que a maior concentração de apoio ao bolsonarismo está justamente entre os homens mais jovens.O levantamento faz parte do estudo “O Brasil Invisível”, desenvolvido pela Quaest em parceria com o More in Common. As entrevistas foram realizadas presencialmente em domicílios entre janeiro e fevereiro de 2025.Os pesquisadores utilizaram 14 perguntas sobre gênero, sexualidade e política para medir o grau de proximidade dos entrevistados com posições consideradas mais conservadoras ou mais progressistas.The post Jovens são menos conservadores que os pais, mas mais bolsonaristas, diz Quaest appeared first on InfoMoney.
