SÃO PAULO, 16 Jul (Reuters) – As taxas dos DIs fecharam a quinta-feira com altas, refletindo o avanço dos rendimentos dos Treasuries no exterior, a nova tarifa dos EUA sobre produtos brasileiros e o leilão robusto de títulos prefixados do Tesouro.No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,91%, com alta de 6 pontos-base ante o ajuste de 3,851% da sessão anterior. O DI para janeiro de 2035 marcou 14,435%, com elevação de 11 pontos-base ante 14,328.Os EUA informaram pela manhã que foram feitos 208 mil pedidos de auxílio-desemprego no país na semana passada, menos que os 217 mil projetados por economistas em pesquisa da Reuters. Em outra divulgação, os EUA informaram que as vendas no varejo subiram 0,2% em junho, em linha com o esperado.Após os números, que sugerem uma economia resiliente nos EUA, os rendimentos dos Treasuries ganharam força, atingindo os picos do dia.Leia tambémPetróleo fecha em queda a despeito da guerra no Oriente MédioCommodities operaram em baixa enquanto investidores monitoram ameaças de grupos aliados ao Irã de interditar passagens marítimas cruciais para o transporte de energiaDólar hoje sobe ligeiramente após EUA anunciarem tarifa sobre o BrasilMoeda norte-americana tem sinais mistos ante as demais divisas.O movimento deu suporte às taxas dos DIs, que também reagiam ao anúncio, pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR na sigla em inglês), da tarifa de 25% sobre importações de produtos brasileiros. A cobrança começará a valer em 22 de julho.Ainda que a lista de exceções seja mais ampla que o esperado, a tarifação de produtos como açúcar, máquinas agrícolas, papel e aço tem potencial para afetar setores específicos da economia brasileira.O possível impacto sobre as exportações do Brasil para os EUA pode prejudicar o fluxo de dólares para o país, com efeitos sobre as cotações da moeda norte-americana e, no limite, sobre a inflação, afetando os juros.O Brasil é o primeiro país a receber tarifa após investigação comercial do USTR. Cerca de 80 investigações comerciais foram abertas pelo escritório e dezenas de países ainda podem ser punidos.Profissional ouvido pela Reuters pontuou que, além dos Treasuries e da tarifação, as taxas foram impactadas nesta quinta-feira pelo leilão semanal de títulos prefixados do Tesouro, em que foram vendidos ao mercado 22,05 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTNs) e 2,65 milhões de Notas do Tesouro Nacional — Série F (NTN-Fs).Leia tambémEm meio a juros recordes, B3 lança índices que seguem Tesouro IPCA+Indicadores acompanham carteiras de NTN-Bs com prazos de referência de dois, cinco e dez anos e servem de base para ETFsTarifaço dos EUA tem mais de 2 mil exceções: terras-raras, carne, café e outrosAo detalhar a nova tarifa de 25%, secretário do Comércio dos EUA listou itens isentos que têm peso grande na pauta de exportações brasileiras para os EUAA venda de títulos pelo Tesouro tende a ter um impacto altista nas taxas dos títulos e, consequentemente, na curva de DIs. O volume negociado nesta quinta-feira foi bem maior que o de uma semana antes, de 9 milhões de LTNs e 4,15 milhões de NTN-Fs.Pela manhã, sem efeitos na curva, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que as vendas no varejo subiram 0,1% em maio ante abril e avançaram 0,4% em relação a maio do ano passado. Economistas ouvidos em pesquisa da Reuters esperavam por ganho mensal de 0,5% e anual de 1,15%.Às 16h31, o rendimento do Treasury de dois anos–que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo– tinha alta de 3 pontos-base, a 4,156%. Já o retorno do título de dez anos –referência global para decisões de investimento– subia 2 pontos-base, a 4,565%.The post Juros futuros fecham em alta com tarifas dos EUA e Treasuries appeared first on InfoMoney.
