Juros futuros sobem com serviços pressionados no IPCA e rendimentos dos Treasuries

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SÃO PAULO, 12 Mai (Reuters) – As taxas dos DIs ⁠fecharam a terça-feira com leves altas após o anúncio da inflação de abril, que ⁠veio perto do esperado, mas com alguns indicadores de serviços ainda acelerados.A alta das taxas também esteve em sintonia ‌com o avanço dos rendimentos dos Treasuries no exterior, em mais um dia de elevação dos preços do petróleo em função do impasse entre EUA e Irã.No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,835%, em ‌alta de 7 pontos-base ante o ajuste de 13,764% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 13,88%, com elevação de 3 pontos-base ante o ajuste de 13,852%.O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou pela manhã que o IPCA, o índice oficial de inflação, subiu 0,67% em abril, desacelerando ante a taxa de 0,88% de março. O resultado ficou próximo da projeção de 0,69% dos analistas consultados pela Reuters. Em 12 meses, o IPCA acumulou 4,39%, ⁠ante ‌4,40% projetados.Apesar do resultado cheio quase em linha com o esperado, a abertura do IPCA ainda revelou uma inflação pressionada em algumas ⁠métricas.Leia tambémGoolsbee, do Fed, se diz desapontado com último dado de inflaçãoAustan Goolsbee afirma que a aceleração dos preços nos EUA vai na direção errada e aponta pressões amplas que vão além da alta do petróleo e de tarifasInflação dos EUA em abril é menor que a de março, porém mais disseminadaEspecialistas dizem que as pressões inflacionárias estão se dispersando por diversas categorias, indo além do choque energético; mas eles não enxergam, por ora, motivos para o Fed mudar a política de jurosEmbora a inflação de serviços tenha desacelerado de 0,53% em março para 0,04% em abril, a taxa dos serviços subjacentes passou de 0,49% para 0,52% no período, conforme cálculos do banco Bmg. O índice de serviços intensivos em mão de obra foi de 0,58% para 0,71%.A taxa média dos núcleos de inflação monitorados pelo Banco Central passou de 0,44% em março para 0,49% em abril, de acordo com o Bmg.“Todos os cinco núcleos vieram acima do projetado, e a leitura ​reforça um quadro de pressão mais disseminado do que o número cheio sugere”, comentou Gabriel Pestana, economista-sênior da Genial Investimentos, acrescentando que a gasolina, cujos preços desaceleraram de 4,59% para 1,86% em março, foi o principal contraponto benigno.“No balanço, o ​IPCA de abril combina um ‘headline’ (número principal) próximo do esperado com uma mensagem qualitativa ruim: núcleos pressionados, serviços mais resilientes e alimentos piores, parcialmente compensados por gasolina”, acrescentou.Na esteira dos números, a taxa do DI para janeiro de 2029 marcou a máxima de 13,880% (+12 pontos-base) às 9h02 — pouco depois da abertura da sessão e da divulgação do IPCA.Leia tambémGasolina alivia IPCA, mas inflação acumulada pressiona teto com alimentos e serviçosA inflação geral desacelerou em abril, mas o alívio não é permanente; preços essenciais e produtos industriais continuam subindo com força, mostrando que a pressão sobre o custo de vida ainda não passouNo geral, a percepção dos analistas foi de que o IPCA reforçou a tendência de um corte de apenas 25 pontos-base da Selic em junho, sem que haja uma ‌garantia de mais reduções depois.Na última sexta-feira — dado consolidado mais recente — as opções de Copom ​negociadas na B3 precificavam 65% de probabilidade de novo corte de 25 pontos-base da Selic em junho, contra 24,5% de chance de manutenção da taxa básica em 14,50% e 9,5% de possibilidade de redução de 50 pontos-base.Para a decisão seguinte, em agosto, os percentuais eram de 35,5% para corte de 25 ⁠pontos-base, 35% para manutenção e 23,5% para redução de ​50 pontos-base.“O dado (do IPCA) reforça a ​necessidade de cautela. O debate saiu de ‘quanto acelerar’ (nos cortes da Selic) para ‘onde parar’, com probabilidade crescente de uma interrupção precoce do ciclo caso a desinflação de serviços ⁠não ganhe tração”, avaliou Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos.O movimento ​de alta das taxas dos DIs nesta terça-feira também foi influenciado pelo avanço dos rendimentos dos Treasuries e pela elevação do petróleo, que voltou a ser negociado acima dos US$108 o barril em Londres.Após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar na véspera que o cessar-fogo entre os países ‘respira ​por aparelhos’, uma autoridade do Irã disse nesta terça-feira que o país expandiu sua definição do Estreito de Ormuz para uma ‘vasta área operacional’, muito mais ampla do que antes da guerra.O tráfego de navios pelo estreito, ​por onde circulam 20% do petróleo e ⁠do gás comercializados no mundo, seguiu prejudicado.À tarde, Trump afirmou que terá uma longa conversa com o presidente chinês, Xi Jinping, sobre a guerra no Irã durante sua ⁠viagem à China, mas acrescentou que não acha que precisa da ajuda de Xi. Mais tarde, Trump disse que tem “muitas coisas” para discutir com Xi, mas “não diria que o Irã é uma delas”.Além do cenário nebuloso no Oriente Médio, os rendimentos dos Treasuries reagiram ao índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos EUA, que subiu 3,8% em 12 meses até abril, o maior aumento anual desde maio de 2023.Às 16h33, o rendimento do Treasury de dez anos — referência global para decisões de investimento — subia 5 pontos-base, a 4,459%.(Edição de Pedro ​Fonseca)The post Juros futuros sobem com serviços pressionados no IPCA e rendimentos dos Treasuries appeared first on InfoMoney.

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