O cenário político do Reino Unido entrou em convulsão desde o final de semana. No sábado (12), o presidente Donald Trump declarou em Dublin, em reunião com o primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, que uma Irlanda unificada seria “fantástica”. Nesta segunda-feira (14), os líderes da Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales assinaram um memorando de entendimento instando o governo do Reino Unido a se preparar para uma mudança constitucional, numa defesa pelo direito à autodeterminação que pode culminar com referendos de independência.A declaração conjunta foi assinada por Rhun ap Iorwerth, primeiro-ministro do País de Gales e líder do partido Plaid Cymru; John Swinney, primeiro-ministro da Escócia e líder do Partido Nacional Escocês (SNP); e Michelle O’Neill, primeira-ministra da Irlanda do Norte e vice-presidente do Sinn Féin.Leia também: Trump diz que “adoraria” ver Irlanda unificadaPara os políticos nacionalistas, cujos partidos saíram fortalecidos nas eleições de maio, o cenário político “está mudando” e suas nações “têm o direito de determinar seu próprio futuro, por meios democráticos e de acordo com os desejos de seu povo”.O movimento se fortaleceu com a eleição porque, pela primeira vez desde o início da devolução de poderes de 1997, todas as três “nações celtas” têm primeiros-ministros favoráveis a deixar o Reino Unido.O acordo conjunto diz que “o tempo de Westminster [o sistema parlamentarista do governo britânico] está chegando ao fim”. E após a assinatura do memorando de entendimento em Cardiff, Swinney declarou que Andy Burnham será o último primeiro-ministro do Reino Unido.“O povo da Escócia, se tiver a escolha da independência em um referendo, aceitará essa escolha, porque todas as informações que vemos diante de nós sobre as tendências nas pesquisas de opinião indicam que essa é a preferência do povo escocês”, afirmou.Já O’Neill disse que os comentários de Donald Trump em apoio à unidade irlandesa mostram que o debate está “muito vivo”. “Acho que isso nos mostra onde estamos, em que ponto de vista está o pensamento sobre qual é o grande prêmio aqui para o nosso povo, e o grande prêmio aqui é a unificação. (…) É um novo começo em uma nova Irlanda”, disse ela.O grupo, que se reuniu na condição líderes partidários – e não como autoridades em seus respectivos governos, declarou que existe um caminho melhor que o atual, com suas nações trabalhando juntas como iguais, compartilhando ideias e expertise, e construindo relacionamentos baseados no respeito mútuo e interesses comuns.Após a reunião, Downing Street [a sede do governo do Reino Unido] disse que o primeiro-ministro Andy Burnham acredita fortemente no Reino Unido e está focado em aliviar a crise do custo de vida para famílias em todo o país, em vez de em “debates constitucionais.”Ainda segundo um porta-voz oficial do primeiro-ministro, Burnham “está comprometido em promover mudanças em todas as quatro nações do Reino Unido e acredita fortemente na União”.“O Reino Unido está em seu melhor quando as pessoas se unem em torno de nossos valores compartilhados e da resolução de problemas, em vez da divisão, e o Primeiro-Ministro continuará a aliviar as pressões sobre as finanças familiares e a proporcionar maior segurança econômica, em vez de participar de debates constitucionais ou novos referendos.”A última vez que aconteceu um referendo sobre independência foi em setembro de 2014, na Escócia. Na ocasião, a tese de separação do país foi derrotada (45% votaram sim e 55% votaram não).The post Líderes de Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales querem independência appeared first on InfoMoney.
