A chegada da Linha 6-Laranja do metrô aos bairros de Perdizes, Pompeia e Água Branca produziu um resultado visível no mercado imobiliário, com uma valorização na casa dos 30% nos arredores das novas estações. Mas isso é tudo? O preço do metro quadrado na região vai ficar ainda mais caro ou o “efeito metrô” já está precificado?“Se você for tirar uma foto do que está acontecendo, sim, chegamos num valor máximo, mas a avaliação é foto e não filme. O mais correto é dizer que a região vive hoje um ‘platô de preço’, e não um teto definitivo de valorização”, explica André Araújo, CEO da Real Price. Para entender os efeitos da Linha Laranja no mercado imobiliário residencial, a Real Price elaborou o estudo “O valor da proximidade”, que foi compartilhado com o exclusividade com o InfoMoney. O levantamento analisou 1,36 milhão de transações imobiliárias registradas na cidade de São Paulo entre 2006 e 2026. Segundo ele, apartamentos localizados até 500 metros de uma estação da Linha 6 já apresentam um prêmio médio de 10,8% em relação a imóveis equivalentes situados a mais de 1,5 quilômetro do corredor. À medida que a distância até uma estação nova aumenta, a valorização diminui, caindo para cerca de 6,7% nos anéis seguintes.As comparações presentes na pesquisa sempre trazem dados da Linha 4- Amarela, que está madura há 15 anos e é referência de um corredor consolidado no seu teto. Prêmio de preço/m² por anel de distância — apartamentos (Fonte: Real Price)Segundo a Real Price, o mercado imobiliário começou a reagir à Linha 6-Laranja muito antes da inauguração das estações. O elemento que reforça a tese de antecipação é a estabilidade do prêmio ao longo do tempo, sem aceleração significativa às vésperas da inauguração. Na prática, a indicação é que boa parte dos ganhos relacionados à chegada do metrô foi capturada ao longo dos anos de obra.Prêmio do anel 0–500m de uma nova estação, ano a ano, em apartamentos (Fonte: Real Price)O trecho mais consolidado da Linha 6- LaranjaEntre as seis estações inauguradas neste mês, os maiores avanços ocorreram justamente no trecho mais consolidado da linha. Entre os triênios de 2019 a 2021 e 2024 a 2026 o valor médio do metro quadrado negociado subiu 31% nos imóveis localizados a até 1 km da estação Perdizes; 28% na região da estação Sesc Pompeia e 25% nos arredores da futura estação Água Branca. Leia tambémSetor de construção da B3 não alcança expectativas do Safra no 2T26; entendaRestrições no crédito da Caixa e retração no segmento popular desaceleraram vendas e elevaram os estoques das incorporadoras no períodoO estilo de vida “Perdizes”Embora a Linha 6 tenha sido um fator relevante, ela não explica sozinha a forte valorização observada em Perdizes. Para Araújo, o bairro vem passando por uma mudança estrutural que ampliou sua atratividade tanto para moradores quanto para investidores. “O bairro ficou mais na moda entre o público jovem e principalmente entre investidores buscando Airbnb”, disse.Segundo o executivo, a região se consolidou como um ecossistema que combina moradia, gastronomia, entretenimento e turismo urbano, impulsionado por equipamentos como a arena multiuso do Palmeiras – hoje Nubank Parque –, o Shopping Bourbon e o Sesc Pompeia.A nova estação de metrô reforça esse movimento, porque facilita o acesso dos visitantes e aumenta a sensação de mobilidade. “O mais importante de tudo isso não é o que é, mas a sensação que dá estar lá“, afirmou.Entre os triênios de 2019 a 2021 e de 2024 a 2026 o preço do metro quadrado transacionado em apartamentos nos arredores da estação Perdizes, localizada na confluência entre a Av. Sumaré e as ruas Apinajés e Apiacás, subiu de R$ 5.089 para R$ 6.675, segundo dados de ITBI, que é o imposto pago em toda compra e venda de imóvel. A variação foi de 31% no intervalo.Já comparando valores anunciados na plataforma FipeZap, o metro quadrado foi de R$ 8 mil para R$ 10 mil, uma variação de 25%. Vale explicar que a diferença de valores entre o que é anunciado e, de fato, transacionado tem dois motivos. O primeiro: o preço pedido é sempre maior que o preço fechado em uma venda, ou seja, o anúncio embute a margem de negociação; o segundo: o ITBI é calculado sobre a área construída do IPTU (que inclui garagem e áreas comuns), enquanto o anúncio usa a área útil, que geralmente é menor, o que eleva o preço do metro quadrado. Por isso o comparável entre as fontes é o diferencial de valorização, não o nível absoluto. Leia mais: Selic caiu: agora é a hora de fazer um financiamento imobiliário?Água Branca em transformaçãoSe Perdizes parece estar entre os mercados mais maduros do corredor, a região da estação Água Branca, na Avenida Santa Marina, apresenta características diferentes.A região não está sendo beneficiada apenas pela chegada da Linha 6, mas também por um amplo processo de transformação urbana que vem convertendo antigas áreas industriais em novos empreendimentos residenciais e comerciais.O próprio estudo alerta que não é possível atribuir toda a valorização do corredor exclusivamente ao metrô, especialmente em áreas como Água Branca e Barra Funda, que passam por mudanças urbanísticas paralelas.Por isso, especialistas do setor tendem a enxergar Água Branca como um caso mais complexo. Embora parte relevante da valorização ligada ao transporte já tenha acontecido, o bairro ainda pode se beneficiar de novos ciclos de desenvolvimento imobiliário.Entre os triênios de 2019 a 2021 e de 2024 a 2026 o preço do metro quadrado transacionado em apartamentos nos arredores da estação Água Branca subiu de R$ 5.069 para R$ 6.316, segundo dados de ITBI, que é o imposto pago em toda compra e venda de imóvel. A variação foi de 25% no intervalo.Já comparando valores anunciados na plataforma FipeZap, o metro quadrado foi de R$ 8.800 para R$ 11.040 mil, aumento de 25% também. E a Pompeia?A região atendida pela estação Sesc Pompeia, no cruzamento entre a Av. Pompeia e a Rua Venâncio Aires, ocupa uma posição intermediária. O bairro já possuía forte demanda residencial, ampla oferta de serviços e uma localização consolidada antes da chegada da Linha 6. Ao mesmo tempo, ganhou uma melhoria importante em termos de mobilidade urbana.O resultado foi uma valorização de 28% no período analisado, segunda maior entre as seis estações inauguradas. Entre os triênios de 2019 a 2021 e de 2024 a 2026 o preço do metro quadrado transacionado em apartamentos nos arredores da estação SESC Pompeia subiu de R$ 5.141 para R$ 6.562, segundo dados de ITBI. Já na comparação de anúncios, o preço do metro quadrado foi de R$ 8.400 para R$ 10.548, alta de 26%. Para analistas do mercado, a Pompeia parece ter absorvido grande parte dos benefícios diretos associados ao metrô, mas ainda sem atingir o nível de maturidade observado em regiões mais antigas e consolidadas da cidade.Leia mais: Metro quadrado dos imóveis novos no Rio dispara quase 70% em um ano; por quê?O que ainda pode sustentar novas altasEmbora considere que o impacto imediato da Linha 6 já esteja amplamente refletido nos preços de Perdizes, Pompeia e Água Branca, Araújo não crava nenhum fim do ciclo de valorização. O argumento é a história da Linha 4-Amarela. O estudo relembra que, enquanto a Linha 6 apresenta atualmente um prêmio de proximidade de 10,8%, a Linha 4 registra um diferencial de 24,9% para imóveis localizados próximos às estações. A diferença sugere que corredores de transporte costumam ganhar valor não apenas durante a construção, mas também ao longo dos anos de operação, à medida que a infraestrutura se consolida, novos negócios chegam à região e a demanda aumenta.A Linha 6, ao que tudo indica, já entrou no preço dos imóveis de Perdizes, Pompeia e Água Branca quando a análise olha para o passado. Contudo, é impossível precificar a evolução futura desses bairros e a maneira como a nova linha poderá transformar sua dinâmica econômica nos próximos anos.The post Linha 6-Laranha vai deixar Perdizes, Pompeia e Água Branca mais caros? Entenda appeared first on InfoMoney.
