Lula pode estar tentando tirar votos da urna — e não levá-los para o PT

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A ofensiva de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra Flávio Bolsonaro (PL) pode ter um objetivo que vai além de tentar conquistar votos do adversário. A estratégia passa em fazer com que parte dos eleitores que rejeitam os dois candidatos desista de escolher um deles.A avaliação é de Leonardo Barreto, doutor em Ciência Política e sócio da consultoria Think Policy. Para ele, a estratégia ganha importância em uma eleição apertada porque Lula teria pouco espaço para conquistar eleitores que hoje estão nas demais candidaturas de direita.“De repente você começa a bater no Flávio, não para conquistar votos para o próprio PT, mas para pelo menos tirar essas pessoas do processo eleitoral”, afirmou Barreto no Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, desta sexta-feira (18).A lógica passa pelo cálculo dos votos válidos. Se um eleitor que rejeita Lula, mas também não gosta de Flávio, decide votar branco, nulo ou não comparecer, ele deixa de integrar a base usada para calcular a maioria necessária para vencer a eleição. Nesse cenário, Lula não precisaria necessariamente conquistar esse voto. Bastaria impedir que ele acabasse no candidato do PL.Lula pode estar perto do tetoBarreto relaciona essa estratégia à dificuldade do presidente de ampliar sua intenção de voto de forma significativa. Na AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta quinta-feira (17), Lula aparece com 44% das intenções de voto no primeiro turno, contra 41% de Flávio. No fim de agosto, eram 43% e 33%, respectivamente.Enquanto Lula oscilou um ponto, Flávio recuperou oito e voltou ao patamar anterior às crises que haviam atingido sua candidatura.Para Barreto, o movimento do senador ocorreu principalmente pela consolidação de um eleitorado contrário ao atual governo.“Ele voltou ao patamar que ele tinha antes do Dark Horse, naquela pesquisa onde ele atingiu o ápice dele antes de passar por Dark Horse e pelo caso Michelle”, afirmou.Quem leva vantagem nos Estados? Quaest mostra cenário melhor para aliados de FlávioSegundo o cientista político, o voto recuperado por Flávio é “muito mais antigoverno do que pró-Flávio”. É justamente essa característica que torna mais difícil para Lula conquistar diretamente os eleitores que ainda estão com outros candidatos de direita.“O presidente Lula está aqui um pouco no teto, ele não consegue mais obter eleitores novos de uma maneira relevante”, disse Barreto.Branco, nulo ou abstenção entram na contaA alternativa, portanto, seria elevar a rejeição a Flávio a ponto de parte desse eleitorado preferir não escolher nenhum dos dois.Barreto avalia que o voto de Lula está mais consolidado e, por isso, seria menos vulnerável à estratégia negativa do adversário. Já entre eleitores que votariam em Flávio apenas para impedir uma vitória petista, haveria maior espaço para desmobilização.“É aquele pessoal que tampa o nariz e digita ali o número do candidato e, de repente, estimula esse cara a sair”, afirmou.Como estava Lula x Bolsonaro a três semanas das urnas em 2022? Veja a diferençaNa avaliação dele, a intensidade dos ataques recentes reforça esse diagnóstico.“Acho que hoje o presidente Lula aposta até em tentar tirar eleitores da urna para poder ter o maior peso relativo da sua votação”, disse.A estratégia não depende apenas da rejeição aos candidatos. O próprio grau de disposição para comparecer às urnas pode ser decisivo em uma eleição com margens estreitas.O Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 6h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.The post Lula pode estar tentando tirar votos da urna — e não levá-los para o PT appeared first on InfoMoney.

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