Lula vai aos EUA pela quinta vez, mas com cenário adverso inédito; relembre histórico

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Recordista de idas à Casa Branca entre presidentes brasileiros, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entrará pela quinta vez na sede do governo dos Estados Unidos, a maior economia do mundo. Nas outras ocasiões, contudo, o petista vivia cenários mais favoráveis tanto na política interna quanto na relação bilateral. Agora, ele tenta usar o encontro com Donald Trump como forma de retomar o bom momento vivido no ano passado, quando ganhou popularidade na esteira da reação ao tarifaço americano.Nos primeiros mandatos, o brasileiro foi recebido quatro vezes em Washington. Três delas se deram com o republicano George Bush, sendo duas para reuniões bilaterais e uma para evento com outros chefes de Estado. Depois, também se sentou ao lado do democrata Barack Obama, que o chamou de “o cara”.Leia tambémLula visita Trump em Washington em busca de evitar novas tarifas comerciais dos EUAOs produtos brasileiros ainda estão sujeitos a uma tarifa adicional de 10%, que expira em julhoA reunião de trabalho com Trump ocorrerá nesta quinta-feira. Na pauta, estão previstos temas como segurança pública, o Pix e minerais críticos, além de tensões internacionais.A viagem a Washington se dá num contexto desfavorável a Lula na política interna. Na semana passada, o Senado rejeitou pela primeira vez em mais de um século o indicado do presidente para o Supremo Tribunal Federal (STF), Jorge Messias. Pesquisas eleitorais e de avaliação de governo também têm registrado resultados negativos para o petista.— A relação bilateral com os Estados Unidos obviamente tem um grande impacto no cenário interno. Então é impossível analisar essa reunião de hoje fora do contexto eleitoral — avalia Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da FGV.Nas outras vezes em que foi à capital americana, Lula vivia conjunturas simpáticas. Tudo começou antes mesmo da posse para o primeiro mandato, iniciado em 2003. Em dezembro do ano anterior, vitorioso nas urnas, o PT atuou em parceria com emissários do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) a fim de fazer com que o presidente eleito fosse recebido por Bush.Bem-sucedido, o movimento não só resultou na visita de Lula à Casa Branca, como serviu para criar uma inesperada boa relação entre o conservador de trajetória política construída no Texas e o ex-metalúrgico que ainda era visto nos EUA como um esquerdista radical. O republicano chegou a dizer a interlocutores que “realmente gostava” do brasileiro, segundo o autor Matias Spektor no livro “18 dias”.Poucos meses depois, já empossado, o petista voltou à capital americana para se reunir com Bush. Ainda naquele mandato, entraria outra vez na residência oficial do presidente daquele país, mas para um evento com outros chefes de Estado. A quarta vez seria no segundo mandato, em 2009, recebido por Barack Obama, quando tinha cerca de 80% de aprovação no Brasil.Fernando Henrique, por sua vez, foi duas vezes à Casa Branca — uma com Bill Clinton e outra com George Bush. Dilma Rousseff também entrou duas vezes no palácio, ambas tendo Obama como anfitrião. Fernando Collor, recebido por George H. W. Bush, e Jair Bolsonaro, por Trump, tiveram uma visita cada.Impacto internoA conversa de hoje, aponta Oliver Stuenkel, serve não apenas para a necessária estabilização da relação comercial e para tratar temas ligados ao combate ao crime organizado, mas também como forma de minar uma eventual interferência americana nas eleições brasileiras.— Do ponto de vista eleitoral, se Lula tiver uma reunião produtiva, pode demonstrar que é uma pessoa muito experiente no âmbito externo e que consegue lidar com todo tipo de líder, mesmo que de orientação diferente — diz. — E também serve para tentar reduzir o risco de uma interferência americana nas eleições. Se olharmos o que Trump fez na Argentina e em Honduras, seria algo até esperado. Mas, se tiver uma boa relação com Lula, é possível que o risco seja menor. The post Lula vai aos EUA pela quinta vez, mas com cenário adverso inédito; relembre histórico appeared first on InfoMoney.

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