Integrantes da cúpula nacional do PP avaliam que são remotas as chances de o partido apoiar a pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e dizem que o presidente do partido, senador Ciro Nogueira (PI), deve comunicar essa posição a Flávio nesta quarta-feira.Após meses de afastamento, Flávio e Ciro deverão se reunir nesta quarta em uma tentativa do pré-candidato do PL de tentar atrair o apoio do PP e também do União Brasil, que forma uma federação com o partido.Leia tambémConvenção do Novo em MG termina sem vice de Simões e com indefinição na direitaPrincipais cotados, Fernanda Altoé e Tiago Mitraud foram anunciados como os responsáveis pela negociação com o PSD daqui para frente, mas decisão final depende de ZemaPT lança campanha para explorar tarifaço dos EUA e reforçar discurso de soberaniaPartido intensifica ofensiva digital para associar medidas de Trump ao bolsonarismo e ampliar defesa da indústria, do Pix e da economia nacionalA reunião com Ciro é tratada por aliados do pré-candidato como a última tentativa de reverter a tendência de neutralidade da federação formada por PP e União Brasil na disputa presidencial. Segundo interlocutores da campanha ouvidos pelo GLOBO, Flávio chega ao encontro disposto a ampliar significativamente as concessões para convencer o partido a embarcar em sua candidatura.Nos bastidores, aliados afirmam que a negociação entrou na fase do “tudo ou nada”. A campanha admite colocar sobre a mesa desde a composição da chapa presidencial até a participação do PP em um eventual governo. Entre as possibilidades discutidas estão a entrega de ministérios de peso, como a Casa Civil e a Economia, além de outras pastas estratégicas, caso Flávio seja eleito. Também não está descartada a revisão de acordos estaduais ainda em negociação para acomodar interesses do partido.Apesar disso, o entendimento de aliados de Ciro Nogueira é que uma aliança com o PL não está nos planos da legenda.O presidente do PP reuniu na noite dessa terça-feira alguns integrantes da Executiva Nacional do partido para debater os cenários das eleições de 2026. Entre os presentes estavam a senadora Tereza Cristina (MS), que recusou ser vice de Flávio, e os deputados Doutor Luizinho (RJ), Eduardo da Fonte (PE) e Ricardo Barros (PR).De acordo com relatos, Luizinho e Eduardo da Fonte discursaram pregando a neutralidade na eleição presidencial. Por outro lado, nenhum dos outros presentes falou a favor de uma aliança com Flávio no encontro.Integrantes do PP dizem que Ciro tem consultado os diretórios estaduais da legenda para saber a posição do partido e o resultado é que há quase uma unanimidade a favor da neutralidade.A avaliação é que se vincular a um projeto presidencial prejudicaria a estratégia considerada prioritária pela legenda, que é eleger o maior número de deputados federais possível.Por isso, o partido pretende deixar cada estado livre construir uma aliança com o projeto presidencial que mais beneficiar a legenda na eleição para deputado.O próprio presidente do partido, que faz oposição ao PT no Piauí e tenta a reeleição como senador, fechou uma aliança com o PL no seu estado. Apesar disso, integrantes da cúpula do PP dizem que o acordo é restrito ao cenário local.Em entrevista coletiva à imprensa do Piauí na terça-feira, Ciro evitou falar sobre a posição nacional do partido.–Nós vamos decidir até a próxima semana – declarouAinda não há uma data marcada para a convenção do PP, que vai formalizar a posição na eleição nacional, mas integrantes da legenda dizem que um anúncio público da decisão do rumo que a sigla vai tomar deve ser feito nos próximos dias, antes do prazo final das convenções, que é no dia 5 de agosto.A relação de proximidade entre Flávio e Daniel Vorcaro, protagonista do escândalo de fraude financeira do banco Master, afastou um apoio dos partidos do Centrão ao pré-candidato do PL.Ciro Nogueira, que já foi alvo de operação da Polícia Federal que investigou o uso de seu mandato para beneficiar Vorcaro, é um dos principais responsáveis pelo afastamento.O presidente do PP tem negado irregularidades e se queixou a aliados da forma como Flávio tratou o episódio da operação da PF, adotando distanciamento político.Apesar do cenário desfavorável, dirigentes do PL afirmam que ainda enxergam espaço para negociação.A estratégia é convencer Ciro de que uma aliança nacional pode ser mais vantajosa politicamente do que a neutralidade e que eventuais divergências nos estados podem ser solucionadas por meio de novos acordos entre as legendas.Ainda que a reunião termine sem um entendimento, a expectativa é que o diálogo seja mantido nos próximos dias.The post Maioria do PP quer neutralidade e Ciro Nogueira deve recusar aliança com Flávio appeared first on InfoMoney.
