A entrada de Pablo Marçal na corrida presidencial pode aumentar o ruído da campanha e produzir novos confrontos dentro da direita, mas não deve, ao menos nesse momento, ameaçar a polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A avaliação foi feita pelo head de análise política da XP, Paulo Gama, durante o Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, desta sexta-feira (21). O analista destacou que o agora candidato à Presidência pelo PRTB chega à disputa com ativos que poucos candidatos possuem: milhões de seguidores nas redes sociais, capacidade de gerar engajamento e a experiência de uma campanha em que conseguiu ganhar espaço rapidamente na eleição para a Prefeitura de São Paulo, em 2024. Quando serão os debates presidenciais de 2026? Veja o calendário completo“Acho que ele dá uma mistura ali, de fato, no cenário. Mas, compartilhando aqui o que a gente tem olhado desde o início do processo eleitoral, não parece que esse voto de oposição esteja muito disponível ali para fugir da candidatura do Flávio”, afirmou Gama. A diferença em relação a 2024 está justamente no espaço disponível para Marçal crescer entre o eleitorado que se posiciona à direita. Na eleição municipal de São Paulo, o então candidato conseguiu disputar diretamente o eleitorado bolsonarista com Ricardo Nunes (MDB), que buscava a reeleição e tinha o apoio de Jair Bolsonaro mas não pertencia organicamente ao grupo político do ex-presidente. Agora, o cenário é diferente. Flávio não apenas carrega o sobrenome de Bolsonaro como foi escolhido pelo próprio pai para representar o grupo na corrida presidencial. Para Gama, essa característica dificulta a estratégia de um adversário que tente se apresentar como mais fiel à direita ou mais antissistema do que o candidato do PL. “O fato do Bolsonaro ter decidido pelo filho como candidato me pareceu justamente, não uma vacina porque ele sabia que o Marçal estaria ali, mas uma vacina que pudesse aparecer alguém que combatesse o bolsonarismo pela direita, pela linha antissistema, um pouco do que o Renan Santos tem feito agora”, afirmou.Leia tambémRaquel Lyra exalta parceria com Lula, mas evita declarar voto para presidenteCandidata à reeleição no estado tem evitado declarar voto após o PSD lançar candidatura própria à Presidência da RepúblicaFlávio inclui Marçal em aliança da direita para vencer “guerra contra o PT” nas urnasFlávio destacou que disputa em outubro não se resumirá em um embate entre Lula e Bolsonaro, mas sim em uma eleição do “PT contra o Brasil”Na avaliação do analista, isso Não significa que Marçal seja irrelevante para a campanha. Seu alcance digital e o estilo de confronto podem interferir em debates, obrigar adversários a responder a ataques e disputar a atenção nas redes sociais. O efeito, porém, seria diferente de uma transferência expressiva de votos. “Ele poderia bagunçar um pouquinho desse cenário, mas não parece ali que vai ser ou que seria a ponto de ameaçar o que a gente tem visto como uma polarização razoavelmente consolidada entre o presidente Lula e a principal candidatura de oposição, que se coloca hoje, que é a candidatura do Flávio Bolsonaro”, disse Gama.De R$ 33 mil a R$ 242 milhões: veja os bens declarados pelos presidenciáveisO advogado Gustavo Bonini Guedes, especialista em direito eleitoral, também vê pouco espaço para Marçal reproduzir nacionalmente a estratégia utilizada em São Paulo. Para ele, o eleitorado que o empresário conseguiu capturar em 2024 encontra hoje uma representação mais direta na própria candidatura de Flávio. “Ele sequestrou ali, trouxe pautas da direita que o Nunes não conseguia representar. O Nunes veio no meio, porque sabia até que eventualmente no segundo turno precisaria desses votos. Então, acho que esse risco para esse ano, pelo sobrenome, pelas pautas e por tudo, eu acho que a gente não teria. Para mim, do ponto de vista de voto, o impacto seria muito pequeno”, afirmou Guedes.Por que Pablo Marçal conseguiu registrar candidatura mesmo inelegívelO especialista avalia, inclusive, que Renan Santos, candidato à Presidência pelo recém-criado Missão, tem hoje um maior potencial para disputar uma parcela desse eleitorado com Flávio. “O Renan Santos, para mim, capta muito mais isso do que o Marçal captaria”, disse. A participação de Marçal na eleição, no entanto, ainda depende da Justiça Eleitoral. Segundo Guedes, embora o registro mantenha formalmente seu nome na disputa neste momento, a viabilidade da candidatura ainda será analisada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).The post Marçal pode “bagunçar” eleição, mas não ameaça Lula x Flávio, diz analista appeared first on InfoMoney.
