MBRF, JBS: qual o impacto da doença de Newcastle para as ações das empresas da Bolsa?

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Um foco da Doença de Newcastle no Brasil provavelmente não causará danos duradouros ao setor avícola do país se as autoridades conseguirem contê-lo rapidamente, afirmaram analistas, embora a incerteza em relação às restrições comerciais, especialmente por parte da China, continue sendo um risco importante para os exportadores.O Brasil, maior exportador mundial de carne de frango, confirmou na segunda-feira um caso da doença em uma granja comercial em Santa Catarina, o que levou à adoção de medidas de contenção e gerou preocupações quanto aos fluxos comerciais de aves.O México, sétimo maior comprador de aves do Brasil no ano passado, suspendeu rapidamente as importações, enquanto a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que o Brasil imporia um autoembargo às remessas para a China, enquanto se aguarda uma decisão das autoridades chinesas sobre se as restrições se aplicariam a todo o país ou apenas à área afetada.As ações da MBRF (MBRF3), uma das principais processadoras de aves, caíram mais de 4% na segunda-feira, enquanto as da JBS (BDR: JBSS32), empresa do mesmo setor listada nos Estados Unidos, recuaram 1%.O Brasil registrou o último foco de Doença de Newcastle em julho de 2024, no Rio Grande do Sul, vizinho a Santa Catarina.As exportações de frango caíram cerca de 25%, ou 100 mil toneladas métricas, durante o mês afetado pelas restrições naquele ano, segundo estimativas de analistas do JPMorgan, mas se recuperaram rapidamente com a reabertura dos mercados, sem causar impacto significativo nos lucros da MBRF e da JBS.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa sobe e ronda os 208 mil pontos com eleições em focoBolsas dos EUA operam mistas em meio à retomada da onda de vendas de ações de empresas de IAQual o impacto nas exportações de frango nos últimos casos de doenças em aves?Nos dois últimos anos, mesmo com o registro de Doença de Newcastle (2024) e gripe aviária (2025), as exportações caíram nos primeiros meses dos focos, mas fecharam em alta no agregado anualA China foi a origem mais significativa de interrupção comercial, pois manteve um embargo ao Estado até janeiro de 2026, observaram eles. Mas outros destinos importantes, como México, União Europeia, Arábia Saudita e Japão, ou flexibilizaram as restrições rapidamente ou implementaram uma resposta localizada.“Desta vez, a menos que haja um evento generalizado (o que é incomum para essa doença), acreditamos que o impacto possa ser ainda menor, já que vários países alteraram seu protocolo de restrições para um raio de ação”, afirmou o JPMorgan.Analistas do Santander também apontaram a China — que atualmente responde por cerca de 10% das exportações brasileiras de frango — como a principal incerteza, acrescentando que a MBRF está mais exposta a possíveis interrupções do que a JBS, com maior diversificação geográfica.Eles estimaram que as restrições comerciais poderiam afetar cerca de 15% da produção brasileira de frango sob os protocolos de exportação atuais.Restrições prolongadas poderiam forçar os exportadores a redirecionar as remessas para mercados alternativos ou para o mercado interno, o que poderia pesar sobre os preços e as margens, afirmou o Santander.“Em suma, estamos monitorando o alcance e a duração das restrições comerciais. A falta de visibilidade sobre a duração da suspensão chinesa é o principal risco”, acrescentaram.Os analistas do Bradesco BBI avaliam que o risco é predominantemente comercial e de curto prazo, e não sanitário, pois o impacto dependerá da abrangência e da duração das restrições impostas pelos países importadores. Caso os bloqueios não sejam retirados rapidamente, o aumento da oferta no mercado doméstico pode pressionar os preços do frango e as margens no final de 2026 e no início de 2027, especialmente diante da recente aceleração do alojamento de pintos. A MBRF, avalia o BBI, é a companhia mais exposta, uma vez que a BRF representa cerca de 78% do Ebitda estimado do grupo para 2026, ante aproximadamente 27% da Seara no Ebitda da JBS.O BBI, embora avalie que a JBS também possa sofrer pressão em sua operação avícola brasileira, aponta que a melhora dos fundamentos nos mercados de carne bovina e de frango nos Estados Unidos pode compensar parcialmente esse efeito. Por isso, mantém preferência pela JBS, nossa principal recomendação entre os players de proteínas.(com Reuters)The post MBRF, JBS: qual o impacto da doença de Newcastle para as ações das empresas da Bolsa? appeared first on InfoMoney.

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