Médicos mudam tratamento do diabetes e passam a combater obesidade junto com a doença

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A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) atualizou as diretrizes de tratamento clínico de diabetes no Brasil. A mudança principal nas decisões é que, agora, pacientes com diabetes tipo 2, o mais comum entre os diagnosticados, terão de tratar a obesidade conjuntamente. Assim evita o agravamento do diabetes em quem já tem a doença e evita o surgimento da outra em pessoas com condições favoráveis, como os pré-diabéticos. Até então, o tratamento da obesidade era opcional e os médicos não eram obrigados a olhar para ela durante o tratamento de diabetes.— Nós saímos do foco de apenas controlar glicose para também olhar para o controle do peso e o risco cardiorenal. Os hábitos de estilo de vida saudável continuam firmes, mas também vamos indicar medicamentos que possam ajudar aquele paciente a tratar a obesidade e o diabetes, além prevenir as complicações cardiorrenais como o infarto agudo do miocárdio, a insuficiência cardíaca e a doença renal do diabetes — explicou Marcello Bertoluci, coordenador de Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes.Entre os medicamentos que podem ser utilizados estão os agonistas do GLP-1, como o Ozempic, Wegovy e Mounjaro.O diabetes é uma condição crônica em que o indivíduo não produz ou não absorve adequadamente o hormônio insulina, responsável por retirar o açúcar (glicose) do sangue. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença afeta 14% da população adulta global, cerca de 828 milhões de pessoas. No Brasil, o percentual de 12,9% equivale a cerca de 19,9 milhões de indivíduos, com base nos números do Censo Demográfico de 2022, do IBGE.Os tipos mais comuns de diabetes são o 1 e o 2. No primeiro, o indivíduo tem uma doença autoimune que leva o próprio corpo a atacar as células beta do pâncreas, que produzem a insulina. Por isso, o paciente fica dependente de aplicações do hormônio. Já o tipo 2, que responde por cerca de 90% dos casos, é causado por hábitos de vida. Nesse caso, fatores como excesso de peso e má alimentação sobrecarregam as células produtoras de insulina, o que afeta a produção ou absorção do hormônio.Leia tambémSemaglutida genérica: quando chega, preço, indicação e mais detalhesMedicamento tem como referência o Ozivy, primeira caneta de semaglutida sintética de fabricação nacional, lançada em junhoA pesquisa Vigitel, divulgada pelo Ministério da Saúde no início deste ano, mostra que 12,9% dos adultos brasileiros têm um diagnóstico de diabetes. O número, referente a 2024, revela um aumento de 134,5% em relação à primeira edição do levantamento, feita quase 20 anos antes, em 2006. Na época, a prevalência da doença era de 5,5%.GestantesOutra mudança nas diretrizes apresentada pela sociedade é a recomendação de anticoncepcional para mulheres com a hemoglobina glicada acima de 9. Segundo Lenita Zajdenverg, coordenadora do Departamento de Diabetes Gestacional da SBD, um em cada seis nascidos vivos são filhos de mães com hiperglicemia na gravidez, o que eleva o risco de malformações fetais.— É claro que a decisão de ter um filho é da mulher, mas aquelas que tiverem uma hemoglobina glicada acima de nove e que está na possibilidade de engravidar, deve ser aconselhada a não engravidar pelo aumento significativo do risco de malformações e outras complicações gestacionais — afirmou Zajdenverg.Nestes casos, é preferível postergar a gestação até que o nível esteja abaixo de 6. Outra mudança é em relação a mulheres com diabetes tipo 1 ainda não grávidas que estejam com dificuldades de manter o controle glicêmico, a indicação é de uso de sistemas automatizados de infusão de insulina.— Temos evidências de que o uso de sistemas automatizados pré-gestacional melhora o desfecho da gestação por melhorar o controle glicêmico — afirmou a médica.Zajdenverg também disse que as mulheres com diabetes tipo 2 e que usam medicamentos agonistas GLP-1 precisam trocar de medicação antes da gestação para outros mais seguros.— Existem estudos observacionais que mostram que o uso do agonista no primeiro trimestre da gravidez não aumentou risco de malformações, entretanto são medicamentos que ainda não estão autorizados para uso na gestação e devem ser substituídos por medicamentos seguros que no caso, na gravidez, é a insulina — disse.The post Médicos mudam tratamento do diabetes e passam a combater obesidade junto com a doença appeared first on InfoMoney.

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