O Comitê Executivo de Gestão (Gecex) divulgou na última quarta-feira (28) as decisões de sua 233ª reunião ordinária. Entre elas, o comitê aprovou aplicar uma taxa antidumping definitiva sobre as importações de aço pré pintado da China e da Índia, por um período de até cinco anos.Embora a margem antidumping final ainda não tenha sido divulgada —o que deve ocorrer nos próximos dias —, o relatório técnico preliminar anterior apontou margens antidumping de 21,7% (ou US$ 210,85/tonelada) para as importações da Índia e de 31,9% a 46,9% (ou US$ 252,53 a US$ 329,87/tonelada) para os produtos chineses. O comitê também aprovou o aumento das tarifas de importação de 10,8% (12,6% em alguns casos) para 25% sobre determinados produtos siderúrgicos, incluindo alguns laminados a quente, chapas para embalagens, chapas e bobinas de aço inoxidável e silício, além de fio máquina.O Bradesco BBI aponta que esta é uma notícia positiva para as siderúrgicas. Com relação aos aumentos tarifários, as importações dos produtos afetados totalizaram 623 mil toneladas em 2025, representando aproximadamente 10% do total das importações de aço. “Embora as medidas abranjam uma ampla gama de produtos —em sua maioria provenientes da China —, é razoável esperar que uma tarifa de 25% aproxime os preços domésticos do aço da paridade com o material importado (dos atuais 21% para cerca de 8%). Em última análise, isso tende a tornar as importações desses itens economicamente inviáveis e a dar suporte aos preços domésticos”, avalia. Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa amplia rali e chega aos 186 mil pontos, novo recordeÍndices futuros dos EUA têm leves ganhos Dólar hoje cai com repercussão do Copom e falas de Haddad em focoHaddad diz que deixará o governo em fevereiroNo que diz respeito às medidas antidumping, entre as siderúrgicas sob sua cobertura, apenas a CSN (CSNA3) possui exposição ao aço pré pintado (cerca de 10% das vendas).Ainda assim, avalia o BBI, a decisão aumenta a probabilidade de aplicação de medidas para produtos CRC (fevereiro), galvanizados (março) e HRC (novembro).O banco projeta impacto limitado nos preços domésticos caso essas medidas sejam implementadas. Para CRC e HRC, os volumes de importação visados nas petições já são bastante baixos; no caso da HRC, a participação da China nas importações caiu significativamente nos últimos meses. O efeito mais material tende a ser observado nos produtos galvanizados, segmento em que cerca de 30% da demanda doméstica é suprida por importações —quase integralmente originadas da China. A estimativa é que uma variação de 1% nos preços domésticos equivale a aproximadamente 9% do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) da Usiminas (USIM5), 2% da Gerdau (GGBR4) e 1% da CSN.“Assim, embora reconheçamos que os anúncios são positivos para o setor siderúrgico, mantemos uma postura mais cautelosa. A penetração das importações já vem diminuindo nos últimos meses —em parte porque os volumes chineses foram reduzidos ou redirecionados para outros mercados —, o que limita o impacto potencial das medidas anunciadas”, aponta. Além disso, conclui o banco, a dinâmica de demanda mais fraca, combinada com níveis elevados de estoques, deve restringir o espaço para uma recuperação mais expressiva dos preços no curto prazo.O Morgan Stanley também olha para os próximos eventos, ressaltando que próxima reunião ordinária da Gecex está agendada para 12 de fevereiro de 2026. O banco americano vê que a possibilidade de que o comitê inclua na pauta da sessão as investigações antidumping sobre: 1) bobinas ou chapas laminadas a frio (decisão final prevista para 19 de fevereiro de 2026); e 2) produtos laminados planos revestidos (decisão final prevista para 2 de março de 2026).Os produtos de aço pré-pintados sujeitos às novas tarifas representam aproximadamente 5% do total das importações de aço do Brasil. Entre as empresas que acompanha, apenas a CSN está exposta a esses produtos, avalia o Morgan. “Esperamos que o mercado reaja positivamente, visto que a decisão melhora o sentimento do mercado e elimina a incerteza causada pela percepção de inação do governo no apoio às siderúrgicas nacionais. Dito isso, permanecemos céticos quanto à eficácia a longo prazo das medidas corretivas, dada a prevalência histórica de práticas de evasão. Portanto, acreditamos que as importações permanecerão elevadas em 2026, embora as ações provavelmente continuem a subir no curto prazo, reagindo favoravelmente à decisão do governo”, avalia o Morgan. O Itaú BBA avalia que, com o avanço das medidas de defesa comercial, a perspectiva para a indústria siderúrgica brasileira torna-se mais construtiva, com a Usiminas e a CSN destacando-se como principais beneficiárias.The post Medidas antidumping são aprovadas e beneficiam siderúrgicas – o que vem a seguir? appeared first on InfoMoney.
