Mega IPOS nos EUA vão espantar gringos da B3 ou trazer mais fluxo para o Brasil?

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A oferta pública inicial (IPO) da SpaceX, nesta sexta-feira (12), culmina as ambições de longa data de Elon Musk no espaço e na tecnologia, e já deve, desde já, reescrever o manual de IPOs de Wall Street e atrair legiões de investidores de varejo para o mercado.Com US$ 75 bilhões levantados, os recursos arrecadados com a operação foram mais do que o dobro dos obtidos na oferta pública inicial recorde da petrolífera Saudi Aramco em 2019.Leia tambémElon Musk virou trilionário. Mas isso faz dele o mais rico da história?Fortuna de dono da Tesla e da SpaceX deve ultrapassar US$ 1 trilhão, mas a comparação com figuras como Mansa Musa, Jakob Fugger e Rockefeller passa por participação na economia, poder político e contexto históricoO valor da empresa pode subir ainda mais caso direitos de venda de ações adicionais sejam exercidos, uma decisão normalmente tomada dentro de 30 dias após a oferta.Embora a SpaceX possa ter que esperar para entrar no S&P 500, sua esperada inclusão acelerada no Nasdaq 100 logo a tornará uma participação importante para fundos passivos e ETFs que acompanham o índice, criando uma nova fonte de demanda por suas ações.Com o efeito entusiasmado para investidores que o IPO trouxe tanto lá fora quando no Brasil, onde o BDR da SpaceX também apresenta forte alta, fica a pergunta: qual poderá ser o efeito para a bolsa brasileira?Leia mais: BDRs da SpaceX disparam quase 25% em estreia na B3Indigestão temporáriaSegundo relatório do Bradesco BBI publicado na semana passada, a nova onda de mega IPOs de empresas de tecnologia — como SpaceX, OpenAI e Anthropic — pode representar um divisor de águas para o fluxo global de capitais. Como explicam os analistas, o tamanho dessas companhias, com valor de mercado potencial na casa dos trilhões de dólares, tende a reconfigurar a alocação de investimentos em escala global, especialmente no curto prazo, ao concentrar a atenção e os recursos nos Estados Unidos.De acordo com o BBI, esse movimento pode gerar uma espécie de “indigestão” temporária nos mercados. A entrada simultânea de companhias gigantes tende a drenar liquidez de outras geografias e classes de ativos, reduzindo momentaneamente o apetite por mercados emergentes, incluindo o Brasil. Esse efeito ocorre tanto por questões de escala quanto pela necessidade de rebalanceamento de portfólios globais.Um fator central apontado no relatório é a adaptação dos índices globais a essa nova realidade. Provedores como MSCI, Nasdaq e Russell têm criado mecanismos de “entrada rápida”, permitindo que empresas com grande capitalização sejam incluídas quase imediatamente após o IPO. Essa mudança reflete a incapacidade das regras tradicionais de acomodar companhias que já nascem com tamanha relevância.Para o JPMorgan, a piora atual já presente no fluxo reflete uma combinação de fatores externos e domésticos. No cenário global, o fim da fraqueza do dólar e a alta dos rendimentos dos Treasuries reduziram o apetite por ativos de risco.Ao mesmo tempo, o retorno da chamada “trade de IA e tecnologia” voltou a concentrar recursos em mercados mais expostos ao setor, como Estados Unidos, Coreia do Sul e Taiwan, em detrimento de bolsas ligadas a commodities e mais dependentes do ciclo externo, como a brasileira. Isso poderia acontecer com mais força em hipótese de maiores ofertas de IA. Sete Magníficas e o free floatApesar disso, o relatório ressalta uma diferença importante em relação às chamadas “Sete Magníficas”. Enquanto essas empresas possuem elevado nível de free float — acima de 90% —, os novos IPOs devem estrear com uma parcela muito menor de ações disponíveis no mercado, próxima de 5%. Para o Bradesco BBI, essa característica tende a suavizar o impacto imediato sobre os índices, limitando a elevação do peso dos Estados Unidos no curto prazo.Mesmo com esse amortecimento técnico, o Bradesco BBI avalia que o impacto estrutural será significativo. Com o mercado americano se tornando ainda mais concentrado em tecnologia e negociando a múltiplos elevados, cresce a probabilidade de uma redistribuição de fluxos no médio prazo. Isso porque investidores globais tendem a buscar diversificação diante de valuations mais esticados.Nesse contexto, os mercados emergentes aparecem como um candidato natural a captar parte desse capital. A casa destaca que esses mercados negociam atualmente com desconto relevante — cerca de 43% em termos de preço/lucro em relação aos Estados Unidos. Esse diferencial, acima da média histórica, reforça a atratividade relativa de regiões como a América Latina.O relatório também aponta quatro vetores que favorecem essa dinâmica, incluindo a menor penetração de investimentos passivos, valuations mais baixos em tecnologia, o papel de hedge via commodities e o potencial de captura de investimentos em infraestrutura ligados à inteligência artificial. Essas características posicionariam países como o Brasil como beneficiários indiretos do ciclo de expansão da IA.Por fim, embora haja comparações com a bolha da internet dos anos 2000, o BBI adota uma visão mais construtiva. Os analistas argumentam que os fundamentos atuais são mais sólidos, sustentados por ganhos reais de produtividade e novas fontes de receita associadas à inteligência artificial. Assim, o cenário atual é visto mais próximo do chamado “ciclo robusto de crescimento” do que como uma bolha especulativa clássica.The post Mega IPOS nos EUA vão espantar gringos da B3 ou trazer mais fluxo para o Brasil? appeared first on InfoMoney.

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