Depois da forte reprecificação dos ativos brasileiros após o primeiro turno das eleições, o Morgan Stanley avalia que uma eventual continuação da queda dos juros pode ter efeito muito mais relevante sobre os lucros das empresas domésticas do que o mercado parece estar precificando atualmente. Cabe ressaltar que os estrategistas do banco elevaram exposição em Brasil para compra nesta última semana. Segundo o banco, a forte alta recente da Bolsa foi impulsionada principalmente pela expansão de múltiplos, e não por revisões de lucros. Entre 2 e 7 de outubro, o Ibovespa avançou 6,3%, enquanto as expectativas para a Selic no fim de 2027 embutidas pelo mercado caíram cerca de 190 pontos-base. Ao mesmo tempo, as projeções de resultados corporativos permaneceram praticamente inalteradas.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa sobe e renova máxima, aos 209,7 milBolsas dos EUA sobem com otimismo com IA e queda no petróleoA avaliação do Morgan é que existe uma assimetria importante nesse cenário, já que empresas domésticas e mais alavancadas tendem a receber um impulso duplo: de um lado, a redução do custo de capital; de outro, o impacto direto da queda das despesas financeiras sobre os resultados.Small caps podem se beneficiar maisO estudo mostra que as empresas domésticas fora do setor financeiro presentes no índice de small caps apresentam sensibilidade significativamente maior aos juros do que as companhias do Ibovespa.Pelos cálculos do banco, uma queda de 100 pontos-base na Selic elevaria em média os lucros de 2028 em 9,3% entre as small caps domésticas, contra 4,3% entre as empresas equivalentes do Ibovespa.A diferença ocorre porque o universo de small caps é mais exposto à economia doméstica e carrega grau maior de alavancagem financeira.Segundo o Morgan Stanley, 74% dos lucros das small caps analisadas vêm de empresas domésticas não financeiras, contra apenas 24% no Ibovespa. No índice principal, exportadoras e bancos têm participação muito maior na composição dos resultados.Assaí, Vamos e Equatorial lideram sensibilidade no IbovespaNo universo do Ibovespa, o banco identificou as empresas com maior potencial de crescimento de lucro em caso de novas quedas da Selic.O destaque ficou para Assaí (ASAI3), cuja estimativa aponta para aumento de 27,8% no lucro líquido de 2028 caso os juros caiam mais 100 pontos-base. Em seguida aparecem Vamos (VAMO3), com 24%, e Magazine Luiza (MGLU3), com 20,9%.Também figuram entre os nomes mais sensíveis: Equatorial (EQTL3): +17,3%; Rumo (RAIL3): +15,5%; Yduqs (YDUQ3): +15,4%; Localiza (RENT3): +12,1%; Eneva (ENEV3): +12%; Smart Fit (SMFT3): +10,7% e Energisa (ENGI11): +10,2%.O banco ressalta que sua preferência continua concentrada em companhias com fundamentos sólidos, e destaca especificamente Vamos, Equatorial, Localiza, Smart Fit, Energisa, Hypera (HYPE3), Raia Drogasil (RADL3) e Copel (CPLE3) entre os nomes classificados como overweight.Entre as small caps, os impactos são ainda maioresA assimetria aparece de forma ainda mais intensa entre empresas de menor capitalização.O Morgan Stanley calcula que uma queda de 100 pontos-base na Selic poderia elevar os lucros de 2028 em: Movida (MOVI3): +36,9%; Assaí (ASAI3): +27,8%; Vamos (VAMO3): +24%; Ânima (ANIM3): +21,3%; Magazine Luiza (MGLU3): +20,9%; Smart Fit (SMFT3): +10,7% e Pague Menos (PGMN3): +8,9%.O banco destaca que os efeitos mais fortes surgem justamente em empresas com maior alavancagem financeira, já que a redução da despesa com juros impacta diretamente a linha final do resultado.Fluxo local pode ser o próximo combustívelAlém do efeito dos juros sobre os lucros, o Morgan Stanley vê como potencial catalisador o retorno do investidor brasileiro para a renda variável.Segundo o relatório, a posição dos investidores locais em ações segue próxima dos menores níveis históricos. Fundos de ações representam atualmente cerca de 4% dos ativos da indústria, bem abaixo dos picos observados no passado.Leia tambémJPMorgan: fluxo “gringo” recorde abriu rali na B3 – investidor local é próxima apostaEntrada recorde de R$ 10 bilhões por estrangeiros marcou o pós-primeiro turno, mas JPMorgan vê o investidor local como principal combustível para sustentar uma nova etapa da altaO banco lembra que os investidores estrangeiros foram os principais compradores marginais de ações brasileiras nos últimos anos. Uma eventual migração de recursos domésticos de volta para a Bolsa poderia criar demanda adicional relevante para papéis ligados à economia local.Nesse contexto, o Morgan Stanley destaca como potenciais beneficiários de fluxos locais, em relação à liquidez negociada: Smart Fit (SMFT3); Vibra Energia (VBBR3); BTG Pactual (BPAC11); Equatorial (EQTL3); Energisa (ENGI11); B3 (B3SA3) e Sabesp (SBSP3).O Morgan Stanley continua vendo serviços financeiros e utilities como os melhores setores para capturar uma eventual continuação da queda dos juros, apontando que essas empresas combinam melhora operacional com expansão dos lucros financeiros.A leitura do banco é que o rali observado até agora foi essencialmente uma reprecificação dos ativos. Se os juros continuarem caindo, a próxima etapa poderá vir de um componente diferente: crescimento efetivo dos lucros corporativos, especialmente entre empresas domésticas e small caps mais alavancadas. 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