O mercado entra nesta terça-feira (7) na expectativa sobre o leilão de NTN-B (título indexado ao IPCA) previsto para o dia, após representantes da Fazenda admitiram nos últimos dias que o governo está monitorando o mercado de juros. Depois de dois cancelamentos de ofertas no ano para conter a alta das taxas, as declarações foram lidas como uma propensão a nova intervenção.Segundo o cronograma do Tesouro Nacional, os títulos programados para leilão nesta terça são as NTN-B com vencimento em 2031, 2037 e 2050, que podem ou não ser efetivamente ofertadas. Além disso, há a expectativa sobre a possibilidade de um novo leilão de recompra de papéis, como o que aconteceu em março. Comunicados de cancelamento costumam ser realizados até a véspera, e os editais das ofertas têm sido publicados no mesmo dia.O Tesouro já vem reduzindo a oferta de NTN-B no mercado diante da disparada das taxas. Segundo levantamento da Eytse Estratégia, as emissões de NTN-B somaram apenas R$ 6 bilhões em junho, equivalente a 4% do total colocado pelo Tesouro no mês, a menor participação do ano. O volume ficou muito abaixo da média semanal de R$ 3,7 bilhões registrada em maio e da média de R$ 6,4 bilhões observada ao longo de 2025. No acumulado de 2026, as emissões líquidas do título somam R$ 68,2 bilhões, ou 9% do total emitido no ano. A taxa média das emissões de NTN-B em junho ficou em 8%, patamar que a Eytse classifica como muito elevado em termos históricos e superior às estimativas usuais de juro real neutro. Nesse meio tempo, os investidores também aproveitaram para aumentar as compras em mais de 70%.O cancelamento da oferta de NTN-B que ocorreria em 23 de junho contribuiu para aliviar temporariamente os prêmios, ao sinalizar que o Tesouro não pretende validar qualquer patamar de taxa, sinaliza a Eytse. Naquela ocasião, o órgão cancelou os leilões tradicionais de NTN-B e de prefixados previstos para a semana, mantendo apenas a oferta de LFT, e passou a realizar leilões de compra e venda para dar suporte ao mercado, após forte disparada nos juros futuros provocada pela incerteza sobre o fim do conflito no Oriente Médio.Esse não foi o único precedente do ano. Em março, o Tesouro já havia adotado medida semelhante, cancelando leilões e realizando recompra de R$ 12,1 bilhões em títulos diante de forte alta nos juros futuros. Na ocasião, o órgão recomprou papéis prefixados com vencimento entre 2028 e 2031, atuando como comprador no mercado sem vender nenhum título aos participantes, numa intervenção que ajudou a reduzir a pressão sobre as taxas.Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, descreve o mercado dividido sobre a situação das NTN-B. Uma corrente de análise considera que os títulos já estão no preço correto, e que só se tornarão atrativos quando a inflação recuar de forma mais consistente, com o nível abaixo de 4% apontado como referência para reativar o apetite dos investidores. Outra corrente enxerga uma disfuncionalidade clara no mercado secundário, argumentando que a inflação raramente ficou abaixo de 4% no histórico recente e que seria pouco provável uma normalização espontânea nos preços atuais, o que justificaria o anúncio de uma recompra pelo Tesouro.“De uma forma ou de outra, com a notícia do Ceron sinalizando que o TN está vigilante a situação do mercado e deixando aberta a possibilidade para intervenção, a barriga da curva apresentou movimento, com o mercado mostrando um pouco de apetite pelos papéis”afirmou Tavares.The post Mercado aguarda possível intervenção do Tesouro nesta terça; entenda appeared first on InfoMoney.
