Mercado passou a olhar Totvs com outros olhos e ação caiu forte – de forma imerecida

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O Itaú BBA reiterou sua recomendação de outperform (desempenho acima da média, equivalente à compra) para as ações da Totvs (TOTS3), argumentando que a forte queda acumulada pelo papel em 2026 não reflete os fundamentos da companhia. Em relatório os analistas do banco estabeleceram preço-alvo de R$ 46 para o fim de 2026, o que representa potencial de valorização de 61% em relação à cotação atual. Segundo os analistas Maria Clara Infantozzi, Leonardo Cintra e Stephano Gabriel, a pressão recente sobre as ações está mais associada ao movimento global de aversão ao setor de software do que a mudanças nos fundamentos da empresa brasileira. Desde o início do ano, os papéis da Totvs acumulam queda de cerca de 27%, movimento semelhante ao observado em empresas globais de ERP (software de gestão empresarial), segmento que tem sido um dos mais penalizados pelo aumento das preocupações com os impactos da inteligência artificial sobre os modelos tradicionais de receita recorrente. O banco destaca que a correlação entre as ações da Totvs e o índice americano de software IGV aumentou significativamente nos últimos meses, indicando que os investidores passaram a negociar a companhia como uma representante do setor global de tecnologia. A correlação de três meses entre Totvs e o índice chegou a 0,56, acima dos níveis observados historicamente. Na avaliação do Itaú BBA, esse comportamento ignora diferenças importantes entre o mercado brasileiro e os mercados desenvolvidos. Enquanto o setor de software em países como Estados Unidos e Europa já apresenta níveis elevados de penetração, o Brasil ainda está em uma fase inicial de adoção de soluções corporativas, especialmente em processos de migração para a nuvem e digitalização empresarial. Os analistas estimam que o mercado brasileiro de ERP deve crescer a uma taxa composta anual de 15%, acima dos cerca de 9% esperados para o mercado global. O crescimento seria impulsionado pela expansão dos investimentos em tecnologia, migração para ambientes em nuvem e substituição de sistemas legados e processos manuais. Além disso, o banco vê continuidade do bom momento operacional da companhia. Para o segundo trimestre de 2026, a expectativa é de crescimento de 15% da receita líquida, para R$ 1,62 bilhão, enquanto o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ajustado deve avançar 25%, para R$ 438 milhões.A margem Ebitda é projetada em 27%, avanço de 2,2 pontos percentuais na comparação anual.O segmento de Gestão, principal negócio da companhia, deve continuar sendo o principal motor de crescimento. O Itaú BBA projeta aumento de 16% na receita da divisão no segundo trimestre, para R$ 1,44 bilhão, enquanto a receita da RD Station deve crescer 15% no mesmo período. Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Confira o que movimenta Bolsa, Dólar e Juros nesta terçaÍndices futuros dos EUA avançamOutro fator destacado pelo banco é a integração da Linx, cuja contribuição para os resultados deve se tornar mais relevante a partir de 2027. A expectativa é que os ganhos iniciais venham principalmente da captura de eficiência operacional e recuperação gradual de margens, antes de uma aceleração mais expressiva das receitas. A margem Ebitda da Linx é estimada em cerca de 20% no fim de 2026 e em 23% em 2027. Mesmo após revisar suas projeções para incorporar um cenário macroeconômico mais desafiador, o Itaú BBA segue otimista com o papel. O banco reduziu suas estimativas de lucro líquido ajustado em 9% para 2026 e em 13% para 2027, refletindo principalmente expectativas mais conservadoras para receita e os impactos contábeis da aquisição da Linx. Ainda assim, projeta lucro ajustado de R$ 998 milhões em 2026 e de R$ 1,19 bilhão em 2027. Para os analistas, a atual precificação das ações já incorpora um cenário excessivamente pessimista para o crescimento de longo prazo e para as margens do setor diante do avanço da inteligência artificial. Segundo o relatório, a ação negocia a 13,9 vezes o lucro esperado para 2027 e oferece uma taxa de crescimento anual composta do lucro por ação de aproximadamente 23% entre 2026 e 2029. “O mercado está debatendo um cenário de deterioração estrutural de longo prazo para o setor de software, enquanto a avaliação atual da Totvs já parece refletir boa parte desses riscos”, afirmam os analistas. Para o Itaú BBA, a combinação de fundamentos resilientes, crescimento do mercado doméstico e valuation descontado cria uma assimetria positiva para as ações da companhia. The post Mercado passou a olhar Totvs com outros olhos e ação caiu forte – de forma imerecida appeared first on InfoMoney.

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