Depois do primeiro turno, em que Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente de Lula (PT), por 47,03% a 45,16% dos votos válidos, os bancos começaram a revisar carteiras e projeções já nesta segunda-feira (5). A avaliação é que o mercado passa a atribuir mais chance a uma política fiscal mais rígida e, com ela, a juros mais baixos, cenário que dá mais peso a estatais, empresas ligadas ao mercado de capitais e a ações sensíveis à queda da Selic. Enquanto isso, posições defensivas perdem apelo.O movimento acompanha a reação do pregão. Na abertura, o Ibovespa alcançou os 209 mil pontos pela primeira vez na história, os grandes bancos subiram até 10,88% e os juros futuros longos recuaram até 0,9 ponto percentual.Petrobras (PETR4)A estatal aparece em duas frentes de revisão do Bradesco BBI. O banco aumentou a posição na carteira de ações brasileiras e elevou o preço-alvo para o fim de 2027 de R$ 52 para R$ 62. Na avaliação do Bradesco BBI, num cenário de mudança política, a Petrobras pode se beneficiar de venda de ativos, corte de custos e uma alocação de capital mais focada. A revisão também incorpora uma curva de produção maior, já que a companhia vem surpreendendo para cima, e margens de diesel mais altas. O banco espera, ainda, reajustes nos preços dos combustíveis depois da eleição.Leia também“Flávio Day”: Cyrela, Localiza, Magalu e Vamos saltam mais de 20% após 1º turnoO movimento ocorre uma vez que as taxas dos DIs registram fortes baixas, o que estimula ações de varejo e consumo Dólar hoje desaba mais de 4% e vai R$ 4,98 com resultado do 1º turno das eleiçõesResultado contrariou a maior parte das pesquisas divulgadas na reta finalXP (XPBR31)A plataforma de investimentos aparece nas duas frentes de revisão. O Bradesco BBI aumentou a posição e a aponta como a ação de grande porte mais exposta à volta do investidor local à bolsa, que hoje concentra o patrimônio em aplicações atreladas ao CDI. O Morgan Stanley calcula que a XP subiu, historicamente, cerca de 15% para cada ponto percentual de queda nos juros longos. Segundo o banco, ela é uma das poucas ações do setor financeiro que mantêm sensibilidade própria aos juros mesmo descontada a alta geral da bolsa, e está entre as suas duas preferidas para essa aposta, ao lado do Nubank.Banco do Brasil (BBAS3)O banco estatal ganhou peso na carteira do Bradesco BBI, dentro do tema de empresas sob influência do governo, e liderou as altas entre os grandes bancos na abertura desta segunda. Pelo cálculo do Morgan Stanley, a ação sobe cerca de 13% para cada ponto percentual de queda nos juros longos, acima de Bradesco, Santander Brasil e Itaú. A maior parte desse ganho, porém, vem da alta geral da bolsa que costuma acompanhar a queda dos juros, com pouca sensibilidade própria do papel.Nubank (ROXO34)O banco digital é, para o Morgan Stanley, a forma mais pura de apostar na queda dos juros entre as ações financeiras. Descontada a alta geral da bolsa, o Nubank sobe cerca de 8,1% para cada ponto percentual de queda nos juros longos, a maior sensibilidade própria do setor. Junto com a XP, é a ação que o Morgan Stanley prefere para essa tese. PagBank e Stone têm números parecidos, mas o banco mantém cautela com as duas por causa da desaceleração do crescimento.Cosan (CSAN3)A holding passou a figurar entre as principais escolhas do Bradesco BBI no setor de petróleo e gás, ao lado de Petrobras e Compass, com preço-alvo elevado de R$ 4,60 para R$ 6. Segundo o banco, a Cosan ganha de três formas com a queda dos juros: mais dividendos chegando à holding, menor gasto com juros da dívida e valorização dos ativos que estão à venda, o que pode acelerar a reestruturação da companhia.Ecorodovias (ECOR3) e as small capsA concessionária de rodovias entrou na carteira do Bradesco BBI como porta de entrada para um novo tema, o das small caps sensíveis aos juros. Pelas contas do banco, o lucro de 2027 da Ecorodovias sobe cerca de 20% para cada ponto percentual de queda na Selic.Ela faz parte de uma cesta de dez small caps escolhidas pela alta sensibilidade do lucro aos juros e pela baixa dependência do crescimento da economia: Ânima, Ecorodovias, Movida, MRV, Pague Menos, Iochpe-Maxion, Vamos, Cogna, Hapvida e Dexco. Em média, o lucro dessas empresas sobe 18% por ponto de queda, com a Ânima no topo, com 62,8%. O banco projeta a Selic em 11% no fim de 2027, cerca de 2,5 pontos abaixo do que a curva precifica, e lembra que as small caps negociam com desconto de 40% a 45% em relação às grandes empresas, perto do maior desde 2016.Quem perdeu espaçoPara abrir espaço às apostas em juros menores, o Bradesco BBI reduziu a parte defensiva da carteira de 20% para 15%: tirou a Axia e diminuiu as posições em Itaú, Rede D’Or e Equatorial. O Itaú também aparece como o menos sensível aos juros entre os grandes bancos no cálculo do Morgan Stanley, com cerca de 10% de alta por ponto de queda.No setor de combustíveis, Vibra e Ultrapar saíram da lista de preferidas do Bradesco BBI. O banco segue vendo fundamentos favoráveis nas distribuidoras, mas espera que o fluxo migre de ações defensivas para papéis de maior risco nos próximos meses.The post Mercado revisa apostas com Flávio à frente de Lula; veja as ações que ganham espaço appeared first on InfoMoney.
