O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a prisão domiciliar do policial civil Christiano Gaspar Fernandes, preso preventivamente na oitava fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal (PF), que também levou à prisão o ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil) e o ex-chefe da Polícia Civil do Rio Marcus Amim. A decisão, assinada neste sábado, substitui a prisão preventiva de Christiano por prisão domiciliar enquanto perdurar seu estado clínico, com imposição de medidas cautelares.O policial esta preso na unidade de Benfica, na Zona Norte do Rio. Segundo o advogado de defesa, Ubiratan Guedes, Christiano havia passado por uma cirurgia de alto risco quatro dias antes de ser preso e está apresentando hemorragia. Por questões éticas, o defensor não detalhou o procedimento médico.Na decisão, Moraes determinou a expedição urgente do alvará de soltura, com condições para o cumprimento da prisão domiciliar. Entre as medidas impostas estão o uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de contato com os demais investigados e de utilização de redes sociais, além da suspensão de documentos que autorizem o porte de armas de fogo e de certificados para atividades de colecionamento, tiro desportivo e caça.O ministro também proibiu Christiano de deixar o país e determinou a entrega de todos os passaportes, nacionais e estrangeiros, em até 24 horas. A decisão estabelece ainda a proibição de visitas, com exceção dos advogados constituídos e de pessoas previamente autorizadas pelo STF.O descumprimento das condições poderá levar à revogação da prisão domiciliar e à conversão imediata em prisão preventiva ou, se necessário, à transferência para um hospital penitenciário. Eventuais deslocamentos por questões de saúde deverão ser previamente autorizados, exceto em situações de urgência ou emergência, que precisarão ser justificadas em até 48 horas após o atendimento médico.InvestigaçãoChristiano foi um dos seis presos na oitava fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela PF na quinta-feira. A investigação apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio para lavar dinheiro. Segundo um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) encaminhado à PF, o esquema teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos.Além de Christiano, foram presos seu irmão, o também inspetor da Polícia Civil Giovanni Gaspar Fernandes; o ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito Márcio Canella; o ex-chefe da Polícia Civil Marcus Amim; e os inspetores José Carlos Alves de Souza Júnior e Pablo Jukia Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo.Segundo a investigação, Christiano e Giovanni aparecem em registros manuscritos de pagamentos frequentes que poderiam ter origem em atividades criminosas. Os irmãos seriam identificados pelo codinome “Meninos” em planilhas que registravam a distribuição de dinheiro proveniente da rede de postos.Christiano trabalhou na Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), onde chefiou o setor de investigação durante o período em que Amim esteve à frente da unidade. Posteriormente, assumiu o cargo de secretário municipal de Ordem Pública de Belford Roxo. A PF aponta o policial como uma figura central no esquema de lavagem de dinheiro de recursos supostamente desviados da prefeitura.Canella é apontado pelos investigadores como o principal articulador político da organização criminosa, com atuação na ligação entre o poder público, a rede de postos e grupos armados. Já Amim é suspeito de garantir proteção policial ao esquema a partir dos cargos que ocupou no Detran-RJ e na Secretaria de Polícia Civil.A operação desta quinta-feira incluiu o cumprimento de seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão em municípios do estado do Rio. A Justiça também determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas ligadas à rede investigada, das quais 96 seriam postos de combustíveis.A Operação Unha e Carne investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e vazamento de informações sigilosas sobre ações policiais no Rio. A apuração teve origem em suspeitas de vazamento de informações de operações contra o Comando Vermelho (CV), no âmbito de uma investigação anterior, a Operação Zargun. The post Moraes concede prisão domiciliar a policial preso com Canella em operação da PF appeared first on InfoMoney.
