A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou na última terça-feira (26) o primeiro medicamento sintético análogo à semaglutida (GLP-1) no Brasil, momento considerado uma virada de chave importante após a quebra de patente do Ozempic e Wegovy, medicamentos de referência, que ocorreu em março deste ano. A movimentação das farmacêuticas brasileiras para entrar no mercado das canetas emagrecedoras pode trazer oportunidades interessantes para as companhias listadas na B3.O novo produto será fabricado pela EMS sob o nome de Ozivy e terá uma indicação restrita, sendo utilizado somente para tratar o diabetes tipo 2 em adultos. De acordo com relatório publicado pelo Goldman Sachs nesta quarta-feira (27), a Anvisa está analisando atualmente outros cinco medicamentos sintéticos e mais um de origem biológica.Apesar do pioneirismo da concorrente, que pretende iniciar as vendas nos próximos 30 dias com projeção de faturamento mínimo de R$ 500 milhões no primeiro ano, os holofotes do mercado financeiro se voltaram para os reflexos dessa abertura na Hypera (HYPE3). Os analistas do Goldman Sachs mantêm uma recomendação neutra para o ativo, estabelecendo um preço-alvo de R$ 25 para os próximos 12 meses, o que representa um potencial de valorização de 8,8% sobre a cotação de referência de R$ 22,97.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa tem alta discreta com guerra e inflação no radarBolsas dos EUA oscilam após novos recordes de ontem e possibilidade de acordo com Irã O cronograma da Hypera e a chegada do GLP-1Os analistas do Goldman afirmam que a própria administração da Hypera já havia antecipado que o seu pedido de registro seria um dos pioneiros na fila de avaliação da agência reguladora, conforme manifestado na teleconferência de resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25).Porém, o cronograma desenhado pelos analistas indica que o investidor vai precisar ter um pouco de paciência antes de ver essa linha de negócio inflar o balanço da companhia.As verificações de canais (channel checks) conduzidas pela equipe de análise do Goldman Sachs apontam que o remédio da Hypera deve receber o aval oficial no segundo semestre de 2026. Leia também: Aval da Anvisa dá largada para emagrecedores baratos; quem no mercado sai ganhando?No modelo do banco, embora os primeiros lotes possam chegar às farmácias na virada do ano, “a contribuição material dos medicamentos GLP-1 para o crescimento da receita líquida deve vir apenas em 2027”. Fatores de riscoA consolidação desse possível portfólio de lançamentos é chave para destravar o valor da ação, segundo os analistas, que hoje é calculado por meio da metodologia de Fluxo de Caixa Livre para a Firma (FCFF) e considera uma taxa de crescimento na perpetuidade de 5,0% e um Custo Médio Ponderado de Capital (WACC) de 11,0%.O cenário para a farmacêutica apresenta vetores distintos para os próximos meses. Pelo lado positivo, as ações podem subir mais do que o projetado caso ocorra um “desenvolvimento de um ambiente competitivo mais racional em genéricos e produtos selecionados, gerando menores descontos e atividade promocional”.Os analistas também acrescentam que também daria impulso a uma “rampa de crescimento (ramp-up) bem-sucedida do pipeline de produtos, principalmente na categoria de prescrição; execução mais rápida do que o esperado do processo de otimização do capital de giro”.Por outro lado, o Goldman Sachs alerta para riscos de baixa nas ações, sendo as principais ameaças a desaceleração das venda, assim como uma menor rentabilidade do que o esperado dentro do portfólio, principalmente por conta de uma concorrência mais acirrada em genéricos. Outros pontos importantes que podem levar as ações para baixo são pressões tributárias decorrentes de uma distribuição menor de Juros sobre Capital Próprio (JCP) ou de cortes em benefícios associados à subvenção do ICMS.The post Movimento das canetas emagrecedoras nacionais pode dar destaque para Hypera; entenda appeared first on InfoMoney.
