Duas histórias de empreendedorismo e superação marcaram um encontro exclusivo para mulheres promovido pela XP Investimentos em São Paulo. Rosângela Barchetta, fundadora e CEO do Studio W, e Bridilla Gobbi, cofundadora da marca de acessórios Pacco, compartilharam como construíram seus negócios do zero, enfrentaram erros e viradas de chave ao longo do caminho e aprenderam a formar equipes engajadas.O painel, mediado por Victória Daciu, manager de conteúdo e redes sociais da XP, faz parte do programa Mulheres que Inspiram e reuniu clientes da matriz da XP e seus assessores em uma manhã de conversas que combinou trajetórias pessoais com lições práticas de gestão. A proposta foi conectar a experiência de duas mulheres que construíram negócios relevantes a temas essenciais para quem empreende, como patrimônio, governança, continuidade, tomada de decisão e impacto geracional.Das salas de aula às cadeiras do salãoRosângela chegou ao setor de beleza por um caminho pouco óbvio. Depois de 22 anos como professora da rede municipal de ensino, prestes a se aposentar antes dos 45 anos, decidiu que ainda era cedo para parar. “Gente, que doideira é essa se aposentar tão cedo assim?”, relembrou.O marido admirava o setor de beleza; ela, por sua vez, quase não frequentava salões. Ainda assim, decidiu mergulhar de cabeça no novo negócio. Vinte e seis anos depois, o Studio W se tornou uma referência nacional.Para Rosângela, o crescimento da empresa nunca foi um fim em si mesmo. “Meu foco nunca foi ser maior, ser grande. Eu sempre achei que a gente tem que fazer as coisas com excelência”, afirmou. Segundo ela, o que impulsionou o negócio foi levar para o setor uma mentalidade de planejamento e desenvolvimento humano, aprendida na educação, em um ambiente que encontrou “completamente desorganizado”.“Eu enxerguei nas pessoas que trabalhavam comigo os meus alunos da escola pública já adultos — com sonhos, com vontade de construir uma história”, disse. Hoje, além dos serviços de beleza, o espaço aposta no relacionamento presencial como contraponto a um mundo cada vez mais mediado por telas.Rosângela Barchetta, Victória Daciu e Bridilla Gobbi em evento organizado por Diana Jacques, coordenadora de Live Marketing XP, e Agencia Premium Start (Camila Salvador/Thalita Rios/Divulgação)Das 900 bolsas a um time de 180 pessoasA história de Bridilla começou de forma improvável, na rua. Ela produzia bolsas artesanais com materiais sustentáveis, como resíduos de garrafas e algodão reciclado, quando um executivo a abordou para fotografar o acessório que carregava. Dias depois, veio o convite: produzir 900 unidades em 90 dias.“Claro!”, respondeu ela — sem CNPJ, sem estrutura montada e sem saber exatamente como daria conta da encomenda. Deu conta. “Foi assim que eu comecei a minha carreira”, contou.A empresa cresceu de forma orgânica, financiada pelo próprio faturamento, sem aportes externos. A virada veio em 2021, quando o marido, administrador com experiência no setor de seguros, entrou como sócio e ajudou a estruturar a operação, com processos, organograma e time comercial.“Ou você cresce ou você morre”, resumiu Bridilla sobre a conversa que teve com o marido naquele momento. Hoje, a Pacco tem mais de 180 funcionários. “As pessoas são o que faz a diferença no negócio. Você pode ter a melhor ideia do mundo, mas uma ideia executada vale mais do que um milhão”, afirmou.Beleza como conexãoRosângela também saiu em defesa do mercado de beleza diante de um estigma antigo. Para ela, cuidar da aparência está longe de ser superficialidade: trata-se também de saúde emocional.“Ninguém se sente bem quando olha no espelho e não gosta do que vê”, disse. “No dia em que o cabelo está ruim, a gente passa a mão nele o tempo inteiro tentando ajeitar. É ou não é?”, provocou, arrancando risos e concordância da plateia.Segundo Rosângela, em um mundo marcado por síndromes emocionais e relações cada vez mais mediadas por telas, o salão de beleza pode funcionar como um espaço de reconexão humana.“A minha ideia sempre foi resgatar o salão de beleza como um espaço de relacionamento, onde as pessoas vão para se cuidar e para se encontrar”, explicou, ressaltando que a troca real, presencial e sem filtro continua sendo um ativo raro — e cada vez mais valioso.The post “Mulheres que Inspiram” reúne histórias de empreendedorismo e liderança em São Paulo appeared first on InfoMoney.
