O ânimo diminuiu, mas isso não quer dizer que é hora de desistir da Bolsa brasileira. Esta é a análise dos estrategistas da Ágora Investimentos destacada após pesquisa trimestral com investidores institucionais. “A bolsa brasileira é como uma estrada… Depois de acelerar bastante nos últimos meses, o motorista — no caso, os grandes investidores — decidiu reduzir a velocidade, olhar mais no retrovisor e apertar o cinto. Mas ninguém encostou o carro no acostamento nem desistiu do destino”, apontam os estrategistas. Assim, o clima entre os investidores é de cautela, mas sem pânico. A visão geral é de que a maioria dos gestores segue comprada em Brasil, com pouco dinheiro parado em caixa (sinal de confiança) e ainda acredita que os mercados emergentes vão performar melhor que os desenvolvidos.Mas o tom mudou: “as apostas ficaram um pouco menores, o apetite por risco diminuiu e o entusiasmo com o real esfriou. Curiosamente, um fenômeno raro aconteceu: estrangeiros e brasileiros passaram a pensar de forma bastante parecida sobre o país, algo que não víamos há bastante tempo”, ressalta a Ágora. No começo do ano, os investidores estrangeiros estavam bem otimistas, enquanto os locais ainda estavam pessimistas. Os “gringos” começaram a sair da Bolsa em abril, mas reduziram o fluxo de saída no fim do primeiro semestre, enquanto os investidores institucionais foram compradores líquidos de ações brasileiras em junho. Para a Ágora, é” como se os dois grupos, que costumavam discutir o caminho, tivessem finalmente concordado com o GPS — cada um, claro, com seu estilo próprio de dirigir (o estrangeiro gosta de empresas de crescimento; o local prefere empresas mais baratas e maduras)”. Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa oscila e tenta sustentar os 174 mil pontosBolsas dos EUA avançam juntas com guerra em foco Os investidores, no momento, estão se abrigando em setores mais defensivos: bancos, elétricas e telecomunicações concentram mais de dois terços das preferências. Com juros altos por mais tempo e ruído fiscal no radar, esses setores oferecem receitas previsíveis e bons dividendos — o equivalente financeiro a um guarda-chuva confiável.Do outro lado, consumo e cíclicos domésticos, como varejo, construção, viagens, foram deixados de lado. E é neste cenário que pode haver uma oportunidade contrária.Olhando sobre o que está movendo o ponteiro agora, a Ágora aponta que a eleição está em primeiro lugar. Dois em cada três investidores apontam o pleito como o maior catalisador do mercado, e três em cada quatro dizem que o risco fiscal é a maior preocupação. Já o ciclo de juros, que dominou as conversas por meses, virou coadjuvante. Os economistas da casa projetam a Selic terminando o ano em torno de 13,75%, enquanto o mercado está mais pessimista, precificando apenas um corte adicional, levando-a aos 14%. “Essa desconexão é uma das razões pelas quais achamos que há prêmio na mesa: quando o mercado exagera no pessimismo, uma surpresa positiva costuma valer muito – ajustes como da sexta-feira passada (10), após um IPCA mais fraco, exemplificam este cenário”, avalia. Ações favoritas e esquecidasOlhando para as ações preferidas, Itaú (ITUB4) aparece como unânime — tanto brasileiros quanto estrangeiros elegeram o banco como o preferido. Vale (VALE3), por outro lado, é a menos querida do momento. Fora essas duas pontas, cada grupo seguiu um caminho, segundo a pesquisa: investidores brasileiros abandonaram a Petrobras (PETR4) em massa: a preferência despencou de 23% para apenas 4% em um trimestre. Já estrangeiros “redescobriram” o Nubank (BDR: ROXO34). Isso porque, depois de o papel andar de lado, a preferência saltou de 5% para 19%. Leia tambémAndy Burnham assume como premiê do Reino Unido com promessa de renovar políticaCerimônia de transição de poder, conhecida como “kissing hands”, ocorreu no Palácio de BuckinghamNomes como Sabesp (SBSP3), BTG Pactual (BPAC11), C&A (CEAB3), Smartfit (SMFT3) e Pague Menos (PGMN3) apareceram como as “descobertas” mais mencionadas fora do óbvio. “Assim, se tivéssemos que resumir o momento em uma frase: o Brasil está barato, mal humorado e prestes a receber notícias melhores do que o mercado espera. Nossa bolsa negocia a um dos menores múltiplos do mundo (cerca de 8 vezes os lucros esperados), a curva de juros parece exagerada no pessimismo, e os lucros das empresas mostram resiliência apesar do ambiente adverso”, avalia. Assim, os estrategistas destacam que o recado para o investidor é simples: “não é hora nem de euforia, nem de desistir”. Os especialistas veem que, no momento, faz sentido uma estratégia “barbell” — combinar, na medida certa, papéis mais ofensivos, que se beneficiam de eventuais quedas de juros e do aquecimento do mercado de capitais (como BTG e XP – BDR: XPBR31) e nomes de crescimento (como Nubank e Rede D’Or – RDOR3), com uma dose de defensivos pagadores de dividendos (como Itaú e Equatorial – EQTL3) para atravessar a volatilidade que naturalmente virá com a eleição. The post Não é hora de euforia e nem de desistir, diz Ágora; veja ações favoritas e esquecidas appeared first on InfoMoney.
