Nike e Adidas jogaram a Copa, mas quem perdeu foi o investidor

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A Copa do Mundo de 2026 era o palco ideal para duas companhias mostrarem ao mundo — e aos investidores — seus momentos de reestruturação estratégica. Nike (NIKE34) e Adidas, algumas das principais marcas de materiais esportivos do mundo, no entanto, saíram do torneio ainda incapazes de responder todas as dúvidas do mercado.Juntas, as empresas foram as principais fornecedoras de uniformes para a edição do torneio finalizada em julho. A Adidas desenhou as camisas de 14 seleções no mundial, enquanto a concorrente estampou sua marca em 12 times do torneio. Mesmo assim, suas ações enfrentaram queda entre o início e o final do evento.No caso da Nike, uma empresa que enfrenta cinco anos consecutivos de perda no valor de suas ações, a Copa do Mundo se tornou uma plataforma importante para expandir a visibilidade no futebol. O CEO Elliott Hill, que assumiu o cargo em 2024, elegeu como uma prioridade reforçar o foco da companhia em esportes em meio à baixa demanda de consumidores ao redor do mundo.Sem nenhuma camisa estampando sua marca entre as finalistas da competição, Espanha e Argentina, vestidos pela Adidas, a empresa perdeu o potencial de vendas promovido pela partida de maior visibilidade. Uma reportagem da Bloomberg News conta que em um comunicado interno, o vice-presidente e gerente geral de Nike Football, Camilo Andrade, lamentou o resultado.Leia mais: Adidas, Nike e Puma vestem mais seleções na Copa, mas perdem participação ante 2022“Sei que o desfecho não foi o que sonhávamos”, relata a reportagem após revisar a nota. “Executamos o plano que queríamos; controlamos o que estava ao nosso alcance”, teria dito Andrade.A empresa estampou as camisas de quatro seleções que já ganharam uma Copa do Mundo nesta edição: Brasil, França, Uruguai e Inglaterra. Durante a última teleconferência de resultados da companhia no trimestre concluído em março, o CEO Elliot Hill afirmou que as reservas de produtos por parceiros atacadistas aumentaram 40% em relação à Copa do Mundo de 2022.Resultados abaixo das expectativasMas os resultados publicados pela Nike no dia 30 de junho, durante o torneio, mantiveram os receios quanto à execução da estratégia de recuperação. No ano, a companhia acumula uma queda de cerca de 35% no valor das ações, patamar pouco alterado depois da divulgação do balanço.As ações de Nike caíram cerca de 9% entre o primeiro e o último jogo da Copa do Mundo.Embora os números não capturem o desempenho da empresa em vendas na Copa do Mundo, executivos reforçaram, durante a conferência de resultados, expectativas não tão animadoras no curto prazo: “Não esperamos uma melhora significativa do cenário nos próximos seis meses”, disse o diretor financeiro da Nike, Matt Friend, em conferência com os investidores.Já para a Adidas, a Copa do Mundo deixou um “sabor agridoce”. A fornecedora de material viu duas de suas seleções disputarem a final para, apenas alguns dias depois, suas ações despescarem 19% em 30 de julho, um dia depois da divulgação dos seus resultados trimestrais.O problema é que os resultados de vendas durante o torneio não bateram as expectativas do mercado e as ações de marketing promovidas pela empresa para o evento pressionaram margens. Bjorn Gulden, CEO levado ao cargo na Adidas em 2023, promoveu investimentos de 212 milhões de euros no segundo trimestre deste ano para capitalizar a Copa do Mundo, aumento de 30% na comparação com o mesmo período do último ano. Há anos, Gulden tem promovido investimentos para retomar a participação de mercado da Adidas.Leia mais: Saiba como dar fim ao estoque temático da Copa do Mundo com o fim do torneio“Estamos investindo em inovação. Investimos em parcerias e em visibilidade. E é por isso que acredito que conquistamos a fatia de mercado que conquistamos”, disse ele após a divulgação de resultados em julho. “Vejo o preço das ações e não sei qual é o mal-entendido.”A Adidas aumentou sua previsão de crescimento de receita anual para uma faixa entre 9% e 10%, vindo de um guidance anterior apenas na casa de 9%. Já o lucro operacional no período de abril a junho cresceu 5%, para 574 milhões de euros. A receita subiu 14%, chegando à casa de 6,74 bilhões.Acontece que os resultados não bateram com as previsões de consenso do mercado. No caso do lucro operacional, a expectativa era de 623 milhões de euros. Em uma carta a investidores, o Deutsche Bank considerou o trimestre como bom, mas abaixo das elevadas expectativas provocadas pela Copa do Mundo.O Citi foi na mesma linha ao avaliar que a revisão das projeções ficaram abaixo da expectativa de mercado. Os analistas apontaram que esse cenário pode provocar um debate sobre a sustentabilidade do crescimento da companhia após o evento.A queda acumulada das ações da Adidas durante a Copa foi de cerca de 7%.The post Nike e Adidas jogaram a Copa, mas quem perdeu foi o investidor appeared first on InfoMoney.

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