Nota de Flávio sobre Ciro pega mal no Centrão e alimenta cautela sobre aliança

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A nota divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre a operação da Polícia Federal (PF) que mirou o senador Ciro Nogueira (PP-PI) provocou desconforto entre aliados do presidente do PP e ampliou, nos bastidores, a cautela de setores do Centrão em relação à aliança com o bolsonarismo para as eleições deste ano.Reservadamente, parlamentares do PP e do União Brasil afirmam que a manifestação do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi interpretada como uma tentativa de distanciamento político em um momento de crise envolvendo um dos principais articuladores da federação União-PP e aliado histórico do grupo bolsonarista. Ciro foi ministro da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro.Em nota enviada à imprensa horas depois da operação, Flávio afirmou considerar “graves” as informações divulgadas sobre o caso e defendeu que os fatos sejam apurados “com rigor e transparência”. O senador também elogiou o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), indicado por Bolsonaro à Corte e responsável por autorizar a operação.Leia tambémLula deve amenizar críticas a Trump durante período de negociações após encontroEm entrevista coletiva após reunião na Casa Branca, presidente mencionou tarifas e minerais críticos entre os temas discutidos por mais de três horas e diz que relação entre os dois evoluiA reação desagradou aliados de Ciro, que esperavam uma demonstração mais explícita de solidariedade política diante da ofensiva da PF.Um integrante da cúpula do União Brasil afirmou reservadamente que a fala de Flávio foi interpretada como abandono político do senador piauiense e disse que o filho do ex-presidente “largou total a mão do Ciro”.Segundo esse interlocutor, o avanço da investigação já provoca preocupação dentro da federação e deve levar dirigentes partidários a adotarem postura mais reservada nas próximas semanas. Para essa pessoa, isso representa o “feitio do PL”. Um aliado de primeira hora de Ciro resumiu o incômodo em tom de desabafo dizendo que em momentos como esse “você vê quem é amigo ou não”.A avaliação é que os elementos já conhecidos da investigação aumentaram o constrangimento político sobre Ciro e ampliaram a apreensão entre lideranças do Centrão diante da possibilidade de novos desdobramentos atingirem outros dirigentes partidários. Além de Ciro, outro cardeal do grupo, o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, também aparece citado no entorno do caso Master, embora não tenha sido alvo da PF.Leia tambémPP adia ato pró-Tarcísio após operação da PF contra Ciro NogueiraEvento de apoio à reeleição do governador paulista foi suspenso dias após presidente do PP virar alvo da Compliance ZeroA representação da PF descreve um suposto contexto de vantagens indevidas entre Ciro e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Os investigadores citam, entre outros pontos, pagamentos mensais de R$ 500 mil a uma “estrutura vinculada ao Senador”, custeio de viagens internacionais, hospedagens, restaurantes e voos privados.Um dos principais elementos citados pela PF é uma emenda apresentada por Ciro para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. Segundo a investigação, a proposta teria sido redigida dentro do Banco Master e enviada ao senador. A PF também identificou mensagem em que Vorcaro comemora o texto apresentado no Congresso afirmando: “Saiu exatamente como mandei”.Outro interlocutor ligado à federação União-PP pondera, porém, que o episódio não deve provocar um afastamento definitivo entre o Centrão e o bolsonarismo. Segundo ele, a relação continuará condicionada ao cenário eleitoral de 2026.Para essa figura, “o Centrão é isso” e se Flávio estiver para ganhar, “não há nada que separe”. Se o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro estiver indo mal nas pesquisas eleitorais, “não tem nada que junte”.Esse mesmo interlocutor também relativiza as críticas sobre o distanciamento de aliados em relação a Ciro. Segundo ele, em momentos de crise política e investigação, a tendência é de preservação individual. “Quem vai assumir nessas horas?”, questionou.Ele lembra ainda que o próprio Ciro negou envolvimento com o caso Master e com Daniel Vorcaro ao afirmar, em declarações recentes, que “Vorcaro tem um CPF e eu tenho outro” e que renunciaria ao mandato caso surgisse alguma prova de irregularidade envolvendo seu nome. PApesar das críticas reservadas, integrantes do PP tentaram evitar uma escalada pública da crise. O senador Dr. Hiran (PP-RR), colega de partido de Ciro, contemporizou o episódio e defendeu que as investigações sigam seu curso.— Todo mundo pode ser investigado, que se investigue. Tenho profunda amizade pelo Ciro — afirmou.O próprio PP divulgou nota à imprensa, afirmando que a sigla espera que os fatos desta quinta que ocorreram com Ciro “sejam devidamente esclarecidos, com estrita observância ao amplo direito de defesa e ao devido processo legal”. “O partido manifesta sua confiança nas instituições e na Justiça brasileira”, diz a nota. O texto é assinado por Aldo Rosa, secretário-geral do PP. Parlamentares do Centrão admitem que o episódio também elevou a cautela sobre o custo político da aproximação com o bolsonarismo em 2026. A avaliação é que a reação do PL ao caso reforçou a percepção de que o núcleo bolsonarista tende a preservar distância de aliados do grupo em momentos de desgaste.Já integrantes da base governista passaram a apostar reservadamente que o episódio pode marcar um ponto de inflexão na relação entre setores do Centrão e o bolsonarismo. A leitura é que a reação de Flávio expôs fissuras na aliança construída para a próxima disputa presidencial.Para um interlocutor governista, a semana tende a terminar “murcha” para a aliança entre bolsonaristas e setores do centrão.The post Nota de Flávio sobre Ciro pega mal no Centrão e alimenta cautela sobre aliança appeared first on InfoMoney.

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