O forte ingresso de capital estrangeiro na Bolsa brasileira nas últimas semanas reacendeu a dúvida: até onde esse fluxo pode chegar? Depois de um movimento que ganhou força com a melhora da percepção sobre os ativos brasileiros e foi intensificado após o chamado “Flávio Day”, quando investidores estrangeiros aportaram cerca de R$ 10 bilhões em um único pregão, a avaliação de analistas é que ainda existe espaço relevante para novas entradas de recursos.Um dos argumentos que sustentam essa visão é o baixo posicionamento atual dos investidores globais em ações brasileiras. Segundo análise do Itaú BBA, o Brasil responde atualmente por cerca de 4% do índice MSCI Emerging Markets, abaixo da média histórica de 5,6%. Uma eventual volta a esse patamar poderia representar uma entrada adicional de aproximadamente R$ 123 bilhões na Bolsa.Leia tambémEstrangeiros trouxeram R$ 10 bilhões para Bolsa apenas no “Flávio Day”Até dia 2 de outubro, o capital estrangeiro já era positivo em R$ 2,55 bilhões e, após a sessão de segunda, ficou em R$ 12,61 bilhõesA conta ajuda a dimensionar o potencial do fluxo estrangeiro. Pelas estimativas do banco, cada aumento de 1 ponto percentual na participação do Brasil no MSCI Emerging Markets equivale a cerca de R$ 79,3 bilhões em recursos direcionados para o mercado acionário brasileiro.O exercício do Itaú BBA parte de um cenário de normalização das alocações tanto de investidores estrangeiros quanto de investidores domésticos. Nesse caso, o potencial total de entrada de recursos na Bolsa alcançaria R$ 270,2 bilhões.Desse montante, aproximadamente 45% viriam de investidores estrangeiros, enquanto os 55% restantes seriam provenientes de investidores locais. Isso significa que cerca de R$ 122 bilhões do potencial estimado pelo banco poderia ser atribuído ao capital internacional.Reprecificação de ativosNa visão dos estrategistas, os estrangeiros tendem a liderar esse processo de reprecificação dos ativos brasileiros. O capital externo costuma reagir mais rapidamente a mudanças de cenário, especialmente quando há percepção de melhora relativa dos fundamentos econômicos e das perspectivas para os mercados emergentes.Já os investidores domésticos costumam entrar em um segundo momento. O Itaú BBA destaca que a participação local na Bolsa pode aumentar à medida que a trajetória de queda dos juros avance, tornando aplicações de renda fixa relativamente menos atrativas.Hoje, os fundos de ações representam apenas 7,6% do patrimônio total da indústria de fundos no Brasil. Isso sugere, segundo o banco, que ainda existe espaço para uma recomposição gradual da exposição dos investidores locais ao mercado acionário.A sensibilidade calculada pelo Itaú BBA mostra a dimensão desse potencial. Cada aumento de 1 ponto percentual na alocação dos investidores domésticos em ações representaria um fluxo adicional de aproximadamente R$ 113,2 bilhões para a Bolsa brasileira.Omercado já vem observando sinais concretos dessa retomada do interesse estrangeiro. O recente fluxo registrado na B3, incluindo o aporte bilionário observado no “Flávio Day”, reforçou a percepção de que investidores globais começaram a aumentar sua exposição aos ativos brasileiros.Ainda assim, os números sugerem que a movimentação observada até agora pode representar apenas uma parcela do potencial projetado pelos estrategistas. As estimativas do Itaú BBA indicam que uma normalização das posições ainda abriria espaço para cifras muito superiores às registradas recentemente.O debate entre analistas não está mais centrado na possibilidade de entrada de recursos, mas na intensidade e na velocidade com que esse processo pode ocorrer.Para os estrangeiros, o principal vetor está relacionado ao reposicionamento do Brasil dentro dos portfólios globais voltados para mercados emergentes. Como o país ainda ocupa um peso inferior à sua média histórica nos principais índices internacionais, uma recomposição de participação poderia gerar fluxos significativos.Já no caso dos investidores locais, a mudança depende mais diretamente da evolução dos juros e da disposição dos investidores em migrar parte de seus recursos da renda fixa para a renda variável. Historicamente, esses movimentos tendem a ocorrer de forma gradual, acompanhando a melhora das condições financeiras.Somando os dois públicos, a conclusão do Itaú BBA é que a Bolsa brasileira ainda possui um espaço relevante para captação de recursos caso as alocações retornem a níveis historicamente observados. Nesse cenário, o potencial de entrada de R$ 270,2 bilhões ajuda a explicar por que muitos estrategistas acreditam que o fluxo atual pode estar apenas no início de um ciclo mais longo de recomposição de posições no mercado acionário brasileiro.The post O estrangeiro veio para ficar? BBA estima que fluxo para B3 pode ser de até R$ 270 bi appeared first on InfoMoney.
