O que esperar dos próximos IPOs em 2026?

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A SpaceX estreia na Nasdaq nesta sexta-feira, 12 de junho de 2026, sob o ticker SPCX, com valuation de US$ 1,77 trilhão — consolidando-se como o maior IPO da história. Na operação, a empresa emitiu 555,56 milhões de ações, precificadas a US$ 135, levantando cerca de US$ 75 bilhões.O evento representa um marco para o mercado de capitais e inaugura uma janela relevante para que outras gigantes da inteligência artificial, como Anthropic e OpenAI, avancem com seus próprios planos de abertura de capital. Para a XP, a nova onda de IPOs deve servir como referência de precificação para toda uma geração de empresas privadas de IA.Leia tambémBDRs da SpaceX disparam quase 25% em estreia na B3Em Nova York, a ação da SpaceX era negociada a US$164, em alta de 20%Ações da SpaceX sobem 17% na estreia e avaliam empresa em mais de US$ 2 triPapéis abrem com alta com base nos US$ 135 estimados no IPOIngresso em índices globaisO impacto da inclusão da SpaceX nos índices globais deve ocorrer em três velocidades distintas, sendo o Nasdaq-100 o principal vetor de curto prazo. Com a adoção recente da regra de fast-entry, a expectativa é que a companhia seja incorporada ao índice já no início de julho, cerca de 15 pregões após o IPO. Para a XP, essa dinâmica antecipa de forma relevante os fluxos passivos, concentrando em poucos dias um volume de compras forçadas incomum, especialmente para uma empresa recém-listada.Ainda de acordo com estrategistas Maria Irene Jordão e Raphael Figueredo, outros índices como o S&P Total Market Index e o Completion Index também devem incluir a SpaceX em janela semelhante, embora com impacto mais marginal devido ao menor volume de ativos atrelados. Já o S&P 500, destacam os analistas, permanece como exceção importante: sem mudanças na regra de seasoning, a empresa só poderia ingressar após pelo menos 12 meses de listagem e comprovação de lucro consistente segundo critérios GAAP — algo que, à luz dos prejuízos recentes, deve adiar essa inclusão para meados de 2027 ou além.Um ponto central destacado pela XP é o chamado “paradoxo do float”. Embora apenas cerca de 4% das ações da SpaceX estejam disponíveis para negociação, mudanças recentes nas regras do Nasdaq eliminaram o requisito mínimo de free float e introduziram mecanismos que amplificam o peso de empresas com baixa liquidez. Na prática, isso pode inflar significativamente a participação da SpaceX no Nasdaq-100, levando fundos passivos a adquirir entre US$ 22 bilhões e US$ 27 bilhões em ações da companhia em um intervalo extremamente curto, com apenas alguns dias de antecedência para ajuste de carteira.Por fim, os analistas da XP ressaltam que a estrutura diferenciada de lock-up adotada pela SpaceX adiciona uma nova camada a essa equação. Em vez de um desbloqueio único após 180 dias, a liberação gradual em trimestres tende a expandir o float de maneira progressiva ao longo do tempo. Esse desenho, segundo a XP, cria uma dinâmica contínua de rebalanceamento: à medida que mais ações entram no mercado, aumenta o peso da empresa nos índices e, consequentemente, a demanda mecânica dos fundos passivos. Enquanto emissores e coordenadores capturam esse prêmio, o custo de execução recai, inevitavelmente, sobre os investidores passivos.Novos IPOsEm exercício prospectivo, os analistas da XP destacam que, caso SpaceX, OpenAI e Anthropic realizassem IPOs com cerca de 15% de free float — ainda abaixo do patamar considerado saudável — o volume potencial captado alcançaria aproximadamente US$ 520 bilhões. Segundo a casa, esse montante superaria a soma de todas as ofertas públicas iniciais nos Estados Unidos na última década, incluindo o pico observado em 2021.Ainda assim, a XP avalia que esse cenário é pouco plausível, justamente pela limitada capacidade do mercado de absorver tamanho volume em uma janela tão curta, o que já ficou evidente no próprio IPO da SpaceX, estruturado com apenas cerca de 4% de ações em circulação.Na avaliação da XP, um cenário mais realista aponta para emissões totais próximas de US$ 200 bilhões — ainda assim, um volume sem precedentes. Do ponto de vista macro, a profundidade do mercado americano oferece algum conforto: com cerca de US$ 71,8 trilhões em capitalização no S&P 500 e um volume médio diário negociado ao redor de US$ 900 bilhões, a absorção teórica dessas ofertas parece viável. No entanto, os analistas ponderam que essa métrica simplifica excessivamente a dinâmica real, já que a maior parte do volume diário reflete apenas rotação entre ativos existentes, e não necessariamente entrada líquida em novas emissões.A XP também chama atenção para o papel crítico do desempenho inicial dessas empresas após a listagem. Segundo os analistas, as primeiras semanas de negociação de SpaceX, OpenAI e Anthropic devem funcionar como principal referência de precificação para todo o ecossistema de inteligência artificial. Como fundos de venture capital e growth carregam posições relevantes em empresas privadas com base em comparáveis ainda não testados em mercado público, qualquer desvio relevante — positivo ou negativo — nesses IPOs tende a reancorar os múltiplos de forma ampla e duradoura.O pipeline de ofertas permanece robusto e distribuído ao longo dos próximos anos, para os estrategistas. Empresas como Databricks surgem como candidatas mais defensivas, com fundamentos que permitem maior flexibilidade de timing, enquanto outras, como Perplexity, já sinalizam intenções de abertura independentemente das condições de mercado. Para os alocadores, no entanto, o principal risco está no cenário de downside: caso a OpenAI venha a estrear abaixo do valuation de referência estabelecido em rodadas recentes, o impacto sobre portfólios de venture capital seria imediato e potencialmente significativo, gerando efeitos mais profundos na estrutura de capital da indústria de IA do que propriamente nos mercados públicos.The post O que esperar dos próximos IPOs em 2026? appeared first on InfoMoney.

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