Omã leva adiante plano para cobrar pedágio por passagem no Estreito de Ormuz

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RIAD, Arábia Saudita — O Irã e Omã, aliado dos Estados Unidos, estão avançando com planos para cobrar pelo trânsito de navios no Estreito de Ormuz, apesar das objeções públicas de Washington, segundo uma autoridade iraniana e quatro diplomatas com conhecimento do assunto.Se implementados, os planos representariam uma mudança importante em relação ao cenário pré-guerra nessa rota estratégica, ressaltando como a decisão de EUA e Israel de atacar o Irã em 28 de fevereiro alterou o Oriente Médio de maneiras profundas e inesperadas.Antes da guerra, o Estreito de Ormuz era uma rota marítima internacional entre Irã e Omã pela qual embarcações navegavam livremente, transportando petróleo e gás do Golfo Pérsico para o restante do mundo. Durante o conflito, o Irã praticamente bloqueou a passagem, um gargalo crucial para o comércio global, fazendo os preços de energia dispararem.Leia tambémPorta-voz do Irã nega negociações com EUA e rejeita intervenção externa em OrmuzO porta-voz de Teerã declarou que as reuniões no Catar servem apenas para executar o memorando que encerrou as hostilidades, sem conversas com americanos ou ajuda externa no estreitoInterrupção de Ormuz pode ter impacto duradouro nas economias vulneráveis, diz ONUA UNCTAD apontou que os sistemas de alimentos e transporte marítimo levarão mais tempo para se recuperar do que os mercados de energia, mantendo 61 países vulneráveis expostos à alta de custosDesde então, autoridades iranianas vêm declarando repetidamente a intenção de monetizar o estreito.Omã entregou recentemente uma proposta formal aos Estados Unidos e a outros aliados ocidentais descrevendo um plano no qual empresas de navegação pagariam taxas de serviço para usar a passagem, segundo a autoridade iraniana e um diplomata regional.Uma pessoa familiarizada com a posição dos EUA confirmou que os negociadores americanos receberam a proposta omanense e disse que eles têm preocupações que pretendem discutir com autoridades de Omã. As autoridades e diplomatas citados nesta reportagem falaram sob condição de anonimato por se tratar de uma negociação diplomática sensível.O futuro do estreito segue como uma questão central nas conversas entre Estados Unidos e Irã para tentar fechar um acordo de paz duradouro.A proposta de Omã é em parte inspirada em arranjos existentes nos estreitos de Malaca e de Cingapura, uma via marítima asiática em que uma fundação privada recolhe contribuições voluntárias para navegação segura, disse o diplomata regional.Quaisquer cobranças no Estreito de Ormuz seriam voluntárias, afirmou o diplomata. A autoridade iraniana, porém, disse que os pagamentos seriam obrigatórios.Na segunda-feira, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou que a prioridade do país é chegar a um acordo com Omã. Mas, se Omã não estiver disposto a estabelecer uma estrutura conjunta para administrar a via marítima, o Irã seguirá adiante sozinho, segundo declarações exibidas pela TV estatal iraniana.Omã, um sultanato localizado no extremo sudeste da Península Arábica, construiu ao longo do tempo uma reputação de neutralidade, atuando como mediador entre Estados Unidos e Irã. O país, porém, vem se vendo em um equilíbrio cada vez mais delicado à medida que a guerra amplia as tensões regionais.Depois que surgiram notícias, em maio, de que Omã discutia com o Irã uma parceria para cobrar taxas de serviço no estreito, o presidente Donald Trump ameaçou bombardear Omã caso o país não “se comportasse como todo mundo”.Ainda na semana passada, Trump classificou como “inaceitável” a ideia de cobrar pedágios ou taxas pela passagem pelo estreito.Não estava claro de imediato se o governo Trump estaria disposto a aceitar taxas voluntárias de serviço.Um acordo-quadro de paz assinado neste mês entre Estados Unidos e Irã, que interrompeu a guerra, tratou do Estreito de Ormuz ao garantir “a passagem segura de embarcações comerciais sem cobrança”, mas apenas por um período de 60 dias, enquanto prosseguem as negociações para definir os detalhes.O acordo estipulou que Irã e Omã devem iniciar um “diálogo” sobre o que acontecerá com a rota marítima depois disso.A pessoa familiarizada com a posição dos EUA disse que a equipe americana de negociação valoriza a parceria com Omã e está confiante de que conseguirá resolver as divergências sobre a proposta omanense em nível técnico.O secretário de Estado, Marco Rubio, disse a jornalistas no Bahrein na semana passada que os Estados Unidos se oporiam a qualquer cenário em que o uso do estreito fosse monetizado, independentemente de isso ser chamado de “taxa, pedágio ou doação”.“Precisamos voltar ao que era o estreito antes deste conflito”, afirmou.Analistas, porém, dizem que o novo poder do Irã de interromper o tráfego em uma via marítima desse tipo é uma alavanca importante demais para ser abandonada.O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou neste mês à TV estatal que o Estreito de Ormuz não voltará ao status que tinha antes da guerra, quando a passagem era gratuita.Publicamente, Omã tem sido mais vago sobre seus planos. O ministro das Relações Exteriores do país, Badr al-Busaidi, rejeitou a ideia de cobrar taxas apenas pela travessia do estreito, dizendo que isso seria ilegal. Mas fez uma distinção entre “taxas de trânsito” e cobranças por serviços prestados pelos países ao longo da passagem.Em entrevista no domingo à rádio em árabe Monte Carlo Doualiya, Al-Busaidi afirmou que as responsabilidades de manter as águas do estreito seguras e livres de poluição, além de responder a emergências periódicas envolvendo embarcações, “sem dúvida custam dinheiro”.“Tudo o que estamos dizendo é que talvez possamos nos beneficiar de algumas experiências já existentes, de forma voluntária, entre os países envolvidos nesse assunto”, acrescentou.A proposta de Omã provavelmente será motivo de disputa entre outros países árabes do Golfo, que dependem do Estreito de Ormuz para exportar petróleo e gás.Em um evento organizado neste mês pelo Conselho Europeu de Relações Exteriores, o chanceler da Arábia Saudita, príncipe Faisal bin Farhan, disse que o Estreito de Ormuz “deve voltar ao status quo de antes da guerra”.“Por que deveríamos agora, como resultado de um conflito, aceitar algum novo arranjo que será imposto a ele?”, questionou.c.2026 The New York Times CompanyThe post Omã leva adiante plano para cobrar pedágio por passagem no Estreito de Ormuz appeared first on InfoMoney.

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