A dois dias do primeiro turno, o mercado de opções mostra que o preço da incerteza é bem diferente entre BOVA11, Petrobras (PETR4) e Banco do Brasil (BBAS3).Nas opções mais próximas do preço dos ativos, com vencimento em 16 de outubro, a volatilidade implícita estava nesta sexta-feira (2) perto de 39% no BOVA11, 47% em Petrobras e 66% no Banco do Brasil.A volatilidade implícita, ou IV, é uma medida extraída do preço das opções que indica quanta oscilação está embutida nesses contratos. Quanto maior, mais caro tende a ser o prêmio da opção, mantidas as demais condições.Ela não diz, porém, se uma ação vai subir ou cair. Também não significa, por exemplo, que uma IV de 66% represente 66% de chance de queda.O primeiro turno ocorre neste domingo (4). Um eventual segundo turno está marcado para 25 de outubro.Leia tambémVolatilidade muda de marcha antes da eleição; entenda os sinais da BolsaIbovespa vinha oscilando menos que a média dos anos eleitorais, enquanto VIX Brasil chegou ao recorde na reta final do 1º turnoQuanto custa o risco antes da eleição?Para tornar a comparação mais limpa, foram consideradas opções com o mesmo vencimento, 16 de outubro, e strikes próximos do preço dos ativos. Strike é o preço pelo qual a opção pode ser exercida.AtivoIV da callIV da putBOVA1139,16%39,68%PETR446,68%47,84%BBAS365,99%66,57%Call é uma opção de compra; put é uma opção de venda. Dados de sexta-feira (2), para opções próximas do dinheiro com vencimento em 16/10.O que mais chama atenção é a diferença entre os três ativos.O BOVA11, ETF que acompanha o Ibovespa, aparece com a menor volatilidade. Petrobras ocupa uma faixa intermediária. Banco do Brasil está bem acima dos dois.Para Matheus Medeiros, o Madruga, analista da Nomos, essa ordem já aparecia na quinta-feira e continuava nesta sexta: BOVA11 com volatilidade menor, Petrobras no meio e BBAS3 no patamar mais elevado.Isso não significa simplesmente que Banco do Brasil seja “mais arriscado”. Mostra que, nessa fotografia, as opções de BBAS3 embutem uma volatilidade consideravelmente maior.Mercado cobra pelo movimento, mas direção segue indefinidaHá outra informação importante nos dados: calls e puts estão relativamente próximas dentro de cada ativo.No BOVA11, são 39,16% na call e 39,68% na put. Em Petrobras, 46,68% e 47,84%. No BB, 65,99% e 66,57%.As puts carregam um prêmio ligeiramente maior, mas não aparece uma diferença suficiente, nessa fotografia, para apontar sozinha uma direção predominante.Em termos simples: o mercado está cobrando pela possibilidade de movimentos maiores, mas sem mostrar claramente para qual lado espera que eles aconteçam.É essa distinção que Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, destaca.“Existe um compasso de espera em relação à direção, mas não em relação ao risco. O risco já está sendo precificado”, afirma.Lima observa que, em Petrobras e BOVA11, o preço das opções está mais relacionado à volatilidade do que a uma aposta muito desequilibrada entre alta e queda.No Banco do Brasil, o analista vê uma postura mais defensiva, mas ressalta que nem todo o prêmio pode ser colocado na conta da eleição.O banco também convive com questões próprias acompanhadas pelos investidores, como qualidade do crédito, provisões e exposição ao agronegócio. Assim, fatores específicos de BBAS3 também entram nessa conta.Leia também7 altas em 8 outubros eleitorais: o que o histórico do Ibovespa sinaliza para 2026Desde 1994, o Ibovespa avançou em 87,5% dos meses de outubro com eleição presidencial; estudo compara o padrão histórico ao comportamento da Bolsa em 2026.Petrobras mostra o custo de atravessar a eleiçãoPetrobras permite enxergar a mesma questão de outra maneira: comparando opções que vencem antes e depois do primeiro turno.Durante a semana, as opções próximas do dinheiro com vencimento nesta sexta-feira (2) apresentavam volatilidade implícita perto de 29%.Já no vencimento de 9 de outubro, o primeiro depois da votação, a IV estava próxima de 47%.VencimentoIV aproximadaEleição02/1029%antes do 1º turno09/1047%depois do 1º turnoA diferença também aparecia no preço de uma straddle (compra simultânea de uma call e uma put com o mesmo strike e vencimento).No levantamento com PETR4 perto de R$ 49, essa combinação custava cerca de 2,6% do preço da ação no vencimento de 2 de outubro. Para 9 de outubro, chegava a aproximadamente 6,6%.Lima faz uma ressalva: não é possível atribuir toda essa diferença à eleição, porque a opção de 9 de outubro também tem mais tempo até o vencimento.Por isso, ele considera a volatilidade implícita uma referência mais importante: a passagem de aproximadamente 29% para 47% mostra um prêmio maior no vencimento que atravessa a votação.“O mercado de opções não está dizendo claramente se espera alta ou queda depois da eleição. Está dizendo que espera mais movimento e cobra mais caro de quem quiser atravessar esse período protegido”, afirma.Última tarde antes da eleição muda o ritmo da BolsaA própria sessão desta sexta acrescentou uma nova peça ao quadro.Pela manhã, a Bolsa reagiu aos dados de emprego dos Estados Unidos. Depois de oscilar e devolver parte do movimento inicial, o mercado brasileiro ganhou força durante a tarde.Pouco depois das 16h, o Ibovespa operava perto dos 192 mil pontos, com alta superior a 2%. PETR4 e BBAS3 também avançavam perto de 3%.Medeiros destacou que esperava uma intensificação da montagem de posições justamente na tarde do último pregão antes da votação.Nesta sexta, ele avaliou que a aceleração dos ativos era compatível com esse processo de posicionamento para atravessar o fim de semana.O analista chama atenção também para os ajustes de hedge (proteção de posições) feitos pelos formadores de mercado quando aumenta a procura por opções. Esses ajustes podem envolver a compra ou venda do próprio ativo ou de instrumentos relacionados.Isso, isoladamente, não permite afirmar que as opções causaram a alta da Bolsa. É um dos mecanismos que podem acompanhar períodos de forte reposicionamento.BOVA11, Petrobras e BB contam histórias diferentesO BOVA11 ajuda a funcionar como uma espécie de termômetro mais amplo da Bolsa.Enquanto Petrobras e Banco do Brasil também carregam riscos específicos de suas empresas, o ETF reúne uma cesta diversificada de ações.Nesta sexta, suas opções próximas do dinheiro tinham IV ao redor de 39%, contra aproximadamente 47% em Petrobras e 66% no Banco do Brasil.Essa escala resume a fotografia do mercado antes das urnas:BOVA11 → menor volatilidadePETR4 → nível intermediárioBBAS3 → maior volatilidadeDentro de cada ativo, porém, calls e puts continuam relativamente próximas.É por isso que volatilidade maior não deve ser confundida automaticamente com expectativa de queda. O dado mostra quanto está sendo cobrado pela incerteza, não necessariamente a direção do próximo movimento.Depois da eleição, o que muda?A próxima fotografia começa a ser formada na segunda-feira.Para Lima, o primeiro indicador a acompanhar será novamente a volatilidade implícita.Se ela cair de maneira relevante, parte da incerteza terá saído dos preços. Se continuar elevada, o mercado continuará cobrando caro pela possibilidade de movimentos maiores.Há ainda uma terceira possibilidade: o prêmio pode migrar para vencimentos mais longos caso as atenções passem a se concentrar em um eventual segundo turno.Depois da IV, Lima recomenda observar a diferença entre puts e calls, o volume negociado e as posições em aberto.Medeiros também vê o primeiro turno como um ponto de partida para uma nova rodada de precificação.A fotografia desta sexta deixa, portanto, uma mensagem relativamente simples para um mercado complexo: a direção ainda não está clara, mas o preço da incerteza já está longe de ser igual entre BOVA11, Petrobras e Banco do Brasil.The post Opções de BOVA11, Petrobras e BB mostram onde o risco está mais caro appeared first on InfoMoney.
