“A chave está na orquestração de capitais: combinar diferentes fontes de recursos e instrumentos financeiros para transformar oportunidades em desenvolvimento, competitividade e geração de valor para o país”, defende Maria Netto, diretora-executiva do Instituto Clima e Sociedade (iCS), ao explicar a necessidade de superar entraves estruturais e criar mecanismos capazes de integrar capital público, privado, multilateral e institucional à economia brasileira.No programa O Clima na Faria Lima, apresentado por Marina Cançado, ela destaca que o grande desafio não se resume a expandir a oferta de recursos, mas também envolve estruturar sistemas eficientes de mitigação de riscos.Segundo a especialista, o caminho passa pela modernização das instituições multilaterais, pela criação de novos instrumentos financeiros e pela atuação de plataformas nacionais capazes de conectar os recursos aos projetos estratégicos de desenvolvimento.Leia mais: Transição ecológica pode atrair até US$ 800 bi por ano ao Brasil, indica iCSReformulação dos organismos multilateraisNo episódio, Maria explica que superar a rigidez operacional das instituições financeiras internacionais representa um primeiro passo para canalizar os recursos necessários aos projetos de sustentabilidade.De acordo com a diretora-executiva do iCS, as entidades multilaterais possuem maior potencial para assumir operações de maior risco, mas enfrentam amarras burocráticas e exigências de capital equivalentes às impostas aos bancos comerciais privados.“Os fundos climáticos internacionais deveriam ainda tomar mais risco porque eles supostamente são ainda mais concessionados e foram criados justamente para destravar investimentos que não estão acontecendo nesses setores”, disse.Maria explica que a fragmentação dos processos de contratação e os riscos cambiais atrelados a financiamentos em moeda estrangeira reforçam a urgência de criar estratégias adaptadas às realidades locais. Com a coordenação do Ministério da Fazenda e o suporte operacional do BNDES, a Plataforma de Investimento para a Transformação Ecológica (BIP, na sigla em inglês) surge para coordenar a entrada desses recursos no mercado interno.Leia mais: Potência climática, Brasil ainda captura pouco do investimento globalA iniciativa busca dar transparência a uma carteira preliminar de projetos e estruturar modelos de participação acionária e mecanismos de mitigação de riscos (de-risking).Atração de fundos de previdênciaAlém do setor bancário, a mobilização de trilhões de dólares exige o engajamento direto de investidores institucionais, como as entidades fechadas de previdência complementar. Essa classe de investidores, porém, evita alocar recursos em ativos ambientais devido a entraves regulatórios e à busca por papéis soberanos de baixo risco.“Calculamos que menos de 10% desses fundos estão sendo usados para títulos que têm alguma coisa a ver com o clima. A maioria não está atuando tanto na agenda verde, porque eles tendem, obviamente, a investir em ativos de longo prazo e seguros, muitas vezes, títulos soberanos”, diz a executiva.Para destravar esse capital, a diretora do iCS cita a atuação do Círculo de Ministros de Finanças, grupo que elaborou recomendações globais dirigidas aos reguladores do mercado de capitais. As diretrizes defendem a revisão dos critérios adotados pelas agências de classificação de risco e dos custos de capital associados aos países em desenvolvimentoPor fim, ela ressalta que o redesenho dessas exigências regulatórias, combinado com fundos de garantia adequados, permite que a poupança previdenciária de longo prazo seja direcionada com segurança aos projetos de transição econômica.The post Orquestração de capitais é chave para destravar a economia verde no Brasil appeared first on InfoMoney.
