O mercado tem consenso sobre um novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic na próxima semana, que deverá levar a taxa básica a 13,75% ao ano, mas anda dividido a respeito dos próximos passos – e a fonte de maior preocupação é um repique inflacionário em 2027. De um lado, o fundo multimercado Itaú Artax, da Itaú Asset, vê riscos de uma desaceleração mais forte da atividade, que poderia ser intensificada pelo grau de endividamento do setor privado, ao mesmo tempo em que o setor público parece ter pouco espaço para suavizar o ciclo econômico via política fiscal e para-fiscal. “Nesse caso, haveria maior espaço para atuação da política monetária”, diz o fundo chefiado pelo gestor Bruno Bak em carta a clientes.No entanto, mesmo antes da divulgação de um IPCA que deve vir ameno na sexta-feira (11), o fundo cita mais incertezas no horizonte que podem dificultar o trabalho do Banco Central na condução da política monetária. “Vemos riscos de uma inflação mais alta no próximo ano, caso se materializem cenários mais desfavoráveis de El Niño, efeitos do fim da escala 6×1 e reforma tributária, além de uma possível depreciação cambial”, avalia. “Em outras palavras, os trade-offspara a política monetária podem ser muito difíceis, tornando o cenário ainda mais incerto”, conclui.Leia tambémQueda em Wall Street é oportunidade? Entenda riscos e como investirCorreção vem diante de apreensão com inflação e perspectiva de aumento de juros nos EUA, mas analistas afirmam que euforia com IA deve continuarCrédito privado isento de IR volta a pagar menos que título público; vale a pena?Com milhares de empresas em recuperação judicial e a inadimplência crescente das famílias, gestores alertam para prêmio baixo demais diante dos riscos crescentes da classeA avaliação vai na direção de economistas da Fundação Dom Cabral e das consultorias 4Intelligente e Tendências ouvidos pelo InfoMoney, que alertaram sobre o caráter transitório da deflação, e o risco de o IPCA voltar a piorar. Além do El Niño, eles mostraram preocupação com o petróleo, que atingiu US$ 105 nesta quinta, e com a situação fiscal pós-eleições.Atualmente, o risco do Itaú Artax está quase totalmente concentrado no exterior, se apoiando na ideia de que a tese em torno da cadeia de inteligência artificial tem fôlego para continuar rendendo frutos mesmo diante da preocupação com a curva de juros americana.No Brasil, o fundo está zerado em moedas e com uma alocação defensiva em Bolsa, “priorizando a preservação de capital”. No entanto, tem alguma exposição no mercado de opções, para se beneficiar de uma melhora nos ativos locais sem o custo de manter posição direta nos papéis. Essa tem sido a estratégia de investidores institucionais para navegar as incertezas do período eleitoral, diante do custo menor de manter uma posição no mercado de derivativos.The post Os 4 entraves que podem atrapalhar a queda dos juros em 2027, segundo a Itaú Asset appeared first on InfoMoney.
