Outubro Rosa: 5 dicas para as mulheres garantirem a saúde financeira no longo prazo

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Falar de saúde no Outubro Rosa é tradicional, mas tratar de questões de longevidade não costuma entrar no pacote. As mulheres têm uma vida média de 79,9 anos, contra 73,3 anos dos homens, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Isso significa que, além de se cuidar fisicamente, elas também precisam arcar com uma aposentadoria maior do que antes – cerca de 30 a 35 anos. Em um período em que os custos médicos e a inflação da saúde sobem sem parar, o planejamento financeiro deixa de ser apenas uma opção e passa a ser uma ferramenta de preservação da autonomia.Apesar de viverem mais, as mulheres ainda acumulam recursos menores para o futuro. A primeira Pesquisa FeMa Meter, divulgada em 2026 pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) com dados de 142 empresas supervisionadas até 31 de dezembro de 2024, revela que a maior participação feminina no mercado de proteção está na previdência privada aberta, onde representa 44,9% dos contratos, ante 54,6% de homens. No entanto, o valor dos aportes anuais das brasileiras ainda é menor: a contribuição das mulheres foi de R$ 13.187, valor cerca de 30% menor do que a média masculina, de R$ 17.218.Leia mais: Câncer de mama: seguros oferecem desde apoio à renda até ao congelamento de óvulosPara Camila Maximo, consultora em seguros e presidente da Sou Segura, os números refletem desdobramentos estruturais da trajetória profissional feminina, e não falta de interesse financeiro.“A capacidade de poupar acompanha a trajetória profissional, e a das mulheres é marcada por salários menores, pausas na carreira e o peso do trabalho de cuidado. Por isso, ampliar a segurança financeira feminina passa por informação e acesso a produtos, mas também por renda, liderança e autonomia para decidir sobre o próprio dinheiro.”— Camila Maximo, Sou SeguraPara transformar a aposentadoria em uma meta concreta desde o início da vida profissional, os especialistas consultados pelo InfoMoney apontam cinco passos práticos que combinam formação de reserva e proteção patrimonial.1. Calcular o custo de vida e prever a inflação da saúdeO primeiro passo é estimar a renda necessária para manter o padrão de vida desejado na aposentadoria. Carlos Castro, sócio-fundador da rede de planejamento financeiro SuperRico, sugere organizar de forma pragmática o orçamento em três grandes grupos: despesas essenciais (moradia e alimentação), gastos sociais (lazer e qualidade de vida) e investimentos para acumulação de longo prazo.“Hoje, na fase ativa, é preciso levantar pragmaticamente o que seria um custo viável [no futuro]. Não adianta fazer conta de cabeça, porque na fase ativa fazemos muita conta de cabeça e acaba falhando, gastando mais sem perceber”, alerta.O especialista explica que a taxa de sobrevida exige planejar a manutenção do padrão de vida por até três décadas e meia, já que ver mulheres vivendo até 90 ou 95 anos pode se tornar mais comum.Além disso, calcular os gastos futuros exige considerar que as despesas com saúde possuem inflação própria. A formação da reserva precisa levar em conta a última faixa etária de reajuste dos planos de saúde, que ocorre aos 59 anos, além de despesas com medicamentos e cuidadores. Tatiana Cardoso, diretora-executiva da MAG Gestão Previdenciária, reforça a necessidade de prever esses custos no orçamento.“Ao longo dos anos, podem surgir despesas maiores com consultas, medicamentos, exames, planos de saúde, cuidadores e adaptações na moradia. Embora nem todos esses gastos sejam inevitáveis, considerar diferentes cenários ajuda a evitar que despesas inesperadas comprometam o patrimônio destinado à manutenção da qualidade de vida”, afirma Tatiana.Quer saber mais sobre seguros? Inscreva-se na Segura Essa: a newsletter de Seguros do InfoMoneyCastro ainda dá uma dica importante para que a inflação da saúde não consuma todos os recursos na terceira idade: buscar por planos de saúde regionais, que tendem a ter um valor menor que um nacional ou internacional. “Na fase de aposentadoria, se você não viajar para fora do estado com tanta frequência, pode conciliar um plano regional com um seguro viagem pontual quando for deslocar-se”, orientou.2. Conferir o histórico de contribuições ao INSSA verificação do extrato do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), no aplicativo Meu INSS, é o segundo ponto de atenção citado pelos especialistas para checar vínculos e salários.Para quem atua com carteira assinada, o recolhimento é feito pelo empregador. Já para autônomas e PJs, a responsabilidade pelo pagamento é da própria profissional, que precisa definir a alíquota de contribuição. A opção de 20% como contribuinte individual permite buscar aposentadoria acima do piso nacional, enquanto o plano simplificado de 11% e o Microempreendedor Individual (MEI), que recolhe 5% do salário mínimo (ou R$ 81,05 mensais em 2026), garantem benefício por idade no valor de um salário mínimo.Veja também: INSS não garantirá estabilidade financeira a 92% dos brasileiros, diz pesquisaTatiana Cardoso ressalta que a atuação como pessoa jurídica exige atenção com o recolhimento. “Ser sócia de uma empresa, por exemplo, não significa automaticamente que todas as contribuições necessárias estejam sendo realizadas”, pondera a diretora.Apesar de o benefício médio da previdência pública girar em torno de R$ 2.200 mensais, Castro ressalta que o valor do INSS poupa a mulher de ter que acumular uma quantia expressiva por conta própria para gerar essa mesma renda.3. Formar reserva de emergência e automatizar a poupançaO terceiro ponto é formar um colchão de liquidez diária correspondente a 3 a 6 meses de gastos essenciais para celetistas, e de 12 meses para autônomas e PJs, segundo os especialistas consultados.Tatiana sugere manter esse valor separado dos investimentos da aposentadoria. “A reserva também precisa ter liquidez, permitindo acesso ao dinheiro quando necessário. Ela não deve ficar concentrada em investimentos sujeitos a grandes oscilações ou que imponham prazos longos para resgate”, ressalta.Camila Maximo concorda com a separação, explicando que “misturar as duas [reserva e aposentadoria] é o caminho mais rápido para consumir o futuro no primeiro aperto”, adverte a presidente da Sou Segura.Confira: Confiança para enfrentar imprevistos financeiros é maior que preparo, aponta pesquisaPara conseguir guardar dinheiro de forma constante para o futuro, Castro recomenda utilizar a previdência privada como uma ferramenta de disciplina orçamentária, como um mecanismo de “poupança forçada” através de um débito automático.“Se você esperar sobrar no orçamento para guardar, na prática não vai guardar, mas com a poupança forçada você se adapta à renda que sobrou”— Carlos Castro, sócio-fundador da rede de planejamento financeiro SuperRico4. Proteger a renda e o patrimônio com seguros em vidaA quarta dica envolve a contratação de seguros com coberturas que possam ser acionadas em vida, evitando o resgate precoce de investimentos durante momentos de crise de saúde ou afastamento do trabalho.Produtos como o seguro de Doenças Graves (DG), a Diária por Incapacidade Temporária (DIT), seguros para cirurgias e a Diária por Internação Hospitalar (DIH) entram nessa categoria. Tatiana destaca que essas ferramentas protegem a estrutura financeira criada pela mulher.“O seguro de vida, por exemplo, pode oferecer benefícios que vão além da proteção em caso de falecimento, com coberturas que podem ser utilizadas em vida. A MAG Seguros conta com a linha em vida, que reúne soluções de proteção financeira para diferentes imprevistos relacionados à saúde”, exemplifica Tatiana.Porém, a diretora da Sou Segura reforça que o DG não substitui o plano de saúde nem o SUS, e que o capital do seguro é uma camada de proteção para manter a reserva no seu objetivo principal. Ela também afirma que trabalhadoras celetistas precisam prestar atenção às apólices empresariais.Leia também: Pausar a carreira para cuidar da família: quem protege o futuro da mulher?“É importante entender bem os benefícios que a empresa oferece porque são benefícios escolhidos para toda a empresa e é possível ter uma cobertura que não se adapte à situação específica daquela mulher”, disse.5. Revisar o planejamento nas transições de vidaPor fim, os especialistas recomendam reavaliar o planejamento financeiro ao menos uma vez ao ano e sempre que houver grandes mudanças, como maternidade, divórcio, viuvez ou transição de CLT para PJ.Ao tratar de separações e divórcios, Castro adverte sobre a necessidade de encarar as questões patrimoniais com clareza jurídica e pragmatismo desde o início do casamento.“A relação conjugal precisa ser vista dentro das regras jurídicas existentes. Quando alguém decide casar, muitas vezes não olha para o regime de bens ou para o pacto antenupcial. O casamento é, literalmente, um contrato. Se olharmos para esse contrato dentro do planejamento, é possível contornar melhor um imprevisto”, pontuou.Tatiana conclui lembrando que as metas precisam se adaptar continuamente à realidade da mulher. “Maternidade, divórcio, viuvez, alterações de renda e responsabilidades com familiares podem modificar as necessidades financeiras. O planejamento precisa acompanhar essas transformações”, finaliza a diretora da MAG Gestão Previdenciária.Tem alguma dúvida sobre o tema? Envie para leitor.seguros@infomoney.com.br que buscamos a resposta para você!The post Outubro Rosa: 5 dicas para as mulheres garantirem a saúde financeira no longo prazo appeared first on InfoMoney.

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