Payroll forte pressiona mercados; Ibovespa reage após queda inicial — entenda

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O payroll dos Estados Unidos — principal relatório oficial de emprego do país — veio muito mais forte do que o esperado nesta sexta-feira (4) e pressionou os mercados logo após a divulgação. No Brasil, o Ibovespa caiu até 183.251 pontos, baixa de pouco mais de 1% em relação ao fechamento anterior.A reação, porém, mudou ao longo da manhã. O índice recuperou toda a queda, virou para o positivo e chegou aos 186.544 pontos, uma diferença de mais de 3.200 pontos entre a mínima e a máxima do dia. Por volta das 15h, já havia devolvido parte do avanço e subia somente 0,10%, aos 185.375 pontos.O movimento ocorreu mesmo com a piora das expectativas para os juros americanos. Foram criadas 162 mil vagas em agosto, quase três vezes as 55 mil esperadas. Depois do dado, a probabilidade de uma alta de 0,25 ponto percentual pelo Federal Reserve (Fed) em setembro passou de 49,4% para 58,4%, segundo a ferramenta FedWatch, da CME.Se o payroll reforçou a perspectiva de juros mais altos nos EUA, por que o Ibovespa conseguiu recuperar o tombo, mesmo que parcialmente? Para especialistas ouvidos pelo InfoMoney, a resposta passa pela força de fatores domésticos, pelo apetite por ativos brasileiros e também pelo desempenho de ações de peso no índice.Leia tambémEmprego forte revive aposta em alta de juros nos EUA e embaralha caminho da SelicResultado veio “extremamente acima” das expectativas e fez o mercado reavaliar esperanças de que o Federal Reserve tenha algum espaço para manter os juros na próxima reuniãoPayroll forte aumenta apostas de alta de juros nos EUAAlém da criação de 162 mil vagas, a taxa de desemprego permaneceu em 4,1%, em linha com o esperado. O ganho médio por hora avançou 0,3% no mês, também como previsto, enquanto a alta em 12 meses foi de 3,1%, pouco acima da projeção de 3,0%.A maior surpresa, portanto, veio da geração de empregos.Rafael Perretti, economista e analista da Clear Corretora, afirma que o número muito acima do esperado trouxe preocupação porque mostra um mercado de trabalho ainda forte. Como o Fed acompanha tanto a inflação quanto as condições de emprego, o dado abriu espaço para uma leitura mais dura sobre os juros.“O primeiro impacto para o mercado foi uma forte queda para o Ibovespa e uma forte retomada em relação ao dólar”, afirma.Essa reação também apareceu nos juros dos títulos americanos. O rendimento do Treasury de dois anos, papel especialmente sensível às expectativas para o Fed, alcançou 4,372%, maior nível desde janeiro de 2025.No FedWatch, a probabilidade de manutenção da taxa entre 3,50% e 3,75% caiu de 50,6% para 41,6%. Já a chance de alta para 3,75% a 4,00% subiu de 49,4% para 58,4%.Gabriel Uarian, analista-chefe da Cultura Capital, também avaliou que o payroll forte reforça a perspectiva de juros americanos elevados por mais tempo, um cenário que normalmente reduz o apetite por ativos de risco de países emergentes.Ibovespa cai a 183 mil pontos e depois recupera as perdasA reação inicial seguiu essa lógica. O Ibovespa, que havia encerrado a quinta-feira aos 185.188 pontos, caiu até 183.251 pontos após a divulgação.O dólar também ganhou força. Por volta das 15h, avançava 0,41%, a R$ 5,12, depois de variar entre R$ 5,10 e R$ 5,14.A pressão, contudo, não se manteve com a mesma intensidade na Bolsa. O Ibovespa recuperou terreno e chegou aos 186.544 pontos na máxima, alta de cerca de 0,7% sobre o fechamento anterior.O comportamento contrastava parcialmente com Nova York. No mesmo horário, o S&P 500 caía 0,51% e o Nasdaq recuava 0,52%, enquanto o Dow Jones avançava 0,54%.Para Alexandre Wolwacz, o Stormer, trader e sócio-fundador da Liberta, o payroll encontrou um Ibovespa que já vinha de uma forte valorização, o que tornava uma realização de lucros mais natural no início da sessão.Alison Correia, trader e sócio da Dom Investimentos, teve leitura semelhante naquele primeiro momento e afirmou que o payroll encontrou o “drive que faltava” para uma correção após os ganhos recentes.As duas avaliações foram feitas antes da recuperação do índice.Por que o Ibovespa reagiu mesmo com o payroll forte?Para Perretti, o impacto do dado americano foi forte, mas não ganhou continuidade porque os fatores domésticos voltaram a pesar mais na formação dos preços.Na avaliação dele, investidores vêm olhando para o cenário fiscal brasileiro e, sobretudo, para as expectativas em torno da eleição. Além disso, a percepção de que as ações brasileiras permanecem atrativas tem ajudado a sustentar o interesse de investidores estrangeiros.“O impacto imediato em relação ao payroll não trouxe continuidade porque a gente tem uma bolsa muito barata, uma bolsa atrativa”, afirma.Gabriel Uarian também vê o ambiente doméstico como peça central para entender a reação.Segundo ele, depois da pressão inicial típica de um dado externo mais restritivo, o mercado passou a mostrar um fluxo comprador sustentado por fatores locais, principalmente pelas perspectivas eleitorais.“Investidores parecem priorizar mais o cenário local”, diz Uarian, destacando que isso permitiu ao Ibovespa reagir mesmo com parte dos índices de Nova York em queda e o dólar mais firme.Para o analista, o comportamento desta sexta-feira deixa uma mensagem relevante: o apetite por ativos brasileiros continua presente e tem limitado, no curto prazo, o impacto de um cenário externo mais desafiador.Vale e bancos ajudam; Petrobras limita avançoA própria composição do Ibovespa também ajudou na recuperação.André Moraes, analista, fundador e CEO da Trade ao Vivo e chairman da BFR Investimentos, afirma que Vale e bancos ganharam força ao longo da sessão, ajudando a levar o índice de volta ao terreno positivo.Por volta das 15h, a Vale (VALE3) avançava 0,80% e o Itaú (ITUB4) subia 0,12%. Na direção contrária, a Petrobras PN (PETR4) recuava 1,20%, impedindo uma recuperação mais forte do índice.“O mercado brasileiro, num primeiro momento, sentiu, mas depois se recuperou bem, principalmente por conta de bancos e Vale”, afirma Moraes.Ibovespa chega aos 186,5 mil pontos e perde forçaA recuperação também levou o índice diretamente a uma região técnica importante.Moraes aponta os 186.500 pontos como uma primeira resistência para o Ibovespa. A máxima desta sexta-feira ficou praticamente sobre esse nível, aos 186.544 pontos.Depois disso, o índice devolveu parte do avanço e voltou à região dos 185,4 mil pontos.Assim, o payroll deixou duas forças claras no mercado nesta sexta-feira. De um lado, o emprego forte elevou as apostas de alta de juros nos Estados Unidos, pressionou os Treasuries e fortaleceu o dólar. De outro, o Ibovespa mostrou resiliência, apoiado por fatores domésticos e pela demanda por ativos locais.O equilíbrio entre essas duas forças deve continuar no radar, principalmente porque os próximos dados de inflação dos Estados Unidos ganharam ainda mais importância para a decisão do Fed em setembro.The post Payroll forte pressiona mercados; Ibovespa reage após queda inicial — entenda appeared first on InfoMoney.

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