O agronegócio representa 25% do PIB brasileiro – 40% se for considerada toda a cadeia do setor -, mas os produtores rurais não se sentem representados pelas campanhas da marcas nos meios de comunicação. Um dos motivos é que as próprias marcas que falam com o agro ainda estão presas a percepções estereotipadas de quem vive e trabalha no campo.Essa constatação foi tema de um dos painéis de Comunicação no Global Agribusiness Festival (GAFFFF), que está sendo realizado em São Paulo.Leia também“O futuro da agricultura não será só de ideias que tranquilizam”, diz VP da CortevaBrook Cunningham trata atual momento do agronegócio como “novo normal” em meio a restrições de crédito e incertezasSegundo a Na ocasião, foi apresentada pesquisa mostrando que 49% das pessoas do setor se sentem pouco ou nada representadas pelas marcas. E que 65% dos produtores rurais disseram não se sentir “admirados” pela sociedade.De onde vem esse abismo de percepção. Segundo Raquel Messias, estrategista de marca na A.GRO e uma das responsáveis pela pesquisa, o fatos de as pessoas ligadas ao agronegócio não se sentirem vistas ou ouvidas é fruto do que é conhecido como dissonância perceptiva. OU seja, há uma crença tão forte sobre algo que o cérebro escolhe o caminho mas fácil, de julgar o conteúdo pela forma.Esse caminho é visto no dia a dia, quando uma marca tenta falar com esse público. A opção é sempre pela música sertaneja, pela figura com chapéu e bota, pela família e tradição e por enaltecer “o herói que alimenta o Brasil”, listou Messias.Ela pondera que esses símbolos estão mesmo enraizados na percepção geral, mas que essa é apenas a “camada superficial”. “O mercado olha para o agro como um bloco único, mas há diferentes perfis”, explica.Ela usou o conceito da chamada curva de adoção para mostrar como essa percepção está equivocada. Num lançamento de marca ou de um produto tecnológico, como a adoção não é feita por todos ao mesmo tempo, a convenção e dividir o público entre “early adopters” (os primeiros a adotarem a novidade), seguidos pelo “mainstream”, (quando acontece a popularização) e, por fim retardatários.Embora a regra seja que existam números mais baixos de “early adopters”, a pesquisa mostrou que 43% do público agro adotam as novidade, que 89% dizem se interessar por novidades e apenas 9% disseram preferir fazer as coisas “do jeito tradicional”.“O agro é inovador é 2026, mas no imaginário coletivo está muitos anos atrás”, disse Messias. Quando a estética contradiz o fato, a mente fica com a estética, o estereótipo”, afirmou.Mas a solução é “tirar o chapéu”? Nunca, disse a estrategista de marca. “Ter uma identidade é importante. O problema é quando quem quer representar o Agro fica no superficial.Para Messias, um obstáculo a ser vencido é que o agro tem uma identidade, um imagético tão forte que fica fácil representá-lo dessa forma superficial. Para Luiz Felipe Nastari, Diretor da DATAGRO, é preciso conhecer os valores de quem está fazendo as coisas acontecerem no agro. “Isso é se conectar, contar essas histórias, se agregar aos valores de quem está na lida”.Messias fez quatro pedidos às marcas que estão interessadas de falar com esse público:Enxergar além do chapéu – Retratar a multiplicidade do agroRetratar o orgulho – Mostra que o “trabalhar duro” trouxe resultadosEntender as dores e oferecer soluções práticas – há possibilidade em temas como crédito, tributação, mão de obra, conectividade e clima e tempoUsar a marca para mudar como o agro é visto – Os novos padrões precisar estar retratadosThe post Pesquisa mostra que o agro quer ser visto além do chapéu e do sertanejo appeared first on InfoMoney.
