O cenário de petróleo mais caro melhorou as perspectivas para as petroleiras latino-americanas, mas o forte aumento dos custos de transporte marítimo pode impedir que produtoras brasileiras capturem integralmente esse benefício, segundo avalia o Goldman Sachs em relatório sobre as perspectivas do setor para o terceiro trimestre de 2026. O banco mantém preferência relativa pela Petrobras (PETR3; PETR4) entre as empresas de óleo e gás da América Latina.A instituição revisou para cima as estimativas para o Brent e elevou os preços-alvo das ações da estatal. Para PETR3, o alvo passou para R$ 62,60, enquanto para PETR4 subiu para R$ 58,50. O Goldman mantém recomendação de compra para os dois papéis.Saiba mais: Petrobras tem petróleo forte, produção e dividendos altos – UBS BB recomenda compraPetrobras pode pagar US$ 3,8 bi em dividendos no 3T mesmo com queda do Ebitda, diz XPA mudança ocorre após o banco elevar sua estimativa para o Brent em 2027 de US$ 72 para US$ 75 por barril. Para 2026, a projeção média passou de US$ 85,69 para US$ 91,34. Com petróleo mais caro, maior produção e melhora das perspectivas para as margens de refino no próximo ano, o Goldman aumentou sua projeção de Ebitda ajustado da Petrobras em 5% para 2026 e em 10% para 2027.Petróleo sobe, mas frete tambémHá, contudo, uma importante força contrária a esse cenário. O custo do frete marítimo de petróleo do Brasil para a China disparou para US$ 24 por barril em setembro, ante média de US$ 7 no segundo trimestre e apenas US$ 3 em 2025. Como parcela relevante do petróleo produzido na América Latina é exportada para a Ásia, a alta do transporte pode pressionar os preços efetivamente recebidos pelas empresas.O movimento é especialmente relevante porque o Brent físico para entrega imediata, conhecido como “dated Brent”, chegou a US$ 119 por barril, enquanto o contrato com vencimento em um mês estava em US$ 104. Em princípio, essa diferença poderia melhorar os preços realizados pelas produtoras. Dados de alta frequência citados pelo Goldman, porém, indicam que a Petrobras não conseguiu aproveitar totalmente essa diferença recentemente, possivelmente devido ao salto do frete.Leia tambémO fim das farmácias? Mercado Livre assusta, mas há motivos para queda forte do setor?Analistas veem risco competitivo com avanço do Mercado Livre nas farmácias, mas avaliam que impacto sobre lucros das grandes redes ainda é limitadoPor isso, o banco espera alguma deterioração sequencial dos diferenciais das exportações marítimas de petróleo tanto da Petrobras quanto da PRIO (PRIO3) no terceiro trimestre em relação ao segundo.Outro ponto é o momento em que a alta do petróleo aparece nos balanços. Segundo o Goldman, a Petrobras já explicou que a maior parte das exportações para a Ásia tem os preços definidos com cerca de um mês de defasagem. Como a valorização mais recente do Brent ocorreu apenas no fim do terceiro trimestre, parte do impacto positivo pode aparecer somente nos números do quarto trimestre.Petrobras: mais produção – e investimentosO Goldman também elevou significativamente sua expectativa de investimentos para a Petrobras. O banco projeta capex em caixa de aproximadamente US$ 20,5 bilhões em 2026, nível que espera ver praticamente mantido em 2027.A estimativa de cerca de US$ 20 bilhões anuais para 2026 e 2027 fica aproximadamente 20% acima do ponto médio da orientação original da companhia para os dois anos. O aumento está relacionado, entre outros fatores, à expectativa de que a Petrobras conecte três novas plataformas no campo de Búzios no primeiro semestre de 2027, exigindo aceleração dos investimentos já no segundo semestre deste ano.O capex maior pode reduzir o espaço para distribuição de dividendos. Por outro lado, os analistas ressaltam que a aceleração dos investimentos está associada ao esforço para antecipar novas unidades e reduzir riscos para a trajetória futura de produção. O Goldman está 9% acima do guidance da Petrobras para produção de petróleo em 2026 e 14% acima para 2027.Para o terceiro trimestre, a previsão do banco é de produção total de 3,471 milhões de barris de óleo equivalente por dia, aumento de 10% em relação ao mesmo trimestre de 2025. O Ebitda ajustado é estimado em R$ 85,1 bilhões, crescimento de 33% na comparação anual, enquanto o lucro líquido atribuível aos acionistas é projetado em R$ 38,2 bilhões, alta de 17% em um ano.O Goldman também espera que a Petrobras anuncie US$ 2,7 bilhões em dividendos junto com o resultado do terceiro trimestre, equivalentes a um dividend yield estimado de cerca de 2%.Diesel pode ser outro suporteAlém da produção, o refino aparece como potencial suporte. Os spreads de diesel na Costa do Golfo dos Estados Unidos superaram US$ 100 por barril no terceiro trimestre, e a equipe de commodities do Goldman avalia que as margens de refino podem permanecer elevadas por mais tempo.Para a Petrobras, porém, o benefício no terceiro trimestre tende a ser limitado pela diferença entre os preços domésticos e internacionais do diesel. O Goldman calcula que os preços da estatal estejam cerca de 21% abaixo da paridade internacional, mesmo considerando o aumento recente dos subsídios aos combustíveis.Ainda assim, a combinação de exposição a petróleo e diesel, crescimento da produção e valuation é justamente o que sustenta a preferência do Goldman pela estatal. Considerando Brent médio de US$ 75 por barril e spreads do diesel de US$ 50, o banco calcula um rendimento de fluxo de caixa livre de 16% para 2027, mesmo incorporando capex cerca de 20% superior ao guidance.PRIO no radarPara a PRIO (PRIO3), o Goldman também mantém recomendação de compra, mas reduziu o preço-alvo de R$ 68,60 para R$ 66,40. Embora tenha aumentado as estimativas de Ebitda ajustado em 6% para 2026 e 2027, refletindo o petróleo mais caro, o banco diminuiu suas projeções de dividendos para 2027 a 2029 diante da maior volatilidade do petróleo, que pode exigir maior disciplina na alocação de capital.Para o terceiro trimestre, a expectativa é de Ebitda ajustado de US$ 930 milhões, 17% acima do consenso compilado pela Bloomberg. A produção bruta deve chegar a 191,5 mil barris de óleo equivalente por dia, avanço de 11% ante o segundo trimestre e mais que o dobro do registrado um ano antes.The post Petrobras: Goldman vê dividendo de US$ 2,7 bi no 3º tri e reforça preferência na AL appeared first on InfoMoney.
