O Bank of America (BofA) reforçou sua visão positiva para as duas principais teses do setor de petróleo na Bolsa brasileira, mas por motivos diferentes. A aposta em Petrobras (PETR3; PETR4) está cada vez mais apoiada na qualidade dos ativos do pré-sal e em uma possível reprecificação dos múltiplos, a recomendação para PRIO (PRIO3) se concentra na capacidade de gerar caixa e distribuir recursos aos acionistas nos próximos anos.A instituição reiterou recomendação de compra para ambas as empresas e elevou seus preços-alvo. Para Petrobras, o preço-alvo passou de R$ 55 para R$ 70 por ação, enquanto para PRIO o novo alvo é de R$ 74, ante R$ 71 anteriormente.Petrobras: mercado subestima o pré-sal?A principal mensagem dos analistas sobre Petrobras é que o mercado continua subestimando os ganhos estruturais dos campos do pré-sal.Segundo o banco, os investidores tendem a tratar os ativos do pré-sal de forma semelhante aos campos convencionais do pós-sal, ignorando características geológicas que permitem recuperação maior do petróleo, produção mais elevada por poço,platôs de produção mais longos e declínio mais lento da produção.O BofA argumenta que os reservatórios do pré-sal possuem óleo mais leve, reservatórios gigantescos e elevada permeabilidade horizontal, fatores que favorecem produtividade superior e ajudam a explicar por que campos como Búzios, Tupi e Mero continuam surpreendendo.Com isso, o banco elevou suas projeções de produção para 2,94 milhões de barris por dia em 2027 e 3,08 milhões de barris por dia em 2028. Os números ficam acima das metas do próprio plano de negócios da Petrobras, que trabalha com cerca de 2,6 milhões e 2,7 milhões de barris por dia, respectivamente.Leia tambémJuros disparam pelo mundo: o que investidor deve fazer agora?Rendimento dos títulos americanos volta a subir após dado de inflação e reacende o temor de escalada; veja os riscos para os ativos brasileiros e como montar a carteiraA consequência dessa visão é uma expectativa de crescimento superior à observada entre as grandes petroleiras globais.O BofA projeta expansão média anual da produção da Petrobras de 6,7% entre 2026 e 2028, acima de Exxon (5,7%), Galp (5,1%), Shell (4,8%), TotalEnergies (4,4%) e Chevron (2,3%). Além da expansão operacional, o banco continua vendo Petrobras negociando com desconto relevante em relação aos pares internacionais.Segundo seus cálculos, a companhia negocia a aproximadamente 3,5 vezes EV/Ebitda (valor da empresa/lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) projetado para os próximos 12 meses, o que representa desconto de cerca de 55% frente a Exxon e Chevron, 18% em relação às europeias e 29% na comparação com asiáticas.Para o BofA, esse desconto embute um prêmio político excessivo que não condiz com a governança observada nos últimos anos. Outro ponto central da tese é a capacidade de geração de caixa, com o banco estimando para Petrobras, com FCFE yield (rendimento de fluxo de caixa do acionista) de 18,4% em 2027 e FCFE yield de 12,5% em 2028. Além disso, projeta dividend yield (dividendo em relação ao preço da ação) de 11,2% em 2027 e 8,3% em 2028. Segundo a instituição, esses níveis permanecem superiores aos observados entre as maiores petrolíferas do mundo.PRIO: a história é de caixa e distribuiçãoA tese de investimento de PRIO, por sua vez, gira em torno da geração de caixa, uma vez que o BofA afirma que a companhia se consolidou como uma das maiores histórias de criação de valor da Bolsa brasileira, combinando aquisições disciplinadas e ganhos operacionais nos campos maduros da Bacia de Campos.O banco destaca que o crescimento da companhia nos últimos anos ocorreu principalmente por meio da compra de ativos maduros e aumento da produtividade dos campos adquiridos.Por isso, a principal métrica observada pela casa é a capacidade de geração de caixa livre. A estimativa do BofA aponta FCFE de US$ 3,4 bilhões em 2027 e FCFE de US$ 2,8 bilhões em 2028. Isso implica yields de aproximadamente 28% em 2027 e 23% em 2028.Leia tambémB3 passa a ter 12 empresas com valor de mercado acima de R$ 100 bilhões; veja rankingPetrobras e Itaú são as mais valiosasOutra mudança importante é a incorporação de dividendos ao modelo de avaliação da companhia. O banco espera que a política futura de distribuição esteja ligada tanto ao preço do petróleo quanto à alavancagem financeira, com a administração buscando manter dívida líquida abaixo de 1 vez Ebitda mesmo em cenários mais conservadores para o Brent.Nesse contexto, o BofA estima distribuições anuais de US$ 2 bilhões a US$ 2,1 bilhões em 2027. Os pagamentos representariam dividend yields ao redor de 18% ao ano.Com a atualização do cenário de petróleo para Brent de US$ 93 por barril em 2026Brent de US$ 80 em 2027 e o preço-alvo da PRIO foi elevado para R$ 74 por ação.The post Petrobras ou PRIO? BofA vê duas teses diferentes para surfar o petróleo appeared first on InfoMoney.
