O diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, alertou nesta quinta-feira, 21, que o mercado global de petróleo pode entrar em uma “zona vermelha” entre julho e agosto, diante da combinação entre o pico sazonal de demanda no verão do Hemisfério Norte, a interrupção das exportações do Oriente Médio e a redução dos estoques globais.Durante evento na Chatham House, em Londres, Birol afirmou que “podemos estar entrando na zona vermelha em julho ou agosto se não houver melhora na situação”, em referência à crise energética provocada pela guerra envolvendo o Irã e pelo fechamento efetivo do Estreito de Ormuz.Leia mais: AIE alerta para “zona vermelha” no petróleo entre julho e agosto por crise em OrmuzHoje, o Brent, referência global, é negociado em torno de US$ 104 a US$ 105 o barril, depois de ter rondado US$ 72 apenas uma semana antes do início da guerra. A cotação chegou a bater US$ 114 no início de maio e, segundo Birol, pode ultrapassar US$ 120 caso os confrontos sejam retomados.O que é “zona vermelha”?Na prática, a “zona vermelha” descreve um cenário em que os estoques e reservas foram consumidos a tal ponto que qualquer interrupção adicional na oferta tem potencial para gerar falta de produto e novos aumentos de preços.A liberação de 400 milhões de barris de reservas estratégicas — bem acima dos 182,7 milhões liberados em 2022, durante a guerra da Rússia na Ucrânia — ajudou a amortecer o choque recente. Ainda assim, o movimento não foi suficiente para recompor a folga do sistema, e essas reservas agora estão próximas da exaustão.Birol alerta que, se esse limite for rompido, os impactos mais severos devem recair sobre países mais pobres, especialmente na África e no sudeste asiático, com efeitos em cadeia que podem incluir até risco de escassez de alimentos.Por que o alerta de “zona vermelha” agora?A Agência Internacional de Energia (AIE) já vinha falando em “a mais severa interrupção” de oferta da história. Em abril, o diretor Fatih Birol afirmou à CNBC: “Estamos enfrentando a maior ameaça à segurança energética da história”. Agora, o tom de alerta subiu mais um degrau.Um dos fatores é a chegada das férias de verão no hemisfério norte, período de pico de viagens. Isso pressiona a demanda por combustíveis e já se reflete na alta do querosene de aviação, enquanto companhias aéreas tentam segurar tarifas em um ambiente de custos crescentes.“Estamos enfrentando a maior ameaça à segurança energética da história”, afirmou em 23 de abril à CNBC. “Até hoje, já perdemos 13 milhões de barris por dia de petróleo… e há grandes interrupções em commodities vitais”, afirmou ele ao repórter Steve Sedgwick, em participação virtual no evento CNBC’s CONVERGE LIVE, em Cingapura.Birol já havia alertado que a guerra envolvendo o Irã e o fechamento contínuo do Estreito de Hormuz resultariam na “maior crise de energia que já enfrentamos” e pediu, na época, que os governos reforçassem sua resiliência com fontes alternativas de energia.(com CNBC e Reuters)The post Petróleo: o que é zona vermelha que motivou alerta da AIE sobre preços da commodity? appeared first on InfoMoney.
