(Bloomberg) — O petróleo se recuperou da sua menor cotação em quase meia década, enquanto os EUA preparam novas medidas contra a Rússia caso Moscou rejeite um acordo de paz, e bloqueiam petroleiros sancionados na costa da Venezuela.Os contratos futuros do Brent subiram até 2,5%, ultrapassando os US$ 60 por barril. Washington está considerando opções como atingir a chamada frota paralela de petroleiros e comerciantes russos que facilitam suas exportações, caso o presidente Vladimir Putin rejeite um acordo proposto com a Ucrânia, o que destaca o risco de que um acordo para encerrar o conflito esteja longe de ser concluído.O presidente Donald Trump também afirmou que a Venezuela está “completamente cercada pela maior armada já reunida na história da América do Sul”, ao iniciar um esforço para bloquear o fluxo de petróleo sancionado do país. Embora a escalada de Washington tenha reintroduzido um elemento de risco geopolítico, qualquer impacto em um mercado que caminha para um excesso de oferta provavelmente será marginal, visto que a produção da Venezuela representa atualmente menos de 1% da oferta global.Leia tambémOuro volta a se aproximar de recorde com dados dos EUA e tensão na Venezuela“As tensões parecem estar aumentando gradualmente”, disse David Wilson, estrategista sênior de commodities do BNP ParibasO petróleo da Venezuela é foco da campanha de Trump contra MaduroO país detém cerca de 17% das reservas conhecidas de petróleo do mundo, ou mais de 300 bilhões de barris, quase quatro vezes o volume dos Estados Unidos. E nenhum país tem uma presença maior na indústria petrolífera venezuelana do que a ChinaA série de sanções contra a Rússia não alterou os cálculos de Putin até o momento, nem reduziu significativamente as exportações, mas o Kremlin afirmou que as sanções são prejudiciais à reconstrução das relações com os EUA.O petróleo permanece a caminho de registrar queda anual, com a oferta prevista para superar a demanda tanto neste ano quanto no próximo, impulsionada principalmente pela OPEP+, que está retomando a produção ociosa em ritmo acelerado, e por outros produtores que estão aumentando a produção. Sinais de fragilidade do mercado estão surgindo dos EUA ao Oriente Médio, enquanto os investidores se preparam para um excedente que a Agência Internacional de Energia prevê ser o maior desde a pandemia.“O mercado de petróleo tem, de modo geral, absorvido os riscos de oferta com relativa tranquilidade recentemente, dada a escala do excedente esperado até 2026”, disse Warren Patterson, chefe de estratégia de commodities do ING Groep NV, com sede em Singapura.A produção de petróleo da Venezuela aumentou desde que atingiu o nível mais baixo em 2020, mas está longe dos patamares de décadas atrás. Petroleiros carregaram quase 590 mil barris por dia para exportação no mês passado, em comparação com o consumo global de mais de 100 milhões de barris por dia. A maior parte do petróleo bruto do país é destinada à China.O petróleo Merey, principal produto da OPEP, é frequentemente usado na fabricação de betume para pavimentação de estradas na China. Os contratos futuros de betume em Xangai dispararam na quarta-feira, saindo do menor nível em quatro anos e registrando a maior alta desde junho.The post Petróleo sobe com o aumento dos riscos geopolíticos, da Rússia à Venezuela appeared first on InfoMoney.
