Ainda sem bater o martelo sobre a posição que adotará no Rio, a federação União-PP tem papel decisivo para determinar se Douglas Ruas (PL) vai conseguir um tempo no horário eleitoral gratuito parecido com o de Eduardo Paes (PSD), cuja aliança lhe garante a maior fatia da propaganda na TV e no rádio. Se continuar na chapa do PL, o conglomerado partidário fará o presidente da Assembleia Legislativa equilibrar o jogo, o que é tido como fundamental para ele se tornar conhecido do eleitorado. Caso fiquem neutras, as siglas deixarão o ex-prefeito carioca ostentar mais que o dobro do adversário.A fim de manter os partidos na coligação, o PL topa abraçar a candidatura ao Senado do ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União), liberado do uso de tornozeleira eletrônica na semana passada após decisão do ministro Alexandre de Moraes. Ele havia sido preso em flagrante no início do mês por ter um fuzil no carro durante operação da Polícia Federal que apurava suposta lavagem de dinheiro por meio de postos de combustível. Moraes, contudo, entendeu que não era necessário o uso do equipamento.Antes da liberdade, o PL vinha considerando a candidatura “inviável”, mas com cuidado para não melindrar o União. Ainda assim, a decisão de manter apoio a Canella não encerrou o desconforto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o aliado. O senador vetou a permanência da sua mãe, Rogéria Bolsonaro, como suplente do ex-prefeito. Flávio também deve evitar aparições públicas ao lado do candidato na campanha.Leia tambémFlávio Bolsonaro irá à convenção que confirmará candidatura de Tarcísio em São PauloA presença do senador na convenção do Republicanos reforça a aliança entre Flávio Bolsonaro e Tarcísio na eleição para a Presidência neste anoCaiado sobre Flávio em convenção do PL: Desceu a um nível rasteiro de agressão“Foi uma convenção em que o candidato perdeu com a Argentina e perdeu com um avatar”, comentou ao citar participação de MileiAinda não foi feito um anúncio sobre a decisão dos partidos. O PP tem pendido para o lado de Paes, e os quadros mais relevantes da sigla no estado defendem a neutralidade. Tanto que o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa era o vice de Ruas, mas abandonou a parceria e pretende pedir votos para o candidato do PSD. Cacique do partido no Rio, o deputado federal Dr. Luizinho chegou a participar de uma agenda de Paes nas últimas semanas.Palavra de RuedaNo Rio, porém, quem dá a palavra final na federação é o presidente do União, Antonio Rueda. Pernambucano, ele transferiu o domicílio eleitoral para o estado, tem Canella como principal aliado e é candidato a deputado federal. Para incentivar a permanência da federação, o PL deu a ele, além da manutenção de Canella, o direito de indicar um novo vice.Ao mesmo tempo, o grupo de Paes joga com sinalizações de espaço no eventual futuro governo, pegando carona no favoritismo do ex-prefeito, e tenta a neutralidade da federação. Um dos postos ventilados é o de apoio a um candidato a presidente da Alerj que seja do União-PP.Para calcular o tempo de TV, que ainda não foi oficializado pela Justiça Eleitoral, O GLOBO levou em conta o desempenho dos seis maiores partidos de cada aliança, desde que eles tenham atingido a cláusula de barreira na última eleição para a Câmara dos Deputados. Conforme a legislação, essa matemática corresponde a 90% da distribuição dos 12 minutos e 30 segundos de cada bloco publicitário entre os partidos. Os outros 10% são distribuídos igualmente para os candidatos cujas siglas têm a representatividade mínima.Assim, a aliança de Paes contabiliza a federação PT-PCdoB-PV, o próprio PSD, MDB, PSDB-Cidadania, Podemos e PDT. Ainda sem calcular a distribuição dos 10% igualitários, o candidato teria 42,7% do espaço no bloco midiático, o que corresponde a cerca de cinco minutos e 25 segundos. Também exibiria mais inserções ao longo da programação.Apoio decisivoSem a federação, Ruas ficaria com 20,8%, soma do próprio PL com o Avante. Caso União e PP continuem, o cenário muda, já que a dupla conta com a maior parcela do tempo de propaganda. O candidato ocuparia 41,5% de cada bloco, com cerca de cinco minutos e dez segundos — quase empatado com Paes.Depois da convenção do PL, na sexta-feira passada, o presidente estadual do partido, Altineu Côrtes, disse que recebeu a “palavra” dos dirigentes da federação.— Fazemos política honrando a palavra, e nós temos a palavra do deputado Luizinho, presidente do PP, e do Antonio Rueda, que é o presidente da federação: a federação estará aqui na coligação — afirmou.Empatado com Ruas na pesquisa Genial/Quaest, o ex-governador Anthony Garotinho conta com os 56 segundos aos quais o Republicanos tem direito, além do que receberá da distribuição geral. William Siri (PSOL) soma 23 segundos.The post PL aceita Canella em chapa de olho em igualar tempo de TV de Ruas com o de Paes appeared first on InfoMoney.
