PMIs na Europa comprovam que incerteza com a guerra contagiou expectativas

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A nova rodada de pesquisas com gerentes de compras nas grandes economias europeias, divulgadas nesta quinta-feira (23), mostra o crescente contágio da Guerra no Oriente Médio nas expectativas das empresas. O cenário comum é de o setor de serviços em queda, mostrando menor disposição para o consumo, e percepção de alta nos custos de produção, com tentativas de repasse ao consumidor.Os PMIs industriais de França e Reino Unidos avançaram, apontando para uma antecipação de compras visando estoques preventivos. Mas a manufatura alemã atravessa um momento delicado, com a atividade em abril tendo caído pela primeira vez em um ano.Veja abaixo análises dos PMIs de Alemanha, França e Reino UnidoAlemanhaO PMI composto da Alemanha, calculado pela S&P Global, encolheu de 51,9, em março, para 48,3 em abril, passando assim para o território de contração (abaixo de 50) pela primeira vez desde maio do ano passado. Embora o dado indique apenas um ritmo moderado de queda, foi a leitura mais baixa desde dezembro de 2024.Essa retração foi liderada por uma redução acentuada na atividade do setor de serviços, que registrou sua pior queda em quase três anos e meio (o índice fiou em 46,9). Já o crescimento da produção manufatureira desacelerou fortemente em relação à máxima de 49 meses registrada em março, caindo para o ritmo mais lento desde janeiro (índice de 51,7).Os dados também mostraram um aumento persistente das pressões de custo enfrentadas pelas empresas devido à guerra no Oriente Médio, com as empresas frequentemente relatando altas nos custos de energia, combustível e transporte. A taxa geral de inflação de custos de insumos atingiu o nível mais alto desde novembro de 2022.Os fabricantes, que também relataram com frequência preços mais altos pagos por materiais como metais e plásticos, enfrentaram assim fortes pressões de custo, consideradas as mais intensas no setor em mais de três anos e meio. A taxa de aumento dos custos de insumos dos prestadores de serviços também acelerou, atingindo o nível mais elevado desde março de 2023.As empresas foram mais agressivas na definição de preços em abril, ao tentar repassar parte do aumento de custos aos clientes. As taxas de inflação nos preços de saída de serviços e manufatura foram as mais altas em 35 e 39 meses, respectivamente.Segundo Phil Smith, diretor associado da S&P Global Market Intelligence, a recuperação da economia alemã, que já durava 10 meses, foi interrompida pela guerra no Oriente Médio. “O setor de serviços sofreu o impacto imediato mais forte, registrando no início do segundo trimestre sua queda mais acentuada em quase três anos e meio. O setor manufatureiro ainda apresentou uma leve alta na produção e nas novas encomendas, embora haja sinais de alerta de que também pode logo retornar à contração, com o crescimento da produção e das vendas desacelerando de forma acentuada e os fabricantes agora relatando uma perspectiva pessimista para o próximo ano”, comentou.FrançaO setor privado da França entrou em contração mais profunda no início do segundo trimestre, de acordo com os dados da pesquisa PMI da S&P Global. Assim como na Alemanha, a queda mais acentuada na atividade econômica em abril refletiu uma deterioração no setor de serviços, enquanto a produção industrial avançou no ritmo mais forte em mais de quatro anos.“Pedidos antecipados de clientes, diante da expectativa de escassez e aumento de preços, impulsionaram novas expansões nas vendas das fábricas, na atividade de compras e nos estoques”, diz a consultoria.As pressões de custo também continuaram a aumentar de forma significativa na França, com a inflação de preços de insumos acelerando novamente e atingindo o maior nível em três anos. “O repasse para os preços cobrados permaneceu contido, porém, com os preços de venda subindo moderadamente em relação a março. Ainda assim, o ritmo de inflação dos preços de saída foi o mais rápido desde agosto de 2024.”Assim, o PMI Composto caiu de 48,8 em março para 47,6 em abril, seu nível mais baixo desde fevereiro de 2025.As tendências setoriais de produção divergiram de forma nítida em abril. A atividade econômica agregada foi puxada para baixo pelo setor de serviços, com a cautela dos clientes nesse segmento contribuindo para a queda mais rápida dos volumes de vendas, no nível composto, em um ano.Em contraste, o crescimento da produção industrial se recuperou, alcançando uma máxima de 50 meses, à medida que a formação de estoques de segurança pelos clientes levou as encomendas às fábricas a voltarem a crescer pela primeira vez em quase quatro anos.No segmento industrial, as fábricas francesas acumularam estoques, tanto de bens em fase de produção quanto de produtos acabados, à medida que a guerra no Oriente Médio provocou uma mudança nas estratégias de suprimentos. Em abril, foram citadas expectativas de aumentos de preços, escassez e prazos de entrega mais longos.Em relação às pressões de custo, os resultados apontaram outro aumento expressivo, com a taxa geral de inflação de preços de insumos acelerando para o maior nível em três anos. As empresas industriais foram particularmente afetadas pela alta de despesas no início do segundo trimestre, registrando o aumento de custos mais rápido desde junho de 2022.O Índice de Preços de Insumos para a indústria ficou mais de 13 pontos acima da medida equivalente para serviços. Custos mais altos de energia, combustível, transporte, produtos químicos e metais foram frequentemente mencionados pelos participantes.Já repasse para os preços finais cobrados no setor privado como um todo permaneceu contido, embora as pressões inflacionárias tenham aumentado em abril. As empresas de serviços registraram apenas uma alta marginal nas tarifas cobradas, ao passo que a inflação dos preços de saída na indústria saltou para o maior nível em 38 meses.Na avaliação de Joe Hayes, economista da S&P Global Market Intelligence, a economia de serviços francesa se deteriorou devido à menor disposição para gastar – uma consequência típica da incerteza.Sobre os preços, o especialista citou que a inflação na indústria subiu ainda mais em abril, como esperado, à medida que uma série de custos de matérias-primas aumentou, o transporte ficou mais caro e os gargalos de oferta pressionaram os preços.“As empresas de serviços também estão sentindo a pressão de custos de transporte mais elevados. O mais notável é que o repasse para os preços cobrados por bens e serviços continua contido. As tarifas de serviços mal se moveram desde o início da guerra, o que é um sinal bem-vindo para os formuladores de política no Banco Central Europeu. Resta saber, porém, por quanto tempo isso continuará, dado o aperto que as margens corporativas devem estar sentindo.”Reino UnidoOs dados preliminares de abril indicaram que o crescimento da atividade empresarial voltou a ganhar impulso no setor privado do Reino Unido, após atingir uma mínima de seis meses em março. Isso foi sustentado por altas moderadas tanto na produção industrial quanto na atividade do setor de serviços.No entanto, a inflação de custos de insumos continuou a acelerar de forma acentuada e atingiu o nível mais alto desde novembro de 2022. Isso foi liderado por um rápido aumento nos preços de matérias-primas no setor industrial.As empresas de serviços também enfrentaram um forte aumento das pressões de custo, em grande parte devido aos preços mais altos dos combustíveis. A aceleração da inflação de custos no setor de serviços desde março foi a maior para um único mês desde o início desse índice, em julho de 1996.O PMI Composto registrou 52,0 em abril, acima dos 50,3 de março, sinalizando uma expansão moderada da atividade empresarial no setor privado do Reino Unido. “Níveis mais altos de produção vêm sendo registrados nos últimos 12 meses, e a expansão mais recente foi um pouco mais forte que a média desse período. A produção industrial voltou a crescer em abril, após um leve recuo no mês anterior”, disse a S&P Global.Como nas outras economias europeias, algumas empresas indicaram que clientes anteciparam pedidos e buscaram formar estoques de segurança na expectativa de aumento de preços e de restrições de oferta. Também houve relatos de que a escassez de matérias-primas e as interrupções no transporte internacional pesaram sobre os volumes de produção em abril.Já a taxa de expansão da atividade no setor de serviços se recuperou em relação à mínima de 11 meses registrada em março, mas permaneceu bem abaixo dos níveis observados no início de 2026. A consultoria citou evidências de ventos favoráveis vindos de investimentos em tecnologia, novas iniciativas de marketing e planos de desenvolvimento de negócios de longo prazo. No entanto, muitas empresas apontaram desafios decorrentes da guerra no Oriente Médio.Custos de transporte mais altos, juntamente com a menor confiança de empresas e consumidores, foram amplamente reportados no Reino Unido como fatores que limitam a demanda dos clientes.As pressões inflacionárias também se intensificaram fortemente no setor de serviços. O índice de preços de insumos, ajustado sazonalmente, indicou a maior aceleração mês a mês da inflação de custos de insumos em serviços desde o início da pesquisa, há quase 30 anos.Mais da metade dos entrevistados (58%) reportou preços de insumos mais altos, enquanto apenas 2% registraram redução. As evidências anedóticas apontaram de forma quase unânime para maiores custos de combustível em abril, além de fortes pressões salariais.Os esforços para repassar os custos mais altos levaram a novo aumento acentuado nos preços cobrados pelas empresas do setor privado em abril. A taxa de inflação foi a mais elevada desde fevereiro de 2023, refletindo fortes altas nos preços finais tanto na indústria quanto nos serviços.The post PMIs na Europa comprovam que incerteza com a guerra contagiou expectativas appeared first on InfoMoney.

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