A decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas recebeu apoio da maioria dos brasileiros e pode reforçar a batalha pela narrativa da segurança pública, uma das principais bandeiras da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).A pesquisa PoderData realizada entre 30 de maio e 1º de junho mostra que 53% dos entrevistados avaliam a medida como positiva para o Brasil. Outros 33% consideram a decisão ruim para o país, enquanto 14% não souberam responder.O resultado surge poucos dias depois de Flávio ter se reunido com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca. Após o encontro, o senador afirmou que havia solicitado formalmente ao governo americano a classificação das facções brasileiras como organizações terroristas.O gesto foi visto em Brasília como uma vitória política potencial para o pré-candidato do PL, sobretudo porque o tema da segurança tende a ocupar espaço central na disputa presidencial de 2026.Leia tambémGoverno brasileiro tem até 15 de julho para evitar novo tarifaço dos EUAHaverá, no mês que vem, uma audiência pública na qual poderão ser ouvidos representantes de indústrias e organizações brasileiras e americanasTarifaço por trabalho forçado tem longa lista de produtos isentosO documento traz uma lista de 75 páginas de produtos que não serão afetados pelas tarifas de 10% ou 12,5% (caso do Brasil)Discurso da soberaniaQuando os Estados Unidos anunciaram a medida, o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu afirmando que a classificação poderia abrir espaço para interferências estrangeiras em assuntos internos do Brasil.O argumento, porém, enfrenta dificuldades para ganhar tração junto à opinião pública.Na avaliação de integrantes do governo e da oposição, a discussão sobre soberania nacional costuma ser mais abstrata para parte do eleitorado do que a promessa de combate ao crime organizado.A palavra “terrorismo” carrega um significado imediato para a população e se conecta diretamente à preocupação crescente com violência, facções criminosas e insegurança urbana.Nesse contexto, a decisão americana tende a ser interpretada por muitos eleitores mais como uma medida de enfrentamento ao crime do que como uma questão diplomática.Flávio tenta colher dividendosO resultado da pesquisa reforça uma leitura que já circulava entre aliados do senador. A avaliação é que, caso a associação entre a decisão dos EUA e a atuação de Flávio em Washington se consolide, o pré-candidato poderá se beneficiar eleitoralmente por ter colocado a segurança pública no centro de sua agenda internacional.O encontro com Trump ocorreu em 26 de maio. Dias depois, o Departamento de Estado formalizou a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas.O próprio senador passou a destacar o episódio em entrevistas e manifestações públicas, apresentando-o como resultado de articulações realizadas durante sua viagem aos Estados Unidos.A pesquisa do PoderData sugere que, neste momento, a pauta da segurança encontra mais respaldo popular. O impacto político da disputa comercial, porém, ainda dependerá dos próximos passos da negociação entre Brasília e Washington.O levantamento ouviu 2.500 pessoas em 166 municípios entre os dias 30 de maio e 1º de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%.The post PoderData: Segurança impulsiona Flávio, mas tarifaço de Trump cria risco eleitoral appeared first on InfoMoney.
