Pompeo afirma que acordo de Obama deu ao Irã caminho para ampliar poder militar

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Em meio à escalada de tensões no Oriente Médio, o ex-secretário de Estado dos EUA Mike Pompeo criticou o acordo nuclear firmado durante o governo do ex-presidente Barack Obama com o Irã, afirmando que o entendimento permitiu ao regime iraniano fortalecer seu programa militar e ampliar sua atuação na região.Durante sua participação na Expert XP, nesta sexta-feira (24), Pompeo defendeu uma política externa baseada em dissuasão e afirmou que Teerã responde às tentativas de acordo com os EUA apenas quando enfrenta custos elevados por suas ações.Segundo ele, o principal erro do primeiro acordo firmado com o governo iraniano foi abrir caminho para que o país preservasse sua capacidade de desenvolver armamentos enquanto continuava financiando grupos armados e expandindo sua influência regional.“O acordo permitiu que os iranianos continuassem desenvolvendo seu programa de mísseis e mantivessem uma trajetória rumo à capacidade nuclear”, afirmou. Pompeo também disse que o regime utilizou esse período para fortalecer organizações que atuam em diferentes regiões do mundo.Na visão do ex-secretário, essa lógica também explica a postura adotada pelos Estados Unidos em relação ao Irã durante o governo Donald Trump. Assim que assumiu o cargo, o presidente norte-americano retirou o país do acordo nuclear e restabeleceu sanções econômicas contra Teerã.Leia tambémEm SP, ex-secretário de Trump diz que tarifa ao Brasil tem interesse apenas comercialQuestionado sobre haver estratégia política por trás das medidas contra o país, Mike Pompeo citou como justificamente somente o fortalecimento da indústria americana, segurança nacional e a triangulação de produtos chinesesPressão sobre aliadosPompeo argumentou ainda que a estratégia iraniana passa por exercer pressão sobre países vizinhos e aliados dos Estados Unidos, em uma tentativa de influenciar decisões do governo Trump.Segundo ele, ataques e ameaças a governos da região buscariam provocar desgaste político e levar parceiros americanos a defender uma redução da pressão sobre o regime iraniano.“Eles acreditam que esses líderes irão a Washington pedir que os Estados Unidos parem. Esse é o método para tentar fazer os americanos recuarem”, afirmou.Acordos de AbraãoAo comentar a política para o Oriente Médio durante a administração Trump, Pompeo destacou os Acordos de Abraão, que normalizaram relações diplomáticas entre Israel e países árabes.Segundo ele, a iniciativa rompeu uma lógica que condicionava qualquer aproximação entre Israel e o mundo árabe à resolução prévia do conflito israelo-palestino.“Durante décadas se acreditou que não seria possível avançar sem resolver primeiro essa questão. Os Acordos de Abraão mostraram que era possível construir relações mesmo antes disso”, afirmou.Para Pompeo, a continuidade dessa estratégia depende da manutenção de uma postura firme das democracias diante de regimes considerados hostis e da disposição de seus aliados para ampliar investimentos em defesa e segurança.O tema voltou à discussão após os EUA e a Arábia Saudita anunciarem, na quarta-feira, um acordo sobre energia nuclear civil, permitindo que o reino enriqueça urânio e construa reatores nucleares com tecnologia norte-americana, sem exigir as inspeções repentinas da ONU que Washington havia exigido anteriormente do Irã.O acordo, no entanto, está condicionado à adesão de Riad aos Acordos de Abraão para normalizar suas relações com Israel.Os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein assinaram os Acordos de Abraão durante o primeiro mandato de Trump, em 2020, tornando-se os primeiros países árabes a reconhecer Israel em um quarto de século. Marrocos e Sudão seguiram o exemplo.Relação com a ChinaAo longo da conversa, Pompeo comentou também a disputa estratégica entre Estados Unidos e China. O ex-secretário afirmou que a concorrência com Pequim vai além do comércio e envolve uma disputa por influência política e ideológica. Segundo ele, o Partido Comunista Chinês procura enfraquecer a confiança das sociedades ocidentais em suas próprias instituições e valores.Ao mesmo tempo, fez uma distinção entre o governo chinês e a população do país, afirmando que deseja prosperidade para a economia chinesa, mas considera Xi Jinping um adversário das democracias liberais.Ao avaliar o cenário internacional, o ex-secretário observou que a invasão da Ucrânia levou países europeus a reverem suas políticas de defesa e segurança. Segundo ele, governos que antes relutavam em ampliar investimentos militares passaram a reconhecer a necessidade de fortalecer a capacidade de dissuasão. “A maneira de evitar guerras é fazer o trabalho difícil da dissuasão”, afirmou.Na parte final do painel, Pompeo adotou um tom mais amplo sobre o papel das democracias. Ele afirmou que Estados Unidos e seus aliados cometem erros, mas argumentou que preservar a confiança nas instituições e transmitir esses valores às novas gerações será decisivo para enfrentar os desafios geopolíticos das próximas décadas. Segundo ele, essa disputa será tão importante quanto os embates militares e econômicos entre as grandes potências.The post Pompeo afirma que acordo de Obama deu ao Irã caminho para ampliar poder militar appeared first on InfoMoney.

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