No primeiro trimestre de 2026, quase R$ 54 bilhões foram aportados na B3, em fluxo visto apenas no primeiro trimestre de 2022. Agora, mais de 25% do dinheiro estrangeiro que havia entrado na Bolsa brasileira desde o início do ano foi embora no mês de maio. Entre 15 de abril e 12 de maio, mais de R$ 22 bilhões deixaram o mercado acionário local, em um movimento quase ininterrupto: foram 19 dias de saídas em 21 pregões. O pico de saídas aconteceu em 15 de maio, com retirada de R$ 2,4 bilhões da B3. Leia tambémSuporte perigoso: Ibovespa acumula 12% de correção e já mira perda dos 172 mil pontosBolsa brasileira amplia movimento corretivo e perde suporte dos 175 mil pontos; Ibovespa acumula 23 pregões de correçãoIbovespa em queda: veja 4 motivos que explicam movimento (e o que esperar)Dois dos fatores que fizeram o índice recuar nos últimos dias ainda assombram o Ibovespa nesta terça e devem seguir nos olhares de investidores: política no Brasil e movimento do petróleoSegundo relatório do JPMorgan da semana passada, depois de um início de ano marcado por forte entrada de capital – R$ 70 bilhões até meados de abril – , a tese pró-Brasil perdeu fôlego na esteira de fatores globais, reprecificação de juros e um novo componente de risco político doméstico.O banco também citou o impacto nos mercados de reportagem ligando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-dono do banco Master, Daniel Vorcaro, o que levou a uma forte reação dos mercados na última quarta-feira (13).Para os estrategistas, este fato começa a redesenhar probabilidades no mercado de apostas e pode alterar a dinâmica da corrida presidencial. O banco cita dados da plataforma Polymarkets, que indicam que as chances de vitória de Flávio Bolsonaro caíram de 43% para 33% após as manchetes, enquanto as probabilidades de Lula subiram de 38% para 43%.Tendência desde abrilA tendência de comportamento já era vista desde abril. Para a equipe da XP Investimentos, a combinação de um micro mais forte nos Estados Unidos com um rali de alívio nas bolsas globais, em meio ao arrefecimento das tensões no Oriente Médio, parece estar reduzindo a intensidade dos fortes fluxos estrangeiros.A leitura é que, embora o saldo no ano ainda fosse como robusto, sinais claros de desaceleração já apareciam em abril. O mês registrou entrada líquida de R$ 3,18 bilhões sem ofertas (ou R$ 3,22 bilhões considerando IPOs e follow-ons), o pior resultado mensal de 2026 e a terceira queda consecutiva no fluxo.O Brasil, nesse contexto, segue sendo tratado como um ativo de maior risco dentro dos portfólios globais, o que implica entradas expressivas em momentos de maior apetite e saídas rápidas em períodos de maior cautela.Além disso, na sessão de segunda-feira (18), o rendimento (yield) do Treasury de 10 anos subiu para seu nível mais alto em mais de um ano. Nesta terça, o rendimento do título continuou avançando, atingindo o maior patamar desde janeiro de 2025, em 4,663%.“Um efeito dessa expectativa de inflação mais elevada é a alta nos juros das Treasuries americanas, o que atrai capital para os Estados Unidos e drena a liquidez de mercados emergentes”, afirma Paula Zogbi, estrategista da Nomad.Nessa dinâmica, o Ibovespa deixa de ser a escolha preferencial de estrangeiros, como vinha sendo nos últimos meses. Sem esse fluxo, o recuo do índice se aprofunda. Paula destaca ainda que investidores aguardam, nesta terça, discursos de dirigentes do Federal Reserve e do Banco Central Europeu (BCE), ambos em postura de cautela.The post Por que estrangeiros chegaram a tirar R$ 2,4 bi da Bolsa em apenas um dia? Entenda appeared first on InfoMoney.
