Preocupado com palanques estaduais, Novo pressiona e Zema reduz tom contra Flávio

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O presidenciável Romeu Zema (Novo) decidiu reduzir a temperatura do embate com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após enfrentar pressão de alas bolsonaristas do próprio partido e de aliados preocupados com os impactos da crise em palanques estaduais. Segundo interlocutores do ex-governador de Minas Gerais, a avaliação foi de que o ataque inicial de Zema, embora coerente com seu discurso anticorrupção, produziu desgaste em estados onde o Novo depende diretamente do eleitorado bolsonarista para manter alianças e competitividade.A mudança de tom ficou evidente no sábado, durante evento do partido em Belo Horizonte, quando Zema classificou como “página virada” o episódio envolvendo Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro.— Fui duro porque eu fiquei muito decepcionado, mas agi de acordo com meus princípios e valores. Para mim, agora é página virada — disse.Leia tambémCúpula do Centrão vê neutralidade como caminho após crise com Flávio e VorcaroGrupo mais próximo ao bolsonarismo, porém, ainda quer alternativas para candidatura de direitaRelação de Flávio com Vorcaro afeta palanques de aliados, que tentam evitar junçãoNegociação entre senador e banqueiro já provoca desgastes em Santa Catarina, reforça afastamento em estados do Nordeste e provoca constrangimentos em São Paulo e MinasA declaração ocorreu poucos dias depois de o ex-governador afirmar que ouvir o senador cobrando recursos do dono do Banco Master para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, era “imperdoável” e comparável a práticas atribuídas ao PT.Dirigentes do Novo ligados aos diretórios do Sul passaram a defender que Zema evitasse transformar o caso em confronto aberto com Flávio. Em Santa Catarina, o partido ocupa a vice na chapa do governador Jorginho Mello (PL). No Paraná, aposta na candidatura de Deltan Dallagnol ao Senado. Já no Rio Grande do Sul, Marcel Van Hattem é um dos principais nomes nacionais da legenda.Segundo relatos, o próprio Zema atribuiu parte da estratégia inicial de enfrentamento à orientação de integrantes de sua equipe, que defendiam uma reação contundente diante da repercussão do caso Vorcaro. A lógica era semelhante à usada pelo ex-governador em ataques recentes a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e ao senador Ciro Nogueira (PP-PI): reforçar sua imagem como presidenciável associado ao combate à corrupção e aos privilégios políticos.A avaliação interna era de que, diante do impacto da reportagem do Intercept Brasil que revelou mensagens e áudios de Flávio cobrando recursos de Vorcaro, Zema precisava marcar posição para não parecer lenient. Integrantes da campanha afirmam que o presidenciável considerava necessário demonstrar coerência com a própria trajetória política e evitar o risco de ser visto como uma “linha auxiliar” do bolsonarismo.Vice de FlávioO episódio também produziu um marco na pré-campanha de Zema e praticamente enterrou uma hipótese ventilada nos bastidores há meses: a possibilidade de o ex-governador ocupar a vice na chapa encabeçada por Flávio.Depois da crítica, Flávio chegou a procurar Zema por telefone. O ex-governador estava em viagem de Nova York para São Paulo quando recebeu uma ligação do senador, mas não conseguiu atender porque estava em voo. Ao desembarcar em Guarulhos e retornar o contato, não conseguiu mais falar com o parlamentar. Flávio disse na manhã de sexta-feira que Zema havia se “precipitado”.Segundo integrantes do Novo, a avaliação predominante passou a ser de que Zema já transmitiu o recado político necessário, e que insistir no confronto produziria mais desgaste para o partido do que ganhos eleitorais. A orientação, então, foi de encerrar o assunto publicamente e evitar novas críticas diretas ao presidenciável do PL.Vice-presidente do Novo em Minas Gerais, Fred Papatella afirmou que o ex-governador apenas considera o episódio encerrado:— Vejo que ele ficou decepcionado pelo que foi divulgado e, como ele bem disse, página virada.O governador de Minas e aliado político de Zema, Mateus Simões (PSD), também afirmou que o ex-governador não pretende transformar o caso em tema permanente de embate político:— Entendi que para ele a decepção foi real, mas que ele não vai ficar criticando o Flávio por isso. Como diriam: “point made”. Já disse o que pensa sobre o assunto, não é mais um tema para ele.The post Preocupado com palanques estaduais, Novo pressiona e Zema reduz tom contra Flávio appeared first on InfoMoney.

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