A temporada de resultados do primeiro trimestre de 2026 foi encerrada e a visão geral dos mercados é de mais um tri fraco, seguindo a tendência de deterioração do 4T25. Para o varejo, de acordo com a XP Investimentos, os resultados do 1T refletiram uma demanda um pouco mais resiliente em categorias selecionadas, mas ainda em um cenário desafiador.Leia tambémCautela política e alerta de inflação nos EUA: o que faz Ibovespa cair mais de 1%Investidores monitoram desdobramentos das negociações indiretas entre os EUA e o Irã para o fim do conflito no Oriente MédioSegundo a casa, entre todos os setores da sua cobertura, houve relativa resiliência na dinâmica de receita, mas os números ficaram mais fracos na linha de lucro. Mesmo as empresas que tiveram surpresas positivas, permaneceram em níveis de lucro historicamente baixos.Varejo discricionário fracoPara a XP, o setor de varejo está entre os principais destaques negativos em termos de surpresas de resultados. De acordo com a casa, os balanços foram fortemente impactos por um ambiente macro difícil, notícias negativas em torno da taxa das blusinhas (revogada em maio) e potenciais mudanças na regulação trabalhista.O Bank of America reiterou a análise. Conforme o banco, os segmentos discricionários no varejo apresentaram resultados fracos, como efeito do crescimento lento das vendas, pressão nas margens e maiores despesas financeiras.Essa dinâmica também impactou o segmento de vestuário. Conforme a análise do BofA, a Azzas (AZZA3) teve desempenho inferior, devido a despesas maiores e desaceleração do crescimento da receita, com receita bruta desacelerando para 13,8% na comparação anual.Do lado positivo, a Lojas Renner (LREN3) foi uma exceção da média, superando o consenso graças a margens brutas mais fortes e créditos tributários. A Alpargatas (ALPA4) também surpreendeu positivamente, refletindo melhor crescimento de receitas, controle de custos e expansão de margens.Farmácias fortesO setor de varejo farmacêutico, por sua vez, teve destaque positivo no trimestre. De acordo com os analistas do Banco Safra, o setor apresentou crescimento consistente de vendas em mesmas lojas, ganho de margem e melhora na geração de caixa.As farmácias seguem com destaque positivo, desta vez apoiadas pelos ventos favoráveis de GLP-1 e por melhorias operacionais. Segundo o Safra, a Raia Drogasil (RADL3) tomou a liderança deste movimento. A empresa registrou os resultados mais sólidos da temporada, combinando evolução nas vendas, rentabilidade e disciplina financeira.A Pague Menos (PGMN3) também superou as estimativas em resultado operacional e lucro líquido. O balanço positivo foi apoiado por melhora de margem bruta e pelo crescimento da participação dos medicamentos para obesidade e diabetes no mix de vendas.Trimestre fraco como um todoDe maneira geral, as empresas sob a cobertura da XP reportaram receitas líquidas 0,3% abaixo das estimativas. A surpresa de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) foi de -2,1% e a surpresa de lucro líquido foi de +0,2%.Conforme levantamento do Bank of America, o Ibovespa consolidado registrou crescimento anual de lucro por ação (EPS) de 3%, contra 12% do mesmo período no ano anterior. Esse resultado considera empresas domésticas e exportadoras de commodities.O crescimento anual de receita ficou maior, em 7% contra os 6% do mesmo período em 2025, e o Ebitda cresceu menos. Em 2026, o aumento foi de 10% e no 1T25, foi de 11%.Com base nas análises, o setor Industrial concentrou a maior parte das decepções, enquanto Utilities liderou os resultados acima do esperado.The post Primeiro tri de 2026 tem varejo fraco, mas com perspectivas positivas para farmácias appeared first on InfoMoney.
