O processo de homologação da recuperação extrajudicial da Unimed Ferj foi suspenso pela Justiça do Rio. A cooperativa — que assumiu a carteira de usuários da Unimed-Rio em 2024 e desde o ano passado divide o risco da operação com a Unimed do Brasil — tenta reestruturar dívidas que somam R$ 912,6 milhões.O tema foi suspenso numa liminar concedida pela desembargadora Cristina Feijó a partir de um recurso da Rede Hospital Casa, um dos principais credores da Ferj.O processo tramita em sigilo. Segundo o colunista Lauro Jardim, a magistrada entendeu que a Unimed Ferj desrespeitou o prazo máximo de 90 dias previsto em lei para obter a aprovação de metade dos credores ao plano de recuperação. Outro ponto destacado pela desembargadora é que a Ferj não atuaria mais como operadora de plano de saúde, já que a carteira está sendo gerida pela Unimed do Brasil, o que retiraria a legitimidade para requerer a recuperação extrajudicial.Em nota, a Ferj afirmou que “já está adotando as medidas jurídicas cabíveis”, e destacou que a decisão “não altera a garantia do atendimento assistencial aos beneficiários”, que está sob responsabilidade da Unimed do Brasil.“A Unimed Ferj reitera que o processo de recuperação extrajudicial segue rigorosamente todos os trâmites legais e requisitos necessários e que está convicta da sua aprovação”, diz comunicado da operadora.O processamento do pedido de homologação do plano de recuperação extrajudicial da Unimed Ferj foi aceito pela Justiça no início de junho. A decisão do juiz Marcelo Mondego, da 2ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) não significa que o plano foi homologado, mas que ele atendia aos requisitos iniciais para tramitar. A decisão também suspendia por 120 dias que a Ferj sofresse ações e execuções de credores sujeitos ao plano de reestruturação.Leia também: Cade aprova aquisição de 11,9% da Oncoclínicas por fundos controlados por MasterA operadora alega no processo “grave desequilíbrio econômico-financeiro decorrente da absorção da carteira de beneficiários da Unimed-Rio, em contexto de colapso regulatório”.No ano passado, a operadora contratou a Câmara de Medição e Arbitragem da FGV para a organização e negociação dos débitos, no que o presidente da operadora, João Alberto da Cruz, chamava de uma “pré-recuperação extrajudicial”. A lista envolvia 50 credores, como Oncoclínicas (ONCO3), laboratórios Dasa e Rede Casa liderando com os maiores valores a receber.Leia também: Americanas (AMER3) diz que cumpre plano de recuperação e nega atraso a credoresCrise se arrastaA Unimed Ferj assumiu a gestão da carteira da Unimed-Rio em 2024, após mais de uma década de crise financeira. Antes, a Ferj não atuava como ooperadora, mas apenas como entidade representativa das Unimeds fluminenses.O quadro, porém, não melhorou com a migração, e os problemas se acumularam. Médicos cooperados relataram atrasos nos pagamentos e passaram a recusar atendimento aos usuários. Além disso, a operadora também acumulou dívidas com hospitais.Em meio à crise, usuários viram a rede credenciada reduzir, com a suspensão do atendimento em unidades como as da Rede D’Or e da Rede Américas. A saída encontrada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) foi que a carteira de usuários fosse assumida pela Unimed do Brasil, gestora da marca Unimed em nível nacional.Com o arranjo, a Unimed do Brasil assumiu o atendimento assistencial, e passou a receber 90% da receita das mensalidades para pagar prestadores (como hospitais, laboratórios e médicos) e reembolsos. Em dezembro de 2025, a operadora informou que firmou acordo com redes hospitalares e de laboratórios para “normalizar e expandir o atendimento” aos usuários.Os 10% restantes do faturamento da operação ficam com a Ferj. Com esses recursos, a operadora precisa quitar dívidas e despesas administrativas.The post Processo de recuperação extrajudicial da Unimed Ferj é suspenso pela Justiça do Rio appeared first on InfoMoney.
