Próximo presidente receberá país “vivendo acima dos seus meios”, diz economista

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Quem vencer a eleição presidencial receberá em janeiro uma economia com desemprego historicamente baixo e atividade em crescimento, mas terá pela frente uma combinação de juros elevados, dívida crescente e pouco espaço no Orçamento para colocar novos projetos de pé.O diagnóstico é de Josilmar Cordenonssi, professor de Ciências Econômicas da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Em entrevista ao Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, ele definiu o quadro como o de um país “vivendo acima dos seus meios”.“É como se fosse uma família, apesar de muita gente não gostar de comparar o país com uma família, mas é um país que está se endividando para comer em restaurante, para ir para o cinema. Uma hora essa conta vai chegar”, afirmou.Leia tambémLula confirma que não vai ao debate da Globo na quinta-feira (1)Presidente deve repetir estratégia adotada durante debate da Band, quando concedeu entrevista exclusiva para a RecordMeio/Ideia: Lula e Flávio ficam separados por 1 ponto no 1º turno e 0,5 no 2ºLevantamento feito após anúncios do Desenrola 3.0 e da proibição das bets e em meio à polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida mostra empate técnico nos dois turnosEmprego é ponto positivoCordenonssi começa o diagnóstico pelo mercado de trabalho. Segundo ele, o nível de desemprego é uma das principais notícias positivas da economia e chegou a um patamar que poucos economistas esperavam.O problema, na avaliação do professor, é que o baixo desemprego convive com uma capacidade limitada de expansão da economia. Com pouco espaço para crescer sem gerar pressões sobre os preços, juros elevados e contas públicas pressionadas, o cenário impõe restrições ao próximo governo.“Esse é o nosso grande desafio e vai começar no dia seguinte ao resultado da eleição, se vai ser agora domingo ou no segundo turno, nós vamos ver”, disse.Leia mais:O que o empate esconde, e o que a pesquisa não medeHorário da eleição: que horas começa e termina a votação do primeiro turno?Entenda: o que muda no e-Título e como usar o app para votar em 2026 Pouco espaço para o próximo governoOutro obstáculo está no Orçamento de 2027. A proposta enviada pelo governo federal ao Congresso prevê R$ 2,6 trilhões em despesas primárias e que mais de 92% desse montante já está comprometido. O espaço discricionário previsto é de R$ 222 bilhões, parcela que ainda precisa acomodar investimentos e emendas parlamentares.Cordenonssi estima que a fatia sobre a qual o presidente terá liberdade efetiva para decidir onde gastar ficará próxima de 5%.“É uma questão ínfima. E isso sem contar que é daí que também se tira investimento”, afirmou.Para o economista, a falta de recursos públicos disponíveis tende a ampliar a importância das parcerias com o setor privado para financiar projetos de infraestrutura.A conta dos jurosA situação fiscal também entra diretamente na discussão sobre os juros. Na avaliação de Cordenonssi, o próximo governo não precisa necessariamente promover um ajuste abrupto logo em 2027. O fundamental, segundo ele, seria apresentar uma trajetória considerada crível para as contas públicas, indicando como pretende estabilizar a dívida ao longo dos próximos anos.“Não digo fazer um ajuste exatamente no ano que vem, déficit zero no ano que vem. Déficit primário é até possível e necessário”, afirmou.O professor defende que o governo sinalize uma trajetória crescente de resultados fiscais, ainda que isso exija discutir medidas politicamente difíceis.“A gente vai ter que fazer um freio de arrumação”, disse.O ajuste que ficou fora da campanhaParte do problema, para Cordenonssi, é que as decisões necessárias para esse ajuste aparecem pouco nas propostas apresentadas ao eleitor.Segundo ele, Lula e Flávio Bolsonaro oferecem respostas diferentes para o problema fiscal, mas nenhum dos dois detalha integralmente onde estariam as escolhas mais dolorosas.“O Lula é mais ou menos fazer o ajuste fiscal sem cortar gastos sociais, no resumo. O Flávio tem o símbolo ‘tesouraço’, fazer um corte do que não fala onde que vai cortar”, afirmou.Para o economista, independentemente do resultado das urnas, o debate reaparecerá depois da eleição.“Tanto um lado como o outro vai ter que fazer um ajuste. Agora, quem colocou isso na campanha? Ninguém.”Leia também:O que devo levar para votar e o que é proibido na seção eleitoral?Qual é a diferença entre voto em branco e nulo?Quais são os cargos em disputa nas eleições 2026?O desafio do próximo presidente, portanto, será administrar simultaneamente uma economia próxima do pleno emprego e restrições fiscais que, na avaliação do professor, dificultam uma queda sustentada dos juros e a aceleração dos investimentos.Para Cordenonssi, sem uma sinalização sobre como enfrentar essas limitações, o custo continuará aparecendo na dívida e nas taxas cobradas para financiá-la.“O sacrifício de hoje vai abrir espaço para a taxa de juros cair”, afirmou. “A taxa de juros não cai sem fazer nenhuma redução de gasto, pelo menos ao longo do tempo.”Nessa reta final das eleições, o Mapa de Risco contará com edições especiais, ao vivo, de segunda a sexta-feira, às 18h30, pelo canal do Youtube do InfoMoney. The post Próximo presidente receberá país “vivendo acima dos seus meios”, diz economista appeared first on InfoMoney.

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