A melhora parcial da aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registrada pela pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (13) ocorreu justamente entre grupos que passaram a ser alvo prioritário da estratégia econômica e eleitoral do governo federal nos últimos meses.Os dados mostram recuperação da avaliação do governo entre eleitores de renda mais baixa, jovens e setores menos alinhados politicamente, segmentos diretamente impactados por medidas como o Desenrola 2.0, programas de crédito popular e ações voltadas ao consumo.Segundo a pesquisa, a aprovação do governo entre brasileiros com renda de até dois salários mínimos ficou em 54%, contra 40% de desaprovação. Entre beneficiários do Bolsa Família, o índice de aprovação chegou a 57%, mantendo uma vantagem confortável para o presidente. O movimento acontece no momento em que o Planalto tenta reconstruir apoio justamente entre eleitores afetados pelo endividamento, pela renda comprimida e pela dificuldade de acesso ao crédito. O Desenrola 2.0 passou a ser tratado internamente no governo como uma das principais apostas para reduzir desgaste em setores populares e entre jovens adultos.Leia tambémQuaest: Em 1º turno, Lula vai a 39% e Flávio marca 33% após semana de crise políticaReunião de Lula com Trump e operação contra aliado de Flávio ainda não alteram eixo central da disputa presidencialQuaest: aprovação de Lula sobe para 46% com alívio entre independentesPesquisa mostra recuperação parcial da aprovação presidencial puxada por eleitores sem alinhamento políticoA pesquisa também mostrou redução da resistência entre eleitores independentes, grupo considerado decisivo para 2026. Nesse segmento, a aprovação subiu de 32% para 37%, enquanto a desaprovação caiu de 58% para 52%. O dado é relevante porque indica melhora fora da base ideológica tradicional do lulismo. Embora o levantamento não investigue diretamente quais programas influenciaram a percepção dos entrevistados, integrantes do governo vêm associando a recuperação parcial observada nos últimos dias à ampliação das políticas de renegociação de dívidas, microcrédito e estímulo ao consumo.A estratégia busca atuar em duas frentes eleitorais ao mesmo tempo. A primeira envolve a preservação da base histórica de baixa renda, especialmente no Nordeste. A segunda mira eleitores mais jovens e economicamente pressionados, grupo que vinha apresentando deterioração acelerada na avaliação do governo desde o início do ano.Recuperação limitadaOs números mostram que essa recuperação ainda é limitada. Entre brasileiros de 16 a 34 anos, a desaprovação segue majoritária, em 55%, enquanto 41% aprovam o governo. Ainda assim, o Planalto vê espaço para reduzir perdas nesse segmento a partir de políticas voltadas ao crédito, consumo e renegociação financeira. A melhora da avaliação geral do governo também foi modesta, mas interrompeu a sequência de deterioração observada desde o começo de 2026. A taxa dos que consideram a gestão negativa caiu de 42% para 39%, enquanto a avaliação positiva subiu de 31% para 34%. Apesar da reação, os dados indicam que o governo ainda enfrenta resistência relevante em segmentos centrais da disputa eleitoral. A desaprovação segue elevada entre eleitores de renda média e alta, homens, evangélicos e moradores do Sul e Sudeste.Na faixa de renda acima de cinco salários mínimos, por exemplo, 58% desaprovam o governo, contra 39% que aprovam. Entre evangélicos, a desaprovação chega a 65%. A leitura política dentro do governo é que programas como o Desenrola 2.0 podem não produzir uma virada ampla de popularidade, mas ajudam a reduzir desgaste em grupos decisivos para uma eleição apertada em 2026.A pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.004 pessoas presencialmente entre os dias 8 e 11 de maio. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-03598/2026.The post Quaest: Lula ganha fôlego entre jovens e baixa renda após aposta no Desenrola appeared first on InfoMoney.
