Nos Estados Unidos, os democratas chegam à eleição de terça-feira (3) liderando as pesquisas em cinco estados atualmente representados por republicanos no Senado: Carolina do Norte, Texas, Ohio, Maine e Alasca. Se esses resultados se confirmarem nas urnas, a oposição ao presidente Donald Trump poderá encerrar as eleições de meio de mandato com 52 cadeiras na Casa, contra 48 dos republicanos.As vantagens, porém, permanecem apertadas na maior parte das disputas. A principal exceção é a Carolina do Norte, onde o ex-governador Roy Cooper aparece com cerca de dez pontos percentuais de vantagem sobre o republicano Michael Whatley.Iowa e Michigan no radarAlém desses estados, os democratas também enxergam oportunidades em Iowa e Michigan.Em Iowa, a disputa opõe o democrata Josh Turek à republicana Ashley Hinson. Diante do risco de perder a cadeira, o Senate Leadership Fund, principal comitê de apoio aos republicanos no Senado, ampliou em US$ 20 milhões os gastos com publicidade no estado ao longo de outubro.Já em Michigan, o democrata Abdul El-Sayed mantém vantagem sobre o republicano Mike Rogers. Segundo a média da RealClearPolitics, ele lidera por 2,6 pontos percentuais. Uma vitória democrata no estado teria forte peso simbólico, já que a cadeira é ocupada por republicanos há 26 anos.Disputa na CâmaraPara Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil em Washington, a perda da maioria republicana na Câmara dos Representantes é praticamente certa. No Senado, o cenário é mais equilibrado, mas os riscos para o governo também são significativos.“As pesquisas de opinião pública nos Estados Unidos indicam que Trump certamente vai perder a Câmara e, possivelmente, também o Senado. A situação dele pode ficar bastante complicada no Congresso”, afirmou o diplomata ao InfoMoney.Na Câmara, a disputa é influenciada pelo redesenho dos distritos eleitorais realizado nos últimos anos. Após decisões da Suprema Corte que alteraram a aplicação da Lei de Direitos de Voto, estados controlados pelos republicanos passaram a redesenhar distritos de forma a aumentar sua competitividade eleitoral. Em alguns casos, porém, ocorreram movimentos na direção oposta, favorecendo os democratas.Leia tambémTrump: guerra com Irã acabará em breve, de um jeito ou de outro“Precisamos de uma garantia de que nunca haverá uma arma nuclear”, declarou Trump, ao defender que o Irã aceite um entendimento com os EUAAproximação com direita radical pode ter custado liderança a Flávio, diz analistaCientista político avalia que estratégia adotada na reta final da campanha e saída do Brasil após a derrota abriram espaço para outras lideranças da oposiçãoMissouri, por exemplo, terá de utilizar o mesmo mapa eleitoral de 2024. Na Virgínia, por outro lado, a Suprema Corte anulou um desenho de distritos apoiado pelos democratas, que poderia ampliar a representação do partido na Câmara.O redistritamento é um mecanismo utilizado para ajustar os limites dos distritos eleitorais com base nos dados do censo populacional. Como a responsabilidade pelo processo costuma caber às Assembleias Legislativas estaduais, o partido que controla o governo local frequentemente possui maior influência sobre sua definição.Na prática, o modelo serve para que o partido vencedor possa concentrar a oposição em poucos lugares, fragmentando suas bases. Institucionalmente, não é raro que esses processos acabem sendo resolvidos na Justiça. Na prática, esse processo pode alterar significativamente o equilíbrio político, concentrando eleitores da oposição em determinados distritos e ampliando as chances de vitória em outros. Não por acaso, disputas sobre os novos mapas frequentemente acabam nos tribunais.O peso do voto latinoSe o discurso que levou Trump de volta à Casa Branca mostrou força há dois anos, o cenário político atual é mais desafiador para o presidente. Parte dessa mudança é atribuída ao enfraquecimento de indicadores econômicos e ao desgaste provocado pela política migratória da administração republicana.Desde o ano passado, aumentaram os casos de detenções de imigrantes em situação irregular nos Estados Unidos, incluindo pessoas sem condenações criminais. O tema se transformou em uma das principais fontes de desgaste para o governo.Para James Green, historiador e diretor do Washington Brazil Office (WBO), a questão migratória tem influenciado especialmente o voto latino.“Boa parte das pessoas que estão sendo presas não cometeu nenhum crime, além de permanecer nos Estados Unidos após o vencimento de sua autorização. Hoje, uma parcela crescente do eleitorado se opõe à política migratória de Trump e tende a votar contra ele por esse motivo”, afirmou. Rubens Barbosa compartilha avaliação semelhante. Para o ex-embaixador, a política migratória tornou-se “um fator muito negativo, sobretudo para grande parte da comunidade latino-americana nos Estados Unidos”.Nesse contexto, Trump não apenas corre o risco de perder a maioria republicana no Congresso, como também enfrenta alguns dos piores índices de aprovação de seu segundo mandato, segundo levantamentos recentes.The post Quais estados podem definir o controle do Congresso dos EUA nas “Midterms” appeared first on InfoMoney.
