O novo foco da Doença de Newscastle no Brasil, confirmado na segunda-feira (19) pelo Ministério da Agricultura, após a constatação de aves infectadas numa criação de perus em Santa Catarina, vai testar novamente o poder de resiliência do setor após problemas de sanidade anima. Nos dois últimos anos, mesmo com o registro de doenças aviárias, as exportações caíram nos primeiros meses dos focos, mas fecharam em alta no agregado anual.A última vez que a Doença de Newcastle foi detectada no Brasil foi em julho 2024, numa do Rio Grande do Sul. Mesmo com protocolo de emergência tendo sido adotada com precisão e com o foco debelado no mesmo mês, as exportações caíram de uma média de mais de 450 mil toneladas naquela mês para menos de 380 mil em agosto.Mesmo com o grave problema, os embarques brasileiros cresceram 3% em 2024, somando 5,3 milhões de toneladas, batendo o recorde do setor.Exportações de frango em 2024(Fonte: ABPA)Em 2025, aconteceu em maio o registro o primeiro caso de gripe aviária em uma granja comercial no Brasil, mas uma vez em uma granja gaúcha. Na ocasião, o impactos foi mais duradouro: o volume de exportações recuou de 476 mil toneladas em abril para patamares inferiores a 400 mil toneladas até agosto.Mas a exemplo do que aconteceu no ano anterior, o ano fechou com um acumulado de 5,324 milhões de toneladas exportadas, considerando todos os cortes – um crescimento de 0,6% ante 2024 e configurando outro recorde.Exportações de frango em 2025(Fonte: ABPA, com dados da Secex)O comportamento dos compradores nas duas oportunidade foi similar: mercados como China, México e União Europeia interromperam a importação de carne frango e retomaram os embarques gradualmente.Além do esforço diplomático e comercial, foi acentuada a diversificação de mercados, o que reduziu os impactos na balança do setor. China e México recuaram entre os principais compradores do frango brasileiro, mas os Emirados Árabes Unidos, o Japão, a Arábia Saudita, a África do Sul e as Filipinas cresceram.Há porém uma diferença em relação aos episódios de 2024 e 2025. Nas duas oportunidades, os problemas foram detectados no Rio Grande do Sul, responsável por pouco mais de 13% das exportações de frango do Brasil. Já Santa Catarina, local do novo foco de Newcastle, responde por mais de 23% das vendas nacionais.Conforme lembrou o Goldman Sachs em relatório, a área afetada está distante dos principais polos produtores: a cidade de Chapecó fica a uma distância de 20 a 30 quilômtros, enquanto a divisa com o estado do Paraná está a 65 a 70 km.O bando de investimentos destaca que, historicamente, a China restringe as importações provenientes de todo o país em casos como esse e que a maioria dos demais destinos ajusta seus protocolos para permitir restrições regionalizadas – geralmente num raio de 10 km da área afetada.“Considerando o cenário de 2024 — e pressupondo um surto com duração de um mês — uma proibição nacional por parte da China e restrições regionalizadas por parte de outros parceiros comerciais —, estimamos um potencial excesso de oferta de 1% a 5% no mercado interno no quarto trimestre de 2026”, estimou o banco.Entre os principais desdobramentos a serem acompanhados, o Goldman Sachs alerta para a possível propagação da doença para outros municípios ou estados, especialmente ao longo das próximas duas a três semanas.Ontem , as ações da MBRF (MBRF3) encerraram o pregão em queda de 4%, enquanto o Ibovespa permaneceu praticamente estável.The post Qual o impacto nas exportações de frango nos últimos casos de doenças em aves? appeared first on InfoMoney.
