O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado a prévia do Produto Interno Bruto (PIB), recuou 0,22% em julho na comparação mensal com ajuste sazonal, confirmando a perda de fôlego da economia. Para economistas, a retração disseminada dá mais combustível para o Comitê de Política Monetária (Copom) dar continuidade ao ciclo de corte de juros, em vez de pausa após a decisão desta quarta-feira (16).Para Alexandre Maluf, economista da XP, a abertura setorial mostra que o setor de serviços teve estabilidade (0,0%), o único componente a não recuar no mês. Já a indústria (-0,4%), o indicador de impostos (-0,2%) e a agropecuária (-1,2%) registraram perdas. A XP avalia que o indicador reforça a visão de desaceleração da atividade doméstica e projeta que o Produto Interno Bruto (PIB) deve estagnar no terceiro trimestre, mantendo a estimativa de crescimento em 1,7% para o ano de 2026. Para a XP, o Copom deve continuar cortando juros neste ano, levando a Selic a 13,25% até dezembro.Leia também: Super 4ª: Com Copom e Fed em direções opostas, o que esperar para mercado brasileiro?Paula Sauer, professora da FIA Business School, destaca que, na comparação com o mesmo período do ano anterior, o IBC-Br avançou 3,8%, e que o dado merece ser olhado com cautela. Ela aponta que houve uma alta disseminada entre os três compoentes do índice, devido ao impacto de fatores internacionais.Impacto dos juros na economiaA leitura negativa do mês fortalece a percepção de um cenário mais desafiador. Segundo relatório do Goldman Sachs, o recuo deixou um carregamento estatístico (carry-over) negativo de 0,7% para o terceiro trimestre. A instituição avalia que, daqui para frente, a atividade continuará a ser sustentada por transferências fiscais e um mercado de trabalho forte, mas esses fatores positivos serão mitigados pelas condições financeiras apertadas e pelo alto nível de endividamento das famílias.Na avaliação da Suno Research, a retração do IBC-Br reflete os impactos defasados dos juros elevados sobre a demanda da indústria, somados à desaceleração do setor extrativo. Rafael Perez, economista da casa, aponta que o setor de serviços também sofre limitações em seu ritmo de expansão devido à perda de confiança das famílias e ao custo mais elevado do crédito.Na agropecuária, a queda já era esperada após o pico de colheita no início do ano, mas o desempenho pode seguir moderado por conta do Super El Niño. A Suno projeta crescimento de 0,2% para o PIB no terceiro trimestre e avanço de 1,9% no consolidado do ano.A Mag Investimentos projeta desaceleração da economia no 3º trimestre, com PIB próximo da estabilidade no período.Decisão sobre juros do CopomA consolidação desse quadro de desaceleração na leitura mensal pode dar mais subsídios para a condução da política monetária. Rafael Pastorello, portfólio manager do Banco Sofisa, afirma que o IBC-Br reforça a percepção de que os efeitos da política monetária restritiva começam a se refletir “de forma mais clara” na atividade econômica. Para a decisão do Copom, o mercado já precifica uma redução de 0,25 ponto percentual, levando a taxa Selic para 13,75% ao ano. No entanto, para Pastorello, o Banco Central deverá manter uma “comunicação cautelosa”, reforçando a “dependência dos próximos dados”, com atenção às expectativas inflacionárias, política fiscal e incertezas externas.Já André Valério, economista sênior do Inter, diz que o dado abre espaço para a continuidade do ciclo de afrouxamento, avaliando que a moderação da atividade, afetada pelo esgotamento da renda e do crédito, deve persistir. “Esperamos que a trajetória de moderação da atividade permita com que o Copom continue cortando a Selic além da reunião de hoje”, afirma Valério, projetando a taxa básica em 13,25% até dezembro.A Genial Investimentos pondera que o descasamento histórico entre as políticas fiscal e monetária tem limitado parcialmente os efeitos contracionistas, e projeta um avanço sutil de 0,1% no PIB do terceiro trimestre. Yihao Lin, economista da corretora, avalia que o enfraquecimento amplia o espaço para discutir cortes adicionais, mas não torna sua continuidade automática. O cenário-base da Genial prevê que o corte para 13,75% será o último do ano, embora a instituição enxergue “um risco considerável de que a Selic seja afrouxada novamente na reunião de novembro” caso os dados de inflação sigam benignos.Pablo Spyer, conselheiro da ANCORD, também destaca a perda de velocidade na atividade, mas diz que ela não reverteu completamente o crescimento, acumulando alta de 1,5% no ano. Para ele, o mercado prestará mais atenção ao comunicado do Banco Central do que ao corte propriamente dito. “A grande questão é saber se 13,75% será uma pausa no ciclo ou apenas mais uma etapa da queda dos juros”, pontua.Os analistas alertam que os efeitos positivos da redução dos juros levarão tempo para chegar à ponta final. Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, explica que a transmissão da política monetária acontece primeiro nos mercados financeiros e depois chega à economia real. Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco, avalia que os juros altos ainda afetam decisões passadas e projeta que a melhora mais perceptível em linhas mais amplas de crédito e capital de giro deve aparecer somente ao longo de 2027.Super QuartaO cenário de juros locais divide as atenções com o ambiente externo durante a chamada “Super Quarta”, que alinha as decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos. Leia também: Inflação e petróleo pressionam Fed para mais uma alta de juros nos EUASidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, projeta que as instituições seguirão direções opostas, com o Federal Reserve (Fed) elevando os juros norte-americanos em 0,25 ponto percentual devido à persistência da inflação. Segundo ele, “um Fed mais duro pode fortalecer o dólar e pressionar os juros globais, limitando o espaço para cortes mais rápidos no Brasil”.The post Queda no IBC-Br reforça tese de estagnação do PIB no 3º tri e de mais cortes de juros appeared first on InfoMoney.
