O escritório da advogada Dalide Barbosa Alves Corrêa recebeu R$ 33 milhões em pagamentos do Banco Master, de Daniel Vorcaro, em 2024, segundo documentos de uma auditoria interna realizada pelo Banco Regional de Brasília (BRB) sobre a operação com a instituição financeira, encontrados pela Polícia Federal (PF).Os registros também mencionam pagamentos de R$ 40 milhões, em 2024, ao escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).Procurada, a assessoria de Dalide afirmou, em nota enviada ao Estadão, que ela “jamais atuou para o Master no STF nem procurou ministros da Corte para tratar de assuntos relativos ao banco”.Leia tambémDefesa de Vorcaro pede ao STF revogação de prisão preventiva no caso MasterAdvogados alegam que prazo para reavaliar a medida venceu em agosto e citam indefinição no Supremo sobre os processos ligados ao bancoVorcaro teve audiência com Gilmar sobre causa que afetava créditos do Banco MasterAudiência ocorreu no STF em 2024 e tratou de processo ligado a créditos do setor sucroalcooleiro; ministro divulgou nota sobre o caso“Sua atuação restringiu-se a processos judiciais originalmente conduzidos em favor de empresas que venderam créditos ao Banco Master e que, posteriormente, foram sucedidas pelo banco nessas ações. Essa atuação ocorreu exclusivamente perante órgãos de primeira e segunda instâncias”, acrescentou.Dalide tem 67 anos e é natural de Cansanção, no interior da Bahia. É graduada em Direito pelo Centro Universitário de Brasília e pós-graduada em Direito Tributário, Direito Constitucional e Direito Processual Civil pelo Instituto Brasileiro de Direito Processual.Entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2000, foi diretora jurídica da Caixa Econômica Federal. Depois, trabalhou como assessora jurídica na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, procuradora-geral na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e chefe de assessoria parlamentar no STF.Em 2010, Dalide abriu o escritório Alves Corrêa & Veríssimo Advocacia, em Brasília, onde atua como advogada-sócia administradora. Naquele mesmo ano, começou a trabalhar como diretora-geral do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), onde ficou por sete anos.A instituição de ensino foi fundada pelo ministro Gilmar Mendes, do STF. Os dois se conheceram na época em que ele era advogado-geral da União no governo de Fernando Henrique Cardoso e ela trabalhava na Caixa. No entanto, se afastaram em 2017, após desentendimentos sobre a gestão do IDP.Procurada, a assessoria de Mendes não quis se manifestar sobre o assunto. A interlocutores, o ministro afirmou que se afastou de Dalide após a saída dela do IDP e que não mantém relação de proximidade com ela.Em 2022, a advogada estava na lista de candidatos como suplente de João Campos, que concorreu pelo Republicanos ao Senado em Goiás, mas não foi eleito. Na época, declarou R$ 88,5 milhões em bens, entre imóveis, terrenos, joias e outros itens.Dalide foi citada em diálogos de diretores do Master obtidos pela PF. Em conversas sobre despesas, o diretor da área financeira do banco, Ângelo Ribeiro, deu ordens ao superintendente executivo de Tesouraria, Alberto Félix, para o pagamento ao escritório de Dalide e argumentou que se tratava de um “canal direto com o STF”, sem mencionar o que isso significaria.Ainda não foram realizadas diligências sobre esse contrato e, por isso, a PF não produziu nenhuma avaliação sobre a legalidade da prestação dos serviços.Não foram encontradas, nesses diálogos, menções a Mendes nem a qualquer outro ministro do STF. Eles também não foram alvos de diligências ou medidas de investigação na Operação Compliance Zero.Os contratos de Vorcaro com escritórios de advocacia ligados a ministros do STF geraram uma crise nos bastidores da Corte, depois que o Estadão revelou detalhes do relatório da PF sobre menções a Moraes no celular do banqueiro.The post Quem é advogada que recebia R$ 33 mi por ano do Master e ‘canal direto do STF’ appeared first on InfoMoney.
